Nos bastidores com Gustavo Victorino

January 29, 2018

 

Popularidade
A proliferação dos chamados youtubers, ou seja, músicos que vivem dos seus canais virtuais, parece trazer à tona uma discussão interessante sobre os reais números divulgados por esses cybers artistas que buscam popularidade através da rede. São muitos talentos que mostram a riqueza cultural e artística do nosso país, mas daí a acreditar em seus números mirabolantes vai uma longa distância. A real dimensão dessa popularidade só será realmente avaliada em shows ao vivo e isso ainda está longe de acontecer para a maioria esmagadora dos chamados tops da rede. Números que atingem marcas acima de uma dezena de milhões de seguidores ou clicks são verdadeiras fantasias delirantes e tem um cunho muito mais comercial do que real. No entanto, menosprezar a força da rede é algo hoje impossível de ignorar.

 

Realismo
A discussão sobre o gênero musical predominante hoje no Brasil não avança muito quando confrontada com números. Com a morte do axé e as dificuldades do forró e da sofrência para entrar no Sul e Sudeste, o samba e o funk bem que tentaram, mas tirar o domínio absoluto do sertanejo ainda será difícil por muitos anos. O gênero que nasceu da fusão da música caipira do interior paulista e goiano sofreu influências da guarânia paraguaia e mais tarde do country e do folk americano. Essa miscelânea gerou alguns filhotes e vem se reinventando com pitadas de romantismo, feminismo e cultura pop. Seu predomínio no mercado é devastador quando se coteja números de qualquer ordem. E antes que perguntem, o bom e velho rock and roll verde amarelo cada vez mais vive de dinossauros e atitudes, porque novidades com talento andam escassas.

 

Ensino musical
A luta de educadores, instituições privadas e empresas parece não encontrar eco em Brasília. A regulamentação e implantação de um sistema consistente para o desenvolvimento do ensino musical no Brasil parece estar sempre travado na decolagem. O Ministério da Educação parece mais preocupado em conceder cartas patentes de autorização de funcionamento para cursos de enganação que enriquecem empresários inescrupulosos do que levar à formação escolar o mais importante segmento cultural do planeta. E de discursos e promessas, o inferno está cheio.
 
Novos tempos
Uma surpreendente apresentação da banda Schiller, em Teerã, deixou em polvorosa o mundo pop. O grupo alemão de música eletrônica fez a primeira apresentação de música pop ocidental desde a revolução islâmica de 1979. A antiga Pérsia, sob a presidência do reformista Rohani, vem lentamente abrindo a sociedade iraniana para a globalização cultural e social. E o que poucos poderiam imaginar há alguns anos, pode logo virar realidade e o Irã, quem diria, entrar na rota de grandes shows internacionais.

 

Política
Quando a ideologia entra na arte a coisa fica nebulosa e mancha currículos invejáveis. No passado, artistas identificados com o regime militar foram trucidados pela crítica e pela opinião pública, embora esbanjassem talento e popularidade. O caso mais emblemático foi o de Wilson Simonal. Com a polarização política no Brasil, artistas assumidamente de esquerda são taxados de oportunistas e começam a enfrentar problemas com a opinião pública sob o pretexto de que são ativistas e têm o direito de se manifestar. Chico Buarque, Wagner Moura e especialmente Caetano Veloso são exemplos de como irritar a crítica e a classe média. Esse último apoiando invasores e arruaceiros urbanos travestidos do coitadismo populista mostra uma constrangedora cegueira para a indústria da invasão que virou um negócio milionário no Brasil. Ativismo sim, burrice não... 

 

Música on-line
Ainda nesse primeiro semestre o YouTube lança o seu serviço de música por streaming. A ideia é brigar com o Spotify e a Apple, gigantes do segmento que mostram números cada vez melhores e praticamente arrasaram com a venda de CDs e DVDs. O projeto do YouTube também contempla um desejo antigo das maiores gravadoras do mundo que vinham exigindo algum tipo de compensação do site pela exploração de conteúdo musical que disponibiliza. 

 

Perguntinha
Qual é a do Naldo, hein?!? Em mulher não, cara...

 

Vigarice
Sob o disfarce de remixagem, subcortina ou até homenagem, alguns produtores continuam na maior cara de pau utilizando trechos de músicas consagradas para temperar trabalhos invariavelmente medíocres. Se autorizados pelos autores e pagando os direitos, nada contra, afinal apelação nunca foi novidade nesse meio. O problema é que raramente isso acontece e o uso indiscriminado desse artifício está fazendo movimentar advogados ao redor do mundo. Aqui no Brasil pelo menos dois grandes escritórios foram contratados para monitorar essa vigarice.

 

Bola fora
O genial João Bosco perdeu a oportunidade de ficar de boca fechada ao criticar a Polícia Federal por intitular de “Esperança Equilibrista” uma operação que apura o desvio de milhões de reais na Universidade Federal de Minas Gerais. O nome foi dado em homenagem ao artista que, sem conhecer o processo e os seus desdobramentos, divulgou uma nota de repúdio recheada de chavões de esquerda e completamente desfocada da realidade corrupta que atinge as universidades públicas pelo Brasil.

 

O(a) melhor
E o Pablo Vittar, hein?!? Artista do ano... larguei!

 

Patrocinador
Corre a informação nos bastidores de que à medida que avançam as negociações e as delações dos donos da JBS, vai sobrar para alguns artistas que usaram sua popularidade para apoiar candidatos pelo Brasil. A empresa teria patrocinado mais de uma centena de shows nos últimos anos, mas nem todos aconteceram. Nessa esteira, alguns famosos teriam assumido apoios políticos a candidatos simpáticos aos irmãos caipiras que compraram metade do Brasil.

 

Inferno
Os sites Mercado Livre e OLX se transformaram num verdadeiro inferno para lojistas e compradores. Os lojistas não conseguem explicar a diferença dos preços ali praticados com os preços do balcão. Já o consumidor enfrenta o risco real de comprar gato por lebre, ou seja, enfrenta desde falsificações a produtos eivados de problemas técnicos e até de origem legal. Aqui ainda prevalece a máxima de que o barato pode sair mais caro...

 

Audição
O que leva alguém a acreditar e até propagar que as músicas digitais têm sonoridade inferior aos velhos discos de vinil? Respeito os saudosos e os aficionados, mas ouvir isso de um técnico ou profissional de áudio dói o ouvido. Ninguém está proibido de gostar de dirigir um velho Opala, mas compará-lo a um moderno Kia Cerato é quase um crime contra o bom senso. As tecnologias são tão distantes que só é possível aceitar esse conceito como amor pela “falta” de qualidade provocada pela ausência de algumas frequências intermediárias. De resto, o discurso é risível.

 

Obrigado
Um novo ano se inicia e depois de décadas assinando essa coluna, quero aqui renovar meu agradecimento a todos que de uma forma ou outra sempre me prestigiaram com a sua leitura. Que Deus nos abençoe nesse novo ano e que nele tenhamos boas e divertidas notícias para continuar fazendo desse espaço um ponto de encontro de amigos. De coração, obrigado!

 

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