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COLUNISTAS

Ninguém Nota o que Funciona

04/10/2021 - 10:47h
Atualizado em 05/10/2021 - 11:40h


 

Uma rotina de produção técnica que funcione com qualidade envolve aspectos como esforço, planejamento, comunicação, agendamento de tempo, acompanhamento, medição e manutenção. Na ausência disto, um processo semelhante ao da entropia, na física, faz com que um bom nível de qualidade vá se degradando para a mediocridade, ou pior. Por isto, cuidar dos detalhes que deslocam do medíocre para a excelência requer intencionalidade, e investimento de recursos, tempo e trabalho.

 

 

Os automóveis servem de exemplo. Dependemos deles para nos deslocar em nossa rotina diária. Não é comum ficar pensando: Será que vai dar partida? Será que os freios funcionarão, que a bomba do combustível enviará o combustível e os cabos e velas cumprirão a sua função? Mas se a sua manutenção preventiva for ignorada, estas coisas podem falhar. O mais comum é garantir que não falte combustível e ficar atento ao nível de óleo e estado dos pneus. É apenas quando algo falha que nossa atenção é atraída.

 

 

É quando algo falha que nossa atenção é atraída.
 

Os sistemas que potencializam a comunicação da igreja no contexto presencial e pela internet se assemelham aos do carro. Assim como o funcionamento de um carro requer que múltiplos sistemas coexistam e se integrem, os sistemas que nos permitem realizar a produção de áudio, vídeo, iluminação e streaming de um culto ou evento também requerem atenção, integração e sincronia para que os nossos esforços resultem na difusão e não na distração da Mensagem.

 

A produção técnica, porém, tem uma importante diferença do automóvel, celulares e, inclusive, este computador em que estou digitando, que têm seus sistemas desenhados para prover o máximo de desempenho a partir de mínimas intervenções humanas. Nem fazemos ideia dos processos que ocorrem para que nos beneficiemos da sua funcionalidade. E, novamente, é comum apenas tomarmos conhecimento de alguns deles quando falham.

 

Embora esta realidade pode se estender aos múltiplos equipamentos usados na produção dos cultos, a qualidade final dependerá de um importante diferencial: o elemento humano. Além da importante integração técnica dos sistemas, a qualidade que define o sucesso no contexto da produção técnica de um culto depende da essencial integração dos membros da equipe!

 

O sucesso na produção técnica do culto
depende da integração
 dos membros da equipe.

 

E, se o sucesso é descrito pela ausência de falhas que causam distrações:

 

Eliminar as distrações no culto
depende da integração da equipe.

 

O alvo de quem serve na técnica deve ser prover

 

Excelência com Transparência.

 

Enquanto isto se aplica em outras áreas, assume importância ainda maior no serviço técnico na igreja e, especificamente, na produção do culto. Aqui, a falta de transparência é definida por falhas que interrompem o fluir de um culto, na forma de distrações que atraem a atenção dos que separaram este tempo para focar na adoração a Deus. - Algo que, na correria que caracteriza nossos tempos, deve ser preservado a todo custo. A palavra “santo” se define por: ser ou estar dedicado ou consagrado a Deus. Daí podemos afirmar que estes momentos de culto constituem um tempo santo.

 

Quanto mais atentos estivermos ao servir, não apenas na nossa função, mas às necessidades dos outros membros da equipe, maior será a qualidade produzida pela equipe e menores as interrupções nesse período santo.

 

Há 40 anos, era comum uma igreja ter somente um microfone para voz e um retroprojetor para ampliar imagens e letras em transparências. A captação e amplificação de instrumentos ainda era precária e até considerada desnecessária por muitos. Bastava um operador de som e alguém no retroprojetor, e era comum uma única pessoa atender às duas funções.

 

Os avanços da tecnologia proporcionaram as mesas de som, a amplificação e a tecnologia das caixas evoluíram, e continuam apresentando avanços significativos. A gravação do áudio foi substituída pela captação e gravação em vídeo. Surgiram os projetores. Entendeu-se que além de necessária para o vídeo, a iluminação agregava valor à comunicação. Surgiu a internet viabilizando a transmissão para audiências remotas por uma fração mínima dos valores de rádio e TV. E a definição de som e imagem oferecida por equipamentos de custo cada vez menor nos oferece uma relação custo-benefício antes inimaginável.

 

Ao longo desses anos, uma das grandes promessas da tecnologia foi que os dispositivos que facilitassem a comunicação promoveriam maior compreensão entre as pessoas. Os recursos técnicos nunca estiveram tão accessíveis e avançados. Hoje assistimos, na palma da mão, um vídeo produzido ao vivo por alguém que passeia pela rua em outro país. Porém, apesar de tantos avanços, a comunicação e compreensão parecem continuar no mesmo patamar ou terem até regredido. Parece que vivemos numa sobrecarga de informação caracterizada pela falta de comunicação.

 

Dois princípios envolvidos nesta equação são a falta de tempo (ou priorização) e o fato de que a comunicação não ocorre apenas por emitirmos palavras. Ela só ocorre quando estas palavras são compreendidas pelas pessoas a quem as dirigimos. Ou seja,

 

Comunicar-se tem menos a ver
com o que eu falo
e mais com o que
o meu próximo entende.

 

Na correria do dia a dia e ainda mais em nosso contexto da pressão natural do ambiente de produção técnica de um culto, é preciso a intencionalidade de escolher bem as palavras e confirmar se foram bem entendidas.

 

Isto traz à mente as palavras do apóstolo Paulo, “Porém nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para assim ensinar os outros, do que dizer milhares de palavras em línguas estranhas.” (1Co 14.19 NTLH).

 

As múltiplas áreas de conhecimento técnico empregadas na produção de um culto reúnem personalidades desde as mais técnicas e introvertidas, até as mais criativas e expressivas. É essencial que cada membro da equipe receba informações compreensíveis – e em tempo hábil – para realizar sua função com a melhor qualidade ao seu alcance. Quanto melhor for a qualidade de comunicação entre as áreas, maior a probabilidade de haver um culto sem intercorrências técnicas.

 

Quem opera equipamentos num culto precisa estar não apenas focado no momento, mas consciente de o que fará na sequência, pois são nos momentos de transições que as falhas normalmente ocorrem.

 

Prover as informações necessárias com antecedência adequada e de forma que os membros da equipe as compreendam tem custo quase zero, e pode evitar falhas que mesmo os equipamentos mais caros são incapazes de evitar!

 

Em conclusão, a tecnologia passa. Os lançamentos mais caros de hoje estarão obsoletos numa questão de tempo. Como a comunicação do evangelho numa linguagem compreendida pela nossa sociedade passa por estes equipamentos, não podemos desprezá-los. Porém são as pessoas que têm importância maior aos olhos de Deus. E novamente Paulo define com clareza:

 

Sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês. Não procurem apenas os próprios interesses, mas preocupem-se também com os interesses alheios.” (Fp 2.3b-4)

 

Pastores, líderes, músicos e todos os demais envolvidos nos processos que compõem os cultos, estes princípios simples podem levar a sua equipe de produção a alcançar a sua maior qualidade. Foi Deus quem os estabeleceu e Ele abençoará aos que os praticarem.

 

 

Até a próxima!

 

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Ninguém Nota o que Funciona
David Distler

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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