Solidez e ineditismo no Festival Solid Rock

April 5, 2018

 

 

O ano de 2017 foi marcado por shows históricos e únicos de bandas e artistas que pela primeira e possivelmente última vez presentearam os fãs brasileiros e sul-americanos com apresentações inéditas, realizando sonhos e superando expectativas. Mas ainda haveria algum ineditismo também em relação à iluminação cênica? Nesta conversa, o festival Solid Rock será analisado principalmente pela presença de bandas edificantes e fundamentais na história do rock’n’roll, com repertórios e luzes sólidas, como também circunstancialmente inéditas.

 

Festivais de música são celebrações produzidas para unificar públicos a partir de uma determinada proposta, prezando pela diversificação ou exaltando certo estilo musical. Na maioria das vezes, resultam em oportunidades incomparáveis, pois permitem a presença de bandas estimadas e desejadas pelos fãs, viabilizando a vinda de ícones consagrados, alguns que nunca fizeram turnês isoladas em determinados países/regiões.

Esse caráter de ineditismo esteve presente em três festivais realizados no segundo semestre do ano passado. A banda inglesa The Who, em sua primeira passagem no Brasil, realizou três shows no Brasil (sendo dois em festivais – Rock In Rio e SP Trip, sendo este analisado na edição n.º 276 desta Revista), além das bandas americanas Tesla e Cheap Trick, ambas integrantes do lineup do Solid Rock, festival realizado em três países – Argentina, Chile e Brasil, sendo que neste último, em três capitais: Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Nesta conversa, o evento será analisado a partir das apresentações que ocorreram em Curitiba, na Pedreira Paulo Leminski, no dia 12 de dezembro de 2017.


Inicialmente programado com a participação da banda americana Lynyrd Skynyrd como atração do Solid Rock, problemas pessoais ocasionaram a substituição da banda pela também clássica Cheap Trick, possibilitando ainda mais significativo ineditismo, uma vez que esse quarteto americano (e que será abordado mais à frente) nunca havia se apresentado no Brasil.

Com um formato interessante e extremamente atrativo, o Solid Rock propôs a união de bandas com sonoridades únicas, que fizeram parte de contextos e momentos distintos da história do Rock’n’Roll, para a celebração da música – visualmente valorizada com projetos de iluminação envolventes e consistentes.


Com antecipação de meia em relação ao horário oficialmente divulgado, a banda californiana Tesla fez sua estreia em solo brasileiro com um repertório reduzido, formado por somente sete canções. Formada em 1981, essa banda americana tem em sua atual formação o carismático Jeff Keith nos vocais, Frank Hannon e Dave Rude nas guitarras e backing vocals; Troy Lucketta na bateria; e Brian Wheat, no baixo e backing vocals. A mescla de Hard Rock, com elementos de Folk Rock e Country Rock puderam ser percebidos em canções como Into The Now, Edison’s Medicine (Man Out of Time) e Modern Day Cowboy, essenciais em qualquer apresentação da banda.

Substancialmente impactada pela presença da iluminação natural, a iluminação cênica presente na apresentação da banda Tesla restringiu-se à simplificação e intensificação das contraluzes e dos sidelightings. Desenvolvido pelo Lighting Designer argentino Ignacio “Iggy” Rosenberg, o projeto de iluminação para o show dessa banda valorizava fachos bem definidos, no qual se destacavam as cores primárias, sobrepondo-se à imagem da logomarca da banca projetada na tela de vídeo do palco (em preto e branco). Também, as escolhas de Rosenberg se direcionavam para a suavização das luzes frontais, de maneira a evitar a exaustão visual com a utilização de luzes muito intensas. Em determinados instantes, blinders e estrobos se destacavam de maneira enfática para os momentos mais contundentes das canções. Nas telas laterais, imagens da banda eram projetadas em IMAG (nas três apresentações).


No horário de 19h30min, mais uma estreia em solo brasileiro. Clássica, veterana e conceituada são alguns dos termos utilizados para a identificação dessa banda americana de Hard Rock: Cheap Trick. Com uma trajetória de quarenta e quatro anos de história, mais de 5 mil apresentações no currículo, complementado pelos impressionantes 20 milhões de discos vendidos em todo o mundo, além de induzida ao rock and roll Hall of Fame no ano de 2016, essa banda é frequentemente citada como uma das mais influentes de todos os tempos. Formada em 1974, atualmente é composta por Robin Zander nas guitarras e impressionantes vocais; Rick Nielsen, enérgico nas guitarras e backing vocals; Tom Petersson no baixo (de 12 cordas) e backing vocals; e Daxx Nielsen, na bateria (que substituiu o grande Bun E. Carlos em 2010).

A iluminação cênica – assim como programação, operação e produção de palco – tem a assinatura do Lighting Designer americano Larry Morin, que conduz a iluminação para essa banda desde 2011. Na realização da 2017 South American Tour, a predominância dos elementos da “old school” estiveram presentes e percebidos por alguns dos princípios fundamentais: ritmo, intensidade e saturação das luzes. Com isso, para uma apresentação completa – repertório com vinte canções –, Cheap Trick proporcionou um show memorável, surpreendente e contagiante, com covers clássicas e composições que marcaram o fim da década de 1970 e início da seguinte, tais como Big Eyes, The Flame, I Want You to Want Me, Dream Police e Surrender.

Com a plateia aclamando em plenos pulmões, a banda inglesa Deep Purple foi recebida para o último show da noite, sendo o mais aguardado pela maioria do público que nesse momento ocupava todos os espaços da Pedreira Paulo Leminski, praticamente lotada. Essencial na consolidação do hard rock e do heavy metal, também foi induzida ao rock and roll Hal of Fame no ano de 2016, O Deep Purple realizou com essa a sua décima segunda turnê no Brasil. Com uma sequência inicial de Highway Star e Pictures of Home, ambas do aclamado álbum Machine Head (1972), a banda, atualmente formada por Ian Gillan (vocal e harmônica), Steve Morse (guitarras), Roger Glover (baixo), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria) iniciava aquela que seria a primeira apresentação no Brasil daquela que foi intitulada The Long Goodbye Tour, divulgada como sendo a última turnê na trajetória dessa significativa e seminal banda, com cinquenta anos de carreira.

Atuando com essa banda desde 1984, quando foi responsável pela iluminação cênica da Perfect Strangers Reunion Tour, o Lighting Designer inglês Louis Ball prezava pelas simetrias e composições análogas, a partir das cores violetas para as azuis-esverdeadas ou mesmo das vermelhas para as amarelas. Isso proporcionava equilíbrio e densidade, provocando dinâmicas e estímulos visuais com energia e consistência.

No repertório constituído por doze canções, além de mais duas no bis, o Deep Purple incluiu clássicos integrantes de basicamente três álbuns: In Rock (1971), com Bloodsucker; Machine Head, já citado (além das duas canções mencionadas, Lazy e Smoke On The Water); e Perfect Strangers (1984) (a faixa título e Knocking At Your Back Door).
No fim, outra percepção de ineditismo, que até então estava apenas centrada na participação das bandas, sem precedentes nos palcos brasileiros, ocorreu. Também em relação aos aspectos visuais, fomentados pela iluminação cênica, pois se tornam únicos, quando ocorre a interação entre a sensação presencial do espetáculo, sem referências anteriores, e exposição de linguagens e significados próprios dos artistas, também revelados de maneira heterogênea, mesmo que para um estilo musical único (o rock’n’roll). 

Resultando em um festival coeso e inédito – sendo também ele realizado pela primeira vez -, o Solid Rock conseguiu oferecer entretenimento, qualidade (sonora e visual), e oportunidades únicas, para a contemplação oportuna e única de bandas extraordinárias. 


Abraços e até a próxima conversa!

 

 

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