Moving Lights: da Criação à Revolução!

 

Quarenta anos após a criação do primeiro protótipo que viria a se transformar no VL-Zero (o primeiro Vari-Lite), a iluminação cênica e de entretenimento daria um salto em sofisticação, possibilidades e criatividade, sem precedentes. 
 

Ainda culminaria na produção dos espetáculos percebidos na atualidade, caracterizada pela pluralidade de recursos e dinâmicas estéticas e visuais, e que incorporam Moving Lights de maneira muito intensa e dinâmica, em proporções grandiosas, revolucionárias e inovadoras. Nessa conversa, abordarei os aspectos fundamentais da história dessas luminárias até o surgimento do exemplar inicial das luminárias móveis, e que representou um novo capítulo na história da Iluminação Cênica.

 

 

A evolução dos instrumentos de iluminação cênica pode ser analisada por capítulos históricos, pautados pela inovação, criatividade e avanços tecnológicos que, em cada época, propiciou a inclusão de soluções únicas e contextualizadas com as necessidades e condições de cada momento, que representou também o desenvolvimento das manifestações artísticas e culturais.

Desde sempre, houve um significativo interesse na busca de mecanismos e dispositivos de controle que oferecessem recursos autônomos e independentes para funções simples ou complexas, e sabidamente propícias à formulação e aplicação de padrões de alinhamento, posicionamento e precisão, de modo a serem operados com diversas luminárias ao mesmo tempo.


No início do século XX, diversas foram as invenções, que utilizavam motores elétricos e outros aparatos, operados com engrenagens e cordas, que possibilitavam movimentação e manipulação, obtendo aqueles que seriam os primeiros princípios mecânicos e eletromecânicos daquela que seria a iluminação automatizada ou iluminação com ‘luminárias móveis’: movimentação panorâmica, sendo aquela que se desloca em duas direções sobre um mesmo eixo (ou simplesmente ‘Pan’); e movimento de inclinação com ângulos predefinidos (conhecida como ‘Tilt’). 

Stanley McCandless, famoso Lighting Designer americano, uma das mais significativas e lendárias referências na história da Iluminação Cênica, além de artista e projetista, destacava-se pela criação de metodologias e técnicas – também relativas à operação, construção e design de luminárias. Como resultados de suas experimentações, desenvolveu luminárias com refletores nos formatos elipsoidais – precursor dos ERS -, e que permitiam a inclusão de persianas laterais para alterar a abertura e a forma da luz, além de discos com filtros para diversas finalidades (cor e foco).

A partir da segunda metade da década de 1950, experimentos com sistemas de controle remoto para luminárias foram testados em estúdios da Paramount Pictures, em Los Angeles, California (EUA). Na década seguinte, experimentos com espelhos e ‘stencil’ foram realizados para a obtenção de fachos mais intensos e definidos e projeção de imagens, propiciando outros dois recursos que seriam fundamentais para as inovações posteriores: a possibilidade de abertura e aproximação/afastamento para o direcionamento da luz (‘Foco’ e ‘Zoom’) e formas definidas para a luz projetada (‘Gobos’). Diversas foram as contribuições nesse período, com também vários idealizadores. Foi um fértil e próspero período em inovações e novidades para a iluminação cênica. 
Inspirado nas soluções apresentadas pela empresa americana Century Lighting – e que fornecia um sistema intitulado ‘Centrolite System’, que compreendia a instalação de motores e outros dispositivos para controle de dimerização, posição, altura, Pan e Tilt para refletores elipsoidais e luminárias do tipo Fresnel - Jules Fischer, renomado Lighting Designer, idealizou um sistema analógico com dois motores que pudessem remotamente controlar uma luminária PAR 64, com lâmpadas de 12V e 120W, e produzissem fachos estreitos, utilizados pela primeira vez na produção de ‘Peter Pan’ (1965). Essa luminária operava com passos lentos, mas conseguia oferecer Pan de 360º e Tilt com 270º, indisponíveis até então.


Na década de 1970, intensificaram-se as pesquisas, tentativas e protótipos para sistemas e instrumentos de iluminação que combinassem elementos, princípios e recursos diversos, integrados com soluções computacionais mais compactas e acessíveis. Na primeira metade dos anos de 1970, Stefan Graf e Jim Fackert, Lighting Designer e Eletricista de Produção, respectivamente, que trabalhavam para a banda americana Grand Funk Railroad (ou Grand Funk), desenvolveram luminárias intituladas “Cyclops”, instaladas em pedestais e operadas com servomotores (remotamente), criadas para substituírem canhões seguidores, e que tiveram um grande impacto na indústria de entretenimento, influenciando outros projetistas a buscarem resultados no mínimo compatíveis.
Se na segunda metade dessa mesma década, notabilizava-se a multiplicidade de luminárias nos concertos e shows, resultando em imponentes, grandiosos e intensos espetáculos; nos teatros e estúdios de televisão, a especialidade e especificação marcaram soluções mais contundentes e sofisticadas, relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de controle e operação, realizados remotamente. 

Foi então que há exatos quarenta anos, iniciava-se o desenvolvimento daquele que seria o mais versátil e dinâmico instrumento de iluminação cênica utilizado na produção de shows e espetáculos na história. Alguns anos antes, os proprietários da empresa de produção de shows Showco Inc., Jack Calmes, Jack Maxson e Rusty Brutsché, fornecedores de sonorização para um show da banda Grand Funk, em Dallas (Texas, EUA), ficaram impressionados com as dinâmicas e resultados das “Cyclops” (de fato, um diferencial na produção dos shows daquela banda). Idealizaram com isso a possibilidade de inserção no mercado de iluminação, com a criação de um departamento de engenharia responsável pelo desenvolvimento de equipamentos de iluminação, e que ocorreria com sucesso, sendo a Showco Inc. a fornecedora de sonorização e iluminação dos concertos e turnês de diversas bandas, com especial destaque para a banda inglesa Genesis.


Em 1978, depois de algumas tentativas frustradas para a criação de uma luminária que tivesse um sistema de trocas de filtros coloridos (com gel), a equipe de engenheiros da ShowCo mudou o foco na busca de um novo mecanismo, com o uso de filtros de cor dicróicos e lâmpadas de arco de haleto metálico, recém disponibilizadas pela empresa americana General Electric (lâmpadas GE MARC 350). Como resultado, após alguns protótipos e novas tentativas, além das mudanças de cores (com suavidade e transição), essas luminárias foram também desenvolvidas para serem multifuncionais e automatizadas, combinadas com um sistema de controle computadorizado mais abrangente e inédito (que poderia armazenar até dezesseis pistas), e por meio de dados seriais digitais, podiam ainda incorporar os princípios de Pan e Tilt, oferecendo possibilidades sem precedentes para iluminação de entretenimento. Da equipe responsável pelo projeto, os engenheiros Jim Bornhorst e John Covington desenvolveram o design, Brooks Taylor foi responsável pelo software e Tom Walsh concebeu o hardware.

Mas foi somente em dezembro de 1980 que o primeiro protótipo foi demonstrado, para um público bem seleto. A banda inglesa Genesis estava em um estúdio, dedicada às gravações do álbum ‘Abacab’ (que seria lançado no ano seguinte). Tony Smith – manager da banda – sugeriu que a demonstração ocorresse em um celeiro antigo para os músicos da banda. Para surpresa dos músicos, além da mudança de cores, a luminária ainda podia se mover. Fecharam um contrato para a instalação de 55 luminárias móveis na turnê mundial subsequente. Ainda sem um nome, Smith sugeriu o nome “Vari-Lite”. Assim, seria batizada a nova luminária que culminaria na “VL-Zero”, a precursora dos Moving Lights que representaria um novo cenário e iniciaria um novo e totalmente transformador capítulo na História da Iluminação Cênica.

 

 

Com essa nova era de iluminação dinâmica e automatizada, iniciada há quarenta anos, as luminárias diversificaram-se, tornando-se menores, mais qualificadas, mais versáteis e mais acessíveis. Novas tecnologias surgiram e evoluem desde então, nos dispositivos de iluminação; consoles, softwares e protocolos; materiais construtivos; equipamentos e aparelhos destinados à estabilização e fornecimento de energia elétrica, entre outras. A indústria evoluiu, expandiu-se e hoje centenas de fabricantes esmeram-se em oferecer produtos cada vez mais impressionantes e multifuncionais.


Aos precursores, em cada momento histórico, o enaltecimento pelas iniciativas que alcançaram aperfeiçoamentos e inovações, relacionadas aos conceitos, princípios, técnicas e metodologias, e, principalmente, pelas luminárias, que transformaram os espetáculos em interações múltiplas, visualmente fascinantes e propiciadoras de soluções viáveis para ideias específicas ou mais diversificadas, e caminhos ainda a serem criativamente explorados.
Abraços e até a próxima conversa!

 

 


 

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