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COLUNISTAS

A Iluminação Cênica e os mercados (d)e futuros

05/04/2021 - 13:16h
Atualizado em 05/04/2021 - 14:57h

 

No pior momento da pandemia da Covid-19 no território brasileiro, não há alternativas além do isolamento social e vacinação em massa. Para ambas, ainda há o negacionismo e descrença, o que ainda perpetuará mais a impossibilidade de retomada dos shows e espetáculos musicais. Nesta conversa, são apresentados estudos, dados (mesmo que anteriores a esse momento) e observações para uma análise sobre a conjuntura atual e premissas de futuro, para então tentar responder: em qual mercado de iluminação cênica sua empresa ou expertise profissional atuará no pós-pandemia?

 

Nesta mesma coluna, desde abril de 2020, buscam-se respostas e projeções para cenários otimistas associados ao contexto da iluminação cênica com um olhar realista para a conjuntura vigente mas, ao mesmo tempo, com expectativas para o estabelecimento de diretrizes que apontem alguma luz em um espaço cercado de incertezas e dificuldades.

 

Em fevereiro de 2020, a organização Research And Markets – fundada em 2002, com sede em Dublin (Irlanda) - publicou um relatório detalhado sobre o mercado global da iluminação cênica, com projeções para o período de 2019 (naquele momento, já realizado) até 2025 (com estimativas para os anos seguintes), identificando um crescimento mundial de 4% no setor, percentual este atribuído à CAGR, taxa de crescimento anual composta, sendo um importante indicador para a análise de viabilidade para investimentos. No mesmo documento, identifica-se um significativo crescimento na América Latina (região destacada no estudo e que inclui, obviamente, o Brasil).

 

 


Figura 1: Turnê “Worldwired” da banda americana Metallica que passaria em 2020 no Brasil. Fonte: PLSN.

 

 

No momento da pesquisa, realizada por meio de fontes de pesquisa primária – cujos dados foram obtidos nas interações por e-mail com diversos players, incluindo CEOs, gerentes de desenvolvimento de negócios, gerentes de inteligência de mercado e gerentes de vendas nacionais, entre outros profissionais entrevistados - e secundária – com informações obtidas em sites de empresas, relatórios anuais, relatórios financeiros, jornais, artigos de notícias, press releases e conferências do setor, entre outros meios – representava-se um mercado em expansão em termos de versatilidade e abrangência geográfica.

 

Com efeito, vários fatos demonstravam isso, seja pela mais intensa amplificação de eventos em todas as áreas – comercial, corporativa, técnica, social e de entretenimento – como também turnês de vários artistas a nível global, impactando positivamente os setores envolvidos, principalmente do entretenimento ao vivo e turismo. Essa era a expectativa inclusive no Brasil, com vários shows, turnês e festivais internacionais confirmados, comercializados e alguns já com ingressos esgotados.

 

 


Figura 2: Montagem de evento corporativo com iluminação cênica. Fonte: Event Planners Unite.

 

 

No entanto, com a pandemia da Covid-19 a partir de março de 2020, os impactos foram imediatos. De acordo com dados do SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – 98% das empresas do setor de eventos foram afetadas com a suspensão das atividades presenciais, com redução de 76% a 100% do faturamento no mês de abril do ano passado. No mesmo estudo, indicava-se que sem previsão de término da “quarentena”, a suspensão de contratos, qualificação de profissionais e adoção de tecnologias poderia suprir as carências daquele momento. No entanto, a pandemia ainda é uma realidade ainda mais cruel.

 

Desde então, não houve algum avanço significativo e nem planejamento pelo executivo nacional com medidas sólidas para o apoio efetivo aos setores econômicos mais atingidos (quiçá na área da saúde), restringindo-se a decisões locais, contudo, paliativas (OBS.: no momento da elaboração deste texto, o texto da PERSE havia sido aprovado no Senado Federal e será encaminhado para a Câmara dos Deputados). Assim, surge uma questão importante: como estabelecer mudanças em um cenário outrora promissor, cujos drivers e motores de crescimento nesse mercado apontavam avanços favoráveis, se as medidas efetivas e necessárias não têm sido adotadas com eficácia?

 

A essa assertiva, entenda-se isolamento social – o que justamente impacta no setor da iluminação cênica de shows – e vacinação em massa. Não há outra medida - sequer algum tratamento preventivo - senão, essas duas ações para o combate à doença. Enquanto essas duas estratégias não forem adotadas com celeridade, mais extensa será a pandemia e mais brutais serão os impactos em todos os setores.

 

 


Figura 3: Desmontagem de show – cancelamento em função da pandemia da Covid-19. Fonte: Billboard.

 

 

Os espetáculos musicais pressupõem demandas por entretenimento ao vivo, independentemente do local ou região do globo. Nesses eventos, também há demandas por luminárias, equipamentos, operação, bem como serviços diversos que influenciam o ‘sentimento de consumo’ dos usuários finais nos shows e festivais musicais. Esse consumo fomenta uma cadeia que chega a atingir aproximadamente setenta setores da economia ou, mais especificamente, 52 ramos de negócios que englobam em torno de 640 mil empresas e 2,2 milhões de MEIs e que, em função de uma necessidade de diversão e entretenimento, estimulam o crescimento desse mercado. Isso sem considerar a participação dos patrocínios corporativos para turnês musicais e branding de marcas em casas de espetáculos que contribuem também para a sustentabilidade e ampliação desse mercado. Assim, como não perceber sua importância?

 

Nas conversas anteriores, foram também destacadas alternativas testadas e realizadas para a busca de soluções em face a um setor que urge por uma retomada, mesmo que com interações contemplativas e remotamente realizadas, redução da capacidade com distanciamento social (e uso de EPIs), modelos “híbridos” de eventos com parte do público presente – nas condições anteriores – e parte virtualmente participando dos espetáculos. Ao mesmo tempo, surgem pesquisas e estudos que avaliam o grau de necessidade e ansiedade desses públicos perante essas possibilidades, inclusive de retorno. Pesquisas informais já mostram que muitas pessoas evitarão viagens para shows, empresas continuarão com reuniões virtuais, artistas já manifestaram que não mais farão excursões.

 


Figura 4: Show com transmissão pela Internet. Fonte: Marshmello Tickets.

 

 

Por outro lado, nunca se evidenciou antes o termo “economia da experiência”, cunhado em 1998 pelos analistas e professores norte-americanos Joseph Pine e James Gilmore da Universidade de Harvard. Para eles, existe um catalisador de ansiedade pelo medo da perda da experiência, com a sigla FOMO (Fear Of Missing Out), que identifica as demandas que almejam a retomada de uma normalidade passível de diferentes realizações, como viagens, shows e outros desejos represados pela pandemia da Covid-19 e que suscitarão a busca desses eventos e atividades, como metas ou objetivos a serem conquistados em um contexto pós-pandêmico.

 

O FOMO despertará ainda mais a necessidade e as demandas dos eventos presenciais, no entanto, possivelmente, para públicos mais exclusivos. Isso possibilitará (no campo das possibilidades) especializações para as empresas e novas habilidades e competências para os profissionais do setor. Mesmo com a continuidade dos eventos virtuais – o que já se consolida como uma realidade – as experiências presenciais e virtuais conviverão em condições distintas, por serem muito diferentes. A comercialização desses eventos também não terá precedentes, por circunstâncias diversas.

 


Figura 5: Shows: espetáculos e oportunidades imperdíveis (FOMO). Fonte: AZ Foothills.

 

 

Finalmente, surgem e surgirão modelos de negócios diferentes para a iluminação cênica, para eventos presenciais e virtuais. Como interações desiguais, muitas vezes para a mesma atração, a produção de um espetáculo deverá ser concebida com as duas demandas em mente, pois o virtual não será somente transmissão, o real não será somente experiência.

 

Então fica a pergunta inicial: em qual mercado de iluminação cênica sua empresa ou expertise profissional atuará? Que as respostas seja as melhores, em muito breve.

 

Abraços e até a próxima conversa!!!

 

 

A Iluminação Cênica e os mercados (d)e futuros
Cezar Galhart

COMENTÁRIOS

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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