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COLUNISTAS

Cenários e Iluminação Natalinos

08/12/2020 - 11:30h
Atualizado em 09/12/2020 - 12:56h


Figura 1: Dois milhões de lâmpadas iluminam o acesso à Rhema Bible School (Oklahoma, EUA).
Fonte: Jeremy Charles/Travel Land Leisure

 

 

Mesmo em um momento histórico marcado pela ausência de sentido para celebrações (em decorrência da tragédia proporcionada pela pandemia do Covid-19), a proximidade do fim de cada ano cria expectativas para dois grandes eventos que possuem significados religiosos, culturais, econômicos e sociais: Natal e Ano Novo. Nesta conversa, algumas observações sobre esses acontecimentos serão realizadas a partir dos elementos centrais da iluminação cênica: luzes e espaço cênico. Não poderiam essas ocasiões possibilitar propostas cênicas e luminosas em tempos de pandemia?

 

Neste fim de 2020, enquanto todas as expectativas estão voltadas à aprovação, produção, distribuição e aplicação de vacinas contra o novo coronavírus, identifica-se um novo cenário para esse período, historicamente e culturalmente festivo, repleto de celebrações (festas de fim de ano das empresas, encontros para trocas de presentes, Natal, Révéillon, férias). No entanto, isso não ocorrerá neste ano, nos moldes e condições tradicionais de realização e na mesma intensidade.

 

A realização desses eventos pressupõe encontros sociais, com natural aglomeração, ou aproximação entre pessoas, colegas, amigos e parentes, o que afasta a hipótese destas celebrações a partir dos acontecimentos das últimas semanas de novembro (aumento dos casos de contaminação) com a necessidade de distanciamento social. Os eventos não acontecerão com essa configuração, seja pela participação das pessoas, seja pela produção dos ambientes para essas reuniões festivas, mas já se identificam ações de manutenção de alguns elementos que caracterizam essas celebrações.

 

Um dos elementos mais destacados e importantes está relacionado justamente às luzes. A luz traduz um elemento simbólico que pode ter diversas associações e significados, relacionados à Estrela-Guia (ou Estrela de Belém) que conduziu os Reis Magos à manjedoura e revelou o nascimento do menino Jesus, sendo também associada como elemento de União, pois reúne as pessoas em torno de algo iluminado, valorizado e enaltecido (como uma mesa com alimentos). A iluminação também oferece a capacidade de decorar algo, como um pinheiro natalino (outro símbolo do Natal) e mesmo produzir formas com lâmpadas próprias para esta finalidade (cordões, cortinas, cascatas e mangueiras de luzes).

 

Então, a luz (aqui compreendida como diversos artefatos, instrumentos ou dispositivos que têm a capacidade de produzir luz, seja por chamas, filamentos ou placas com dispositivos, das velas às luminárias com LEDs) se torna um elemento central para esse período festivo. Se associado aos efeitos e pirotecnias, ainda se amplificam mais ainda as referências para a luz (rojões, fogueiras, lampiões, entre outros).

 

 

Figura 2: Fachada do Palácio Avenida (Curitiba) com a iluminação de Natal (2017). Fonte: Maior Viagem

 

 

Se a luz é um dos elementos centrais, necessita ela de uma ambientação, uma área a ser iluminada ou objeto a ser destacado, um espaço para iluminar. Este, já se configura também em uma referência para os registros desses acontecimentos, podendo se associar às cenas que serão gravadas e eternizadas por meio de imagens. A partir disso, pode-se concluir que há sim uma produção de um espaço cênico.

 

Naturalmente, nem toda luz ou iluminação tem uma função cênica, destacada, reveladora, capaz de emoldurar ou valorizar algum elemento. Mas esse caráter cênico pelo qual se instala a luz produz efeitos marcantes, significativos e com sentidos distintos. Mais que uma interpretação, pode-se vincular essa luz aos sentidos mais expressivos da linguagem visual, mesmo que de maneira estática.

 

Figura 3: Natal Luz de Gramado (RS) (2018). Fonte: Big1News

 

Nesse âmbito, também, a iluminação cênica pressupõe dinâmica e movimento. Pode-se então atribuir à iluminação desses eventos um outro caráter, mais decorativo e arquitetural, mas não minimiza a essência que a luz proporciona. Se houve uma evolução tecnológica da iluminação dos palcos e locais de representação e espetáculos, houve também uma mudança no sentido desses eventos no decorrer da História, com influências culturais, sociais e econômicas. A iluminação assim pode estar também associada a outros significantes, a outros princípios, dentre os quais, as representações cênicas. Presépios, fachadas iluminadas e ambientes caracterizados com elementos do Natal se transformam em cenários de representação, simulação e encantamento.

 

A iluminação de Natal já possui sofisticações não tão recentes, mas com componentes cada vez mais atuais. Lâmpadas incandescentes ainda fazem parte de muitos lares, mas que atualmente convivem com lâmpadas e painéis de LEDs. E nisso, os “piscas-piscas” já possuem sistemas ou programações prévias para a dinamização das luzes, mesmo que repetitivamente. Até concursos ou ações natalinas estimulam a instalação de soluções cada vez mais atualizadas e atrativas.

 

Figura 4: Iluminação de Natal na cidade de Braga (2020). Fonte: Semanário V

 

Estes cenários podem trazer um alento, o que também é muito necessário para a atualidade. Talvez a iluminação possibilite aos lares uma forma de conexão coletiva pela própria capacidade da luz de trazer unidade às residências e aos espaços comerciais. A luz pode mostrar que a magia do Natal ainda resiste mesmo às necessárias imposições que o distanciamento social proporciona.

 

Mesmo com cenários virtuais vislumbrados pelas redes sociais, websites ou apreciados por vídeos compartilhados de muitas maneiras, ainda reside nessas representações a significação do momento. As luzes refletirão as reflexões para todos os fatos passados no ano corrente, seja por tragédias pessoais, seja pela ressignificação das relações sociais, abaladas pela pandemia. No entanto, as mesmas luzes devem apontar para um amanhã, pela superação desses momentos (com o tempo que for necessário) ou pela crença que há uma acolhida contemplada pela luz, que revela e apresenta a esperança de um futuro melhor.

 

 

Figura 5: Iluminação de Natal na Igreja Faith Lutheran Church em Troy (Michigan, EUA) (2014).
Fonte: Church Stage Design Ideas

 

 

Assim, em um momento tão diferenciado, renovam-se as reuniões do Natal e Ano Novo pelas plataformas digitais. Lares, altares, fachadas, jardins, lojas, restaurantes, enfim, locais diversos e espaços cênicos poderão ainda trazer à luz dos acontecimentos a sensação e manifestação dos melhores sentidos e sentimentos.

 

Em um contexto mais amplo, essas celebrações exigem que esse momento seja mais contemplativo do que interativo. Que seja pelo olhar por uma janela (de casa ou de um veículo) ou pelas fotografias compartilhadas em redes sociais.

 

Desejo a todos os colaboradores, colunistas, parceiros e leitores da Backstage um Natal repleto de muita Luz e muitos cuidados; que 2021 seja com muita saúde e próspero em ótimas novidades e iluminadas oportunidades para todos!!!

 

Um grande abraço e até a próxima conversa!!!

 

 

Cenários e Iluminação Natalinos
Cezar Galhart

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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