Nos bastidores com Gustavo Victorino

December 20, 2017

 

Embora ainda não tenhamos números iniciais conclusivos até o fechamento dessa edição, o final de ano já indica uma forte tendência de recuperação no segmento a partir dos pedidos de lojistas a importadores e fabricantes. Sem grandes arrojos ou entusiasmo intempestivo, o mercado sente uma sutil retomada de vendas e pode mostrar números positivos no final desse ano.

 

Honestidade
Na contramão do comércio varejista brasileiro, o segmento de áudio e instrumentos não entrou nessa de Black Friday. Sem parceria com fornecedores, os lojistas trataram a ideia de forma meramente promocional e descompromissada. Preço abaixo dos valores de mercado se faz com custo baixo que começa no fornecedor e termina no ponto de venda com a redução da margem de lucro... E hoje, ninguém consegue fazer isso. Ao contrário de outros segmentos, o nosso mercado preferiu o realismo e a honestidade com seus clientes. Nada de vender tudo pela metade do dobro do preço.

 

Venda direta
Era inevitável a entrada dos importadores e fabricantes no comércio virtual. Grande parte deles já tem seus sites com vendas diretas. E antes que alguém se mostre indignado, os preços nessas lojas virtuais são acima dos valores praticados pelas lojas físicas. A sensação que passa é que tudo parece meio fake e meramente referencial para estabelecer parâmetros de valores para o mercado.

 

Boa surpresa
Alguns importadores e fabricantes foram pegos literalmente de “calças na mão”. Apesar do pessimismo, as vendas surpreenderam pelo aprendizado dos lojistas que parecem ter entendido que o mundo não vai acabar e que ficar sem produto em final do ano é burrice. Com a nova legislação trabalhista, teve fabricante contratando de forma emergencial e criando turnos adicionais para atender a demanda inesperada. Nem todos vão conseguir.

 

Realismo
O cantor Ed Motta parece que caiu na realidade e percebeu que o seu público é vinculado prioritariamente ao seu passado como líder do “Conexão Japeri” e mais tarde um raro soul man, já em carreira solo. Por algum motivo, ele meteu na cabeça que era jazzista e travou por um bom tempo a carreira de um dos melhores cantores da música brasileira… ele mesmo. De volta ao estilo que o consagrou e cantando as músicas que o colocaram na nata da MPB, Ed Motta viaja pelo Brasil com um show interessante e recheado com seus hits. Nada contra o Ed Motta jazzista, mas tudo a favor Ed Motta pop.

 

Avanço
Um bom sinal dos tempos é o avanço tecnológico de alguns segmentos na produção de linhas de instrumentos que historicamente apresentavam problemas recorrentes e que muito tiraram o sono de importadores, lojistas e consumidores. Braços empenados em guitarras e baixos, tampos e cavaletes descolados em violões são coisas do passado e atualmente raríssimas incidências desses problemas atormentam o consumidor. Colas com novas fórmulas muito mais resistentes, tirantes para ajuste de braço com tensões mais altas e desenvolvidos com materiais mais modernos, deram sossego ao medo recorrente de importar instrumentos de corda do oriente. Novas fórmulas também de tintas, vernizes e texturas de base acabaram de vez com as rachaduras nas pinturas e a descoloração que, por muito tempo, atingiram produtos de todos os preços.

 

Aposentado
O anúncio da vinda de Phil Collins ao Brasil ainda no primeiro de semestre de 2018 surpreendeu muita gente, inclusive eu. Já li pelo menos duas entrevistas dele anunciando aposentadoria. Deve ter conversando com o Eric Clapton sobre a seguridade social inglesa e resolveu acumular mais alguns trocados para a velhice.

 

Brincando com a sorte
Tem músico confiando demais num hardware frágil e instável e arriscando pagar mico em show. Alguns cantores e músicos pegaram o hábito de levar em pequenos celulares as trilhas que conduzem o seu show nos palcos. Apostar nesse tipo de player para um trabalho profissional é no mínimo uma irresponsabilidade. Esses aparelhos eletrônicos não foram feitos para isso e muito menos têm recursos adequados para tal tarefa. Parar uma música no meio de um show porque o celular travou ou recebeu chamada é constrangedor. E isso acontecer é uma questão de tempo. 

 

Enganação
Ainda sobre tocar com trilhas pré-gravadas, fico com a sensação de enganação toda a vez que assisto um show na qual esse recurso é utilizado. O Coldplay e mais uma penca de bandinhas da moda usam e abusam disso. No passado já critiquei o U2 que usava músicos “escondidos” para completar o set sonoro. A alegação de que é necessário reduzir custos não me convence. Utilizar playback ou karaokê é para show gratuito ou de logística complexa. Público quer ver músico tocando, cantando e dançando, o resto é enganação.

 

Sobrevivência
Um fenômeno curioso chegou ao meu conhecimento na Expomusic e mesmo desacreditando resolvi pesquisar. E é verdade...! Dezenas de comerciantes inadimplentes estão procurando seus credores para “ajustar contas” e recuperar sua imagem como pagador. Sem mercadoria e num mercado pequeno e monitorado como o nosso, inadimplir é um péssimo negócio. Gente grande tinha nome sujo porque resolveu ignorar seus credores e arguir a crise como pretexto para atrasos injustificáveis. Além de mal falado, começou a ficar sem produto no ponto de venda.

 

UHF
As mudanças nas bandas de frequência das emissoras de rádio e televisão vão provocar significativas alterações na utilização dos equipamentos de UHF no showbusiness. Transmissores e receptores com banda fixa poderão ter problemas em seus canais e virar lixo. Com o desligamento das TVs analógicas, as bandas mais baixas serão liberadas para as operadoras de telefonia celular, hoje operando prioritariamente em 2600 MHz. Pela nova regulamentação da Anatel, a mudança no espectro libera frequências a partir de 700 MHz para celulares 4G e vai atingir muitos equipamentos de banda fixa a ponto de torná-los arcaicos. Desde já, vá checando o seu.

 

Curiosidade
Você sabia que a cada 10 violões vendidos, é vendida apenas duas guitarras ou contrabaixos? Custei a acreditar no número e fui bisbilhotar com importadores, fabricantes e lojistas. Confesso minha surpresa, embora soubesse da prevalência dos violões sobre os instrumentos sólidos. 

 

Bobagem
A Globo parece que parou com a bobagem de exigir dos músicos que tocam eventualmente em seus programas, a retirada ou tapadores para os logos com as marcas dos instrumentos musicais que utilizam. Nem os maiores programas musicais do planeta fazem isso. Menos mal que repensem isso, porque essa chinelagem de republiqueta de bananas beira o ridículo.

 

Representantes
Quem vai representar a música brasileira na próxima edição do Rock In Rio Lisboa? Pelos rumores, a Anitta já está escalada. Será que o Pabllo Vittar também vai?

 

 

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