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COLUNISTAS

Luz e Mostra: Iluminação Cênica dos Palcos para os Museus

14/05/2021 - 14:22h
Atualizado em 14/05/2021 - 16:33h

Na figura (1) acima: Atividades remotas de aprendizado e contemplação no Field Museum (Chicago, Illinois, EUA). Fonte: NBC Chicago.

 

Nem sempre a iluminação cênica esteve presente somente nos palcos, mas em outras espaços de performance e representação. Na atualidade, ela se reveste de diversificação e versatilidade tanto para eventos com diversos enfoques como também para ambientes como museus e galerias. Nesta conversa, a iluminação - e mais especificamente a iluminação cênica - será abordada com estratégia e referência para outros protagonistas e pontos focais em espaços de exposição e mostras artísticas e culturais.

 

 

Mesmo muito antes da pandemia da Covid-19, diversas foram as estratégias promocionais que incorporaram o virtual como mais um recurso de interação, imersão e perceptibilidade. Isso foi também aplicável a apresentações artísticas, festivais e shows musicais, além de eventos corporativos, de capacitação (entre outras finalidades) e, mais especificamente, para museus e galerias de arte. Diversos são os exemplos desses últimos que são locais diferenciados para a conservação e preservação de obras de arte, na mesma medida em que se constituem também em espaços promocionais e de difusão cultural e educacional.

 

 

E muitos museus migraram também para o virtual, igualmente em decorrência da pandemia, que acelerou diversos processos. Processos estes nos quais as tecnologias foram determinantes para a adoção de medidas de manutenção dessas instituições como sítios de visitação remota e para a atenuação da ansiedade, da mesma maneira que atuam como recurso de entretenimento.

 

 

Mas se esses espaços criaram condições de visitação virtual a partir de uma edificação existente – muitas, icônicas e representativas de uma identidade histórica e cultural – além do acervo concreto e real, pressupõe-se a estrutura e infraestrutura preexistentes. Possivelmente, para alguns deles, adaptações foram realizadas para uma nova realidade – a transposição do físico para o “on-line”, o que requer outra estrutura para a captação de imagens, e com isso, naturalmente se insere a iluminação como um dos mais importantes elementos de valorização, destaque e visualidade das obras disponíveis nos websites de museus e galerias.

 

 

Em condições de visitação presencial, nesses ou em outros espaços de exposições (permanentes ou temporárias), mostras e outros eventos demonstrativos, além de soluções arquitetônicas adequadas e próprias para o zelo dos itens apresentados (tais como sistemas de climatização e/ou ventilação, exaustão de calor, tratamento térmico e acústico dessas edificações, sistemas de segurança, entre outros) torna-se necessário um projeto luminotécnico personalizado para o atendimento das áreas funcionais, de circulação e principalmente para os displays, vitrines ou espaços específicos para a fixação das obras expostas e para a melhoria da experiência estética dos visitantes.

 

 

Este tipo de iluminação específica, que enaltece a contemplação estética, destaca as informações sobre o acervo e propicia atratividade, deve oferecer uma qualidade luminosa interna aos setores e seções organizados e produzidos, com enfoque na redução do ofuscamento pela minimização dos reflexos e brilho associados aos materiais utilizados para a proteção dos objetos, principalmente o vidro ou vitrines que também podem ser confeccionadas em acrílico.

 

 


Figura 2: Exposição “Lightopia” (2013) no Vitra Design Museum (Weil am Rhein, Alemanha).
Fonte: Ursula Sprecher/Vitra Design Museum

 

 

Assim como a iluminação cênica dos palcos, as fontes de luz tradicionais para iluminação desses locais têm sido substituídas, gradativamente, das lâmpadas fluorescentes ou halógenas para LEDs por processos de redesign ou retrofit. Essas fontes de luz geralmente estão localizadas acima dos objetos em exibição (downlighting), de acordo com as características construtivas do espaço que nessas condições podem receber algum compartimento de instalação no forro ou em área própria, e de maneira mais atual, por meio de trilhos ou treliças dispostas para a fixação das luminárias. Em sistemas de uplighting, as luminárias podem ser instaladas em praticáveis, tablados ou mesmo no piso (elevado, em alguns casos) com instalações próprias para essas estruturas. Com múltiplas diferenças – pelas dinâmicas de movimento e interação efêmera – a iluminação cênica se aproxima das estratégias de espaços de exposição na concepção de cenas, mesmo que na maioria essa produção seja resultante de uma contemplação estática e duradoura.

 

 

Para projetos mais contemporâneos, sistemas de iluminação com fibra óptica também são usados na iluminação dos nichos ou ‘gabinetes’ (espaços de condicionamento das obras de arte). Como vantagem destacada nesse contexto, a instalação da fonte de luz pode ser localizada remotamente (no sentido de instalação física e posicional), permitindo mais liberdade no design desses expositores. Além dessa vantagem, outra que se destaca está relacionada ao painel de acesso para a manutenção e troca de lâmpadas e acessórios, que pode ser localizado em um local menos visível aos olhos dos visitantes.

 

 


Figura 3: Fibras óticas como recursos para a iluminação do “The Ulster Folk and Transport Museum” (Belfast, Irlanda). Fonte: UFO - Fibre Optic Lighting

 

 

Outra vantagem também relevante dos sistemas de fibra óptica é o potencial do projeto para uma iluminação cênica miniaturizada, fazendo com que esses nichos sejam “palcos” reduzidos com estruturas mais flexíveis e potencialidades mais versáteis. Além de soluções estéticas diferenciadas, podem ser aplicados a materiais sensíveis à luz, sem a presença da luz ultravioleta e o calor produzido pela luz infravermelha normalmente produzidos por lâmpadas halógenas ou multivapores metálicos.

 

 

De acordo com um relatório produzido em 2015 pela indústria Feilo Sylvania Company, o maior desafio para museus e galerias no que se refere à iluminação na atualidade é o equilíbrio entre a qualidade do ambiente iluminado – independente do tipo de obra exposta – e a quantidade de energia consumida durante a exposição. Na busca da harmonia entre esses aspectos, deve-se equacionar visibilidade, interesse, preservação e ambientação.

 

 

A visibilidade nesse contexto tem duplo sentido, seja para propiciar a capacidade de percepção visual e reconhecimento das obras (possibilitada pela luz), como também para proporcionar evidência para os elementos iluminados. Em ambos os casos, a iluminação cênica pode ter destacado ‘know-how’ na potencialidade de realçar e enfatizar determinados aspectos, principalmente para esculturas, pela tridimensionalidade e formas.

 

 

 


Figura 4: Escultura de um guardião chinês (terracota policromada) da Dinastia Han, no MASP (São Paulo).
Fonte: Monique Renne/Museu de Arte de São Paulo (MASP)

 

 

Para o interesse, mesmo nos museus virtuais, a versatilidade proporcionada pela iluminação cênica (ou pelas fibras óticas) conduz às exposições um mais intenso grau de atratividade e importância, propiciando experiências estéticas diferenciadas, mesmo remotamente, pela valorização dos detalhes, das peculiaridades, pelas sutilezas que enfatizam sensações e percepções visuais diferenciadas.

 

 

À preservação, no que se refere à iluminação, somam-se os aspectos técnicos já anteriormente citados, de redução dos impactos das emissões de infravermelho e ultravioleta especialmente para determinadas itens e obras (telas, documentos, vestuário, mobiliário), além dos danos fotoquímicos (desbotamento) e fotomecânicos (estruturais) proporcionados pela iluminação artificial, na mesma intensidade em que a preservação da memória e dos valores atribuídos ao acervo que, com a iluminação, pode ser visto e contemplado, pois, parafraseando uma máxima, “o que não é visto, não é lembrado”.

 

 


Figura 5: Zelo e cuidado com a preservação do acervo. Fonte: YujiLEDs.

 

 

 

Finalmente, a ambientação, na qual toda uma seção de um espaço de exposições pode ser tratada como um palco, onde cada item se comporta como um protagonista, que merece uma iluminação de destaque, atendimento aos princípios fundamentais (contrastes, simetria/assimetria, posicionamento, entre outros) e funções da luz (revelar, selecionar, esculpir, instalar uma atmosfera), essenciais para a configuração de um espaço singular, com formas de expressão estética compatíveis com os elementos expostos, com personalização e coerência. Isso, sem considerar a Light Art, que pode ser a tônica de uma exposição, e que merece uma abordagem especial em outro momento!

 

 

Abraços e até a próxima conversa!!!

 

 

Luz e Mostra: Iluminação Cênica dos Palcos para os Museus
Cezar Galhart

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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