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COLUNISTAS

História dos festivais: SWU Music & Arts Festival

10/11/2021 - 16:38h
Atualizado em 10/11/2021 - 17:42h

 

Determinados festivais e shows se destacam na história por diversos motivos, relacionados a um contexto histórico, social, cultural, econômico, ou outro, possivelmente afetivo e emocional. No entanto, alguns conseguem, além desses prismas, estabelecer mensagens e conceitos que ultrapassam o enfoque de entretenimento, tal como o Woodstock (1969), Rock In Rio (1985), Live Aid (1985), Live 8 (2005), entre outros. Nesta conversa, o SWU Music & Arts Festival, e especificamente a edição de 2011, será abordado como referência nesse seleto grupo de eventos marcantes e que, após uma década de sua realização, ainda ecoa por meio de diversos sinais, sonoros e visuais, que o destacam na história dos festivais, em nível nacional como também internacional, no combate à degradação e impactos ambientais.

 

 

No momento em que os espetáculos começam a retornar aos palcos, a partir de flexibilizações nos protocolos municipais decorrentes de uma significativa redução nos casos de transmissões do Sars-COV-2 e óbitos relacionados à COVID-19, governantes, lideranças e executivos de diversas nações, organizações e grupos sociais se reúnem em Glasgow, na Escócia, na realização da COP 26 - Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – encontro este organizado para discutir os problemas ambientais e buscar soluções por meio de compromissos e acordos tendo em vista a degradação ambiental e os impactos da emissão de poluentes nos desastres naturais ocorridos com mais intensidade nos últimos anos.

 

 

Ao contrário do que acontece na atualidade, o Brasil já foi referência nesse setor pela realização do primeiro evento em nível mundial sobre essa área, a ECO-92 - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – realizada em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, e diversas outras ações, ocorridas nos âmbitos políticos, sociais e culturais, com significativos e positivos impactos conceituais e comportamentais refletidos na sociedade.

 

 

Figura 1: Logomarca e arte para a divulgação do SWU 2011. Fonte: Reduto do Rock.

 

Como destaque nesta conversa, a realização do SWU (acrônimo para “Starts With You”) – um evento realizado nos anos de 2010 e 2011 nas cidades de Itu e Paulínea, respectivamente, e que se tornaram referências até a atualidade, seja pelo fórum de discussões e contribuições de pesquisadores, artistas, celebridades e ativistas que participaram de atividades em um âmbito de discussões e reflexões sobre as possíveis ações a serem adotadas para a redução dos impactos ambientais; seja pelos shows de um festival musical realizado em duas edições e que deixam um legado simbólico, nostálgico e antológico.

 

Intitulado “SWU Music & Arts Festival”, tratou-se de um evento complexo centrado em um movimento de conscientização em prol da sustentabilidade, com o objetivo de mobilizar e engajar a sociedade em torno da causa, cujos princípios defendidos pelo SWU estão alinhados a uma consciência de que pequenas atitudes podem gerar grandes mudanças. Este projeto foi idealizado pelo premiado publicitário brasileiro Eduardo Fischer, então presidente do Grupo Totalcom, e conduzido por uma equipe altamente qualificada, conduzida por Helder Castro, diretor geral do festival.

 

 

Figura 2: Peter Gabriel & The New Blood Orchestra no Palco Consciência – 13/11/2011 –
direção e Lighting Design de Rob Sinclair. Fonte: Flora Pimentel/SWU Brasil.

 

 

Após uma década, a segunda edição do festival deixou referências (e números) impressionantes. Para as aproximadamente cinquenta horas de shows, foram utilizados 24 geradores de energia (todos movidos a biodiesel) que combinados geravam uma potência de 9200kVA de energia. Ou seja: forneceram 260.200kW/h, energia elétrica que poderia abastecer aproximadamente 1650 residência, em média, por um mês. As conexões totalizaram 850 metros de cabos, consideradas todas as instalações, inclusive de iluminação cênica.

 

A estrutura de iluminação cênica, por sinal, assim como na edição anterior (2010), foi fornecida pela empresa brasileira LPL - Lighting Productions Ltda., dirigida pelo fundador e proprietário, além de diretor de fotografia e Lighting Designer, Césio Lima. Césio, com admirável e reconhecida experiência na iluminação cênica de shows e espetáculos desde a década de 1970, ficou também responsável pela fotografia do SWU 2011.

 

 

Figura 3: Lynyrd Skynyrd no Palco Energia – – 13/11/2011
Lighting Design e programação de Steve Owens. Fonte: Marcos Hermes/SWU Brasil.

 

 

Ainda em relação à iluminação cênica, esse importante festival também recebeu uma assessoria diferenciada com um projeto (Rider) personalizado pelas contribuições de uma equipe especializada (todos da LPL) composta pelos Lighting Designers e irmãos Caio Bertti (que trabalhou com Sepultura, Motörhead, entre outros artistas e projetos) e Erich Bertti (Motörhead, Paul McCartney, Artic Monkeys, entre outros). Eles assinaram a criação do Light Plot do evento, além do Lighting Designer Sergio Antonio (Natiruts, Charlie Brown Jr, entre outros eventos e produções), responsável pela operação da iluminação de plateia. Complementando a equipe, Paulo Lebrão, ficou responsável pela programação 3D. Deve-se destacar ainda a cenografia, em sintonia fina com a iluminação cênica, cujo trabalho ficou a cargo do diretor de arte e cenógrafo Zé Carratu.

 

 

Essa segunda edição do festival, realizado dos dias 12 a 14 de novembro de 2011, foi realizada no Parque Brasil 500, situado no município de Paulínia, no interior de São Paulo, distante 120 km da capital paulista. A área total, compreendendo 1.700.000 m² (sendo 445.000 m² de arena), comportou, além de serviços de alimentação, banheiros, lojas, estacionamento e, inclusive, camping, a montagem de três palcos (intitulados Energia, Consciência, os principais, e “New Stage”, secundário), como também outros espaços de música eletrônica e convívio, além das palestras e mesas redondas, integrantes do “Fórum Global de Sustentabilidade” realizadas no Teatro Municipal de Paulínia, no mesmo complexo.

 

 

Figura 4: Primus no Palco Energia – – 14/11/2011
Iluminação operada por Sergio Antonio (LPL). Fonte: Flávio Moraes/G1.

 

 

Para as setenta e três atrações musicais do evento, que formaram um line-up bem diversificado, havia nomes para os mais diversos gostos musicais. Desde artistas e bandas nacionais como Emicida, Zé Ramalho e Raimundos, aos internacionais, como The Black Eyed Peas, Peter Gabriel & The New Blood Orchestra, Megadeth e Faith No More.

 

Não se pode omitir alguns destaques diferenciados, tais como o show solo e acústico do saudoso e espetacular cantor e compositor americano Chris Cornell; a excelente apresentação da banda americana Stone Temple Pilots (com o vocalista Scott Weiland, também falecido); as primeiras apresentações das bandas americanas Lynyrd Skyyrd (que se apresentaria em 2017 novamente, no festival Solid Rock, mas cancelou por motivos familiares) e Primus (que nunca mais voltou ao Brasil).

 

 

Figura 5: Faith No More no Palco Energia – 14/11/2011
Lighting Design de Chaz Martin. Fonte: Michel Filho/Agência O Globo.

 

 

Além do ineditismo de algumas atrações, como essas últimas, o SWU foi o primeiro evento em solo brasileiro que conciliou arte, música e sustentabilidade, muito além do seu tempo, e à luz das práticas ambientais. Serviu como referência seja para alertar a sociedade por meio de um festival diverso e com elevado engajamento, dos palestrantes, artistas e parte do público envolvido, seja como referência histórica, uma vez que não houve algo similar desde então.

 

Se a conscientização e sensibilização da sociedade foram os principais motes do evento, que deixou um legado conceitual e com possíveis desdobramentos, impossíveis de serem avaliados pela insuficiência de dados e pesquisas sobre esse festival, deve-se destacar, além das ações realizadas pela organização do evento para a redução dos impactos ambientais, ações sociais com comunidades vulneráveis, além do deslocamento do eixo das capitais para o interior na realização de grandes festivais de Rock’n’Roll e música Pop (o mesmo já havia acontecido com festivais de música eletrônica; especificamente na Fazenda ou Arena Maeda, em Itu, com o XXXperience, em 2004, mesmo local do SWU em 2010. Este mesmo local viria a receber o festival Tomorrowland, que lá ocorreu em 2015 e 2016).

 

Em uma pesquisa realizada no website do festival, das 64.719 respostas, 40.661 participantes, ou seja, 60% responderam que, se pudessem voltar no tempo, participariam novamente ou ou pela primeira vez da edição de 2011, por diversos motivos (não identificados nesse levantamento). Passados dez anos da última edição, o SWU continua a ser uma referência em diversos aspectos, e um marco na realização de festivais no Brasil, cujas ideias e mensagens ainda provocam reflexões e nostalgia, pelos ideais de sustentabilidade e de engajamento por uma causa cada vez mais justa e necessária.

 

 

Abraços e até a próxima conversa!!!

História dos festivais: SWU Music & Arts Festival
Cezar Galhart

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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