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COLUNISTAS

Missa dos Quilombos: A Missa da América Negra

04/03/2021 - 08:49h
Atualizado em 04/03/2021 - 14:13h


 

Não é segredo pra ninguém as surpresas que o Milton e as loucuras do Marcinho Ferreira causaram nas carreiras de todos nós, envolvidos até o pescoço com esse gênio da Música de Verdade do País. E um dos mais alucinantes eventos que participamos, foi a Missa da América Negra na Praça Central de Santiago de Compostela!!!

 

Como de costume, quando estávamos em casa, entre uma Tour e outra do Nascimento e o telefone tocava com o Márcio Ferreira do outro lado da linha, podíamos ter certeza que vinham projetos sensacionais pela frente. O teor do telefonema foi: “Farat, vamos fazer a Missa em Compostela, em comemoração ao Quinto Centenario España, 1492/1992... Tudo tranquilo né??? Acho que uns 96 canais dão uma cobertura aos cinco andares de stage, nessa transmissão ao vivo para todo o País... São mais ou menos umas 40 pessoas no palco pra executar o concerto... Confio em você e no Roberto Marques pra esse show”!!!... Hahahahaha.

 

 

Bom, a produção da Quilombo Criação e Produção, já nos garantia a base sólida pro trabalho, capitaneada pelo meu produtor predileto Ricardo (Tenente) Clementino e pelo Flávio Vieira, entre todos do crew de produção, sem mencionar o show de iluminação do Césio Lima.

 

 

Chegar em Compostela é um acontecimento na vida de qualquer um... A energia desse lugar só se compara ao Santuário de Fátima e às Mesquitas de Istambul galera. Nos primeiros dias, montagem de palco e aquela curtida no trabalho do Césio configurando a Luz de madrugada no fog de Santiago. Inacreditável.

 

 

A banda: Milton (voz e regência), Robertinho Silva (bateria e percussão), Paulinho Carvalho (baixo e violão), Flavinho Venturini e Túlio Mourão (teclados), Celsinho Moreira (violão), Ronaldo Silva, Vanderlei Silva, Negreiro e Darcy Jongueiro (percussões), entre outros... Uma arregimentação que consumiria todo o espaço da coluna desse mês. Peço perdão às pessoas não citadas, mas tão importantes para todos nós, coral, dancers, etc...

 

 

A fantástica obra de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Terra, emocionou milhares de pessoas na praça, desde a abertura até os Peregrinos Do Mundo Novo, em 20 atos celebrados por Paulo Botas, retomando o espírito da liberdade das terras e povos que construíram a América, sua religiosidade, entre danças, cantos que elevavam seus corpos e gestos em oferenda à vida!!! Uma renovação de Fé, de tempos justos e fraternos de Paz...

 

 

Tecnicamente, os 96 canais que o Marcinho tinha me solicitado foram apertados, porém suficientes para a mix desses monitores, divididos em duas consoles analógicas e 24 mixes no stage. Mixei o coral em console separada pra economizar um pouco das principais. Em um tempo que os in-ears eram um sonho, o fato de metade dos monitores apenas chegarem duas horas antes do concerto e o próprio Milton me flagrando em oração pra que o caminhão não sofresse nenhum atraso, com a frase ; “Tomara que não chova né Farat”, não foi o bastante pra me tirar do foco... Hahahaha. Também, nada poderia dar errado em um ambiente abençoado desse...

 

 

Para que esse artigo não fique muito longo, só vou citar dois momentos de arrepiar a espinha... No início da celebração, metade dos artistas entraram pelo meio do público com seus estandartes e roupas brancas, depois do humilde boy de construtora que vos escreve quase desmaiar de emoção, ao ver as sombras de todos eles refletidas nas paredes de um hotel magnífico e centenário, causadas pelas tochas que cada um tinha nas mãos...

 

Outro, e talvez um dos momentos mais emocionantes da minha vida no show bizz, foi quando o Milton ergueu os braços para a regência de um dos atos, e todos os sinos de Compostela começaram a badalar. Srs., deu tela azul em todo mundo no palco, ninguém entendendo nada. Foi quando olhei no relógio e era meia-noite!!!... Nada combinado.

 

 

Bom, coisas assim que ainda me mantém vivo no show bizz, e tornaram meus anos de Milton Nascimento os melhores da minha existência... Um evento em que tudo valeu muito a pena na semana que passamos lá. Me lembro como se fosse ontem, o porre de vinho que sobrou da comunhão que eu tomei sentado na porta da Catedral... Hahahaha. Acho que fui perdoado!!!

 

Até a próxima!!!

Missa dos Quilombos, A Missa da América Negra
Paulo Farat

COMENTÁRIOS

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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