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COLUNISTAS

Um antídoto contra a melancolia

14/09/2020 - 11:27h
Atualizado em 14/09/2020 - 12:35h

 

A certa altura da pandemia, pouco depois dos nossos últimos shows em 12 e 14 de março, comecei a reparar detalhes preocupantes. A princípio, uma espécie de “fraqueza” na voz. Depois os calos nas pontas dos meus dedos da mão esquerda (calos esses, aliás, que indicavam à Polícia das primeiras décadas do século passado quem era “tocador de violão” - e portanto, “vagabundo” - enquanto os calos nas palmas das mãos identificavam os “verdadeiros trabalhadores”... acredite!) começaram lentamente a diminuir, amaciados pelos banhos. Foi fácil deduzir que eu estava relaxando meu lado profissional, com as cordas vocais – que são músculos e precisam de exercício – em desuso e o violão largado a um canto, tudo isso em consequência, via eu agora, do desânimo que tomara conta de mim ao perceber a extensão do que se abatia sobre nossas carreiras.

 

Parti então para as minhas próprias lives, das quais já falei na crônica passada. Minha voz reviveu – e até superou-se, visto que eu ensaiava diariamente relembrando as músicas mais antigas ou menos cantadas, e meus calos voltaram com força total, endurecidos pela lida com os violões de cordas de aço e a viola de 12 cordas. Encerrei as lives com uma de músicas inéditas do meu CD solo, que espera pacientemente a pandemia se acalmar para ser lançado.

 

 

Mas, e agora? o que vem por aí? O drive-in é uma solução parcial, que só favorece a artistas com mídia de massa. Nós, “bandas de teatro”, aquelas que gravitam em torno do que chamo de “classe média” da música, dependemos de aglomerações, feiras, shows em praça pública, tudo aquilo, enfim que aparece no lado errado do binóculo pandêmico: bem lá longe. Fora isso, moramos, eu e Guarabyra, em cidades diferentes. Como somos ambos grupo de risco em função da idade, tudo fica mais difícil, lives em dupla inclusive.

 

 

O futuro imprevisível da pandemia faz com que as pessoas se arrisquem antes da hora, muitas vezes a troco de nada. O lazer das artes sempre foi o primeiro fator a ser cortado em tempos de crise. Agora periga ser o último “novo normal” a ressuscitar. E sabe Deus quando... Então a saúde mental dos artistas se baseia no “novo poder fazer”. Já ficou provado que nem as tecnologias mais modernas são capazes de manter a todos num confinamento necessário: assistimos diariamente a aglomerações em bares e praias que lembram a saga dos “lemmings” – pequenos animais das pradarias – que quando em superpopulação partem para um suicídio em massa. Claro que isso é uma extrapolação no que concerne à Covid-19, mas é fato provado que o risco é real e altamente aleatório. Então, ficam três perguntas:

 

- Onde cantaremos?

- Quando tocaremos?

- Para quem nos apresentaremos?

 

Nós, artistas, precisamos urgentemente de um antídoto contra a melancolia.

 

Um antídoto contra a melancolia
Luiz Carlos Sá

COMENTÁRIOS

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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