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COLUNISTAS

Não tente reinventar a roda, muito menos a bateria!!!

14/07/2020 - 16:58h
Atualizado em 17/07/2020 - 16:42h

 


Minha paixão por brinquedinhos barulhentos começou há muito tempo atrás, em um evento que acontecia em Sampa, chamado Salão da Criança. Naquela tarde passeando com pappys & mammys pelo salão, olhei fixamente para aquela bateria mirim montada em um palquinho com uma fila gigante de pequenos mostrinhos esperando sua vez... É claro!!!

 

Quando chegou a minha vez, sentei com os olhinhos brilhando naquele brinquedo de outro planeta, quando a bandinha que estava ao lado começou a tocar e eu, no mais infantil estilo, comecei a imitar o batera da banda, absolutamente dentro do bit. Ou seja, me deixaram umas quatro músicas sentado no instrumento, provocando um caos na fila dos fora de ritmo e com talentos para outras atividades na vida, mas não interessava isso no momento!!!

 

Bom, depois do estrago feito, alguns anos depois, vou culpar o Sr. Leonidio Ronconi, meu querido Tio Mira e pai do Carlos Ronconi, que por sinal é meu primo irmão de sangue... Família unida mergulha no áudio unida!!! Hahahahaha. Ele fez aquela bateria de óleo Salada, de latas amarelas e pretas, com pratos de tampa de panela, que acabaram de me empurrar pra batera definitivamente...

 

Anos depois, quando já era baterista da banda do Márcio de Souza, irmão do Maurício, e já começando a gravar trilhas da querida Turma da Mônica, começando a conhecer o mundo dos estúdios, pelo outro lado do áudio, comecei a tomar meus “cascudos” na orelha, por um cara chamado Dudu Portes!!!... Meu ídolo na época, tocando com Elis, César Camargo Mariano, entre outros trabalhos, fiquei todo orgulhoso quando ele apareceu em uma sessão de estúdio e me disse: “legal, vc curte bastante tocar bateria!!! Então aprenda afinar o instrumento moleque”!!!... Hahahahahahaha. Foi lindo, um balde de água gelada do tamanho de uma piscina de plástico!!!. Por falar nisso, agradeço até hoje essa primeira bordoada...

 

Já trabalhando no estúdio Vice-Versa, com grandes caras do instrumento, e muito mais comedido quando falava que tocava bateria, vi um cara entrar na técnica e falar pro Vinicão e pra quem estivesse no estúdio: “quem tocou essa bateria aí(???), porque não fui eu!!!”... Socorro, era o Luiz Guilherme Rabelo. Fiquei apavorado... Se ele falou isso pro Vinícius, o que falaria pra mim???!!!... Quando o Luizão estava na arregimentação, o saco de areia que ficava dentro do bumbo desaparecia do estúdio. Um dia antes dava um sumiço nele. Adorava o Luiz. Ele foi um dos caras que eu vi tirar a caixa da levada e colocar um tom no lugar dela, e coisas desse tipo. Demais!!!

 

Ainda no estúdio quero falar de três caras: Alaor Neves, o rei do groove e do alinhamento... Vejam fotos do Alaor e aprendam como se alinha fisicamente um instrumento, antes de ouvirem suas performances absolutamente precisas e musicais. Outro monstrinho, Duda Neves. Até hoje tomo duras por  mixagens feitas há mais de 20 anos, quando ele dá um recall na Web e vê o plano do hi hat errado... Hahahaha. Além de suas viradas mágicas e, como o Dudu, nos dão a impressão que não vão acabar no tempo certo. É um grande amigo e ídolo até hoje. Aliás, todos são. Pra fechar o quesito estúdio, Carlos Bala. Nunca vi alguém tocar tanto pros faders e ponteiros como o Bala. Diga-se de passagem, foi o cara que me ensinou a fazer aquele som de bateria de “Sailing”, daquele álbum clássico do Cristopher Cross!!! 

 

Aí, fui pro live... Primeira porrada, Paulinho Braga, na gig do Ivan Lins. Realmente me forçou a transferir o som dos discos pro stage. Todos os timbres, todos os efeitos utilizados na mix do álbum “Mãos”, do Ivan, obrigatoriamente teriam que soar nas mixes do monitor. E na época das Yamahas 2408, sem plug-ins... Outra arte incrível do Braga; sambeava discretamente todos os grooves dos shows quando estávamos fora do País, sem perder a característica original dos grooves, que não necessariamente eram sambas nos álbuns. E pra encerrar, foi o cara que eu vi tocar uma Octaplus de canhoto sem inverter o instrumento!!! Hahahaha.

 

Robertinho Silva, meu grande mestre e companheiro das grandes Tours do Milton Nascimento... Talvez o cara mais antenado em qualquer tipo de treco que fazia um mínimo “barulho” percussivo. Ver um batera tocar sozinho no stage e ouvir duas baterias, só ele consegue. Instrumentos incríveis... Rototons sem pele pra emular sinos e coisas do tipo nos seus sets era constantes. Pirei quando, dentro do Royal Albert Hall, em um concerto com banda e orquestra, vi os instrumentistas ingleses dos baixos da Royal com um olho no Maestro e o outro no pé direito do Bob, nos maracatus do setlist!!!

 

Seguindo o stage, Lincon Cheib é outro grande cara... Um mestre pesquisador e competente, ainda na gig do Milton, quando nos conhecemos virei um fã incondicional desse cara incrível, com um discernimento de tocar para a banda impressionante!!!

 

E pra finalizar essa breve lista, e pedindo desculpas pra quem ficou de fora e são meus ídolos também, quero falar de Ramon Montagner, meu parceiro de busão na Tour do Falamansa e longos papos na estrada… Um estudioso/perfeccionista do mais alto calibre em combinar ritmos e elementos percussivos no instrumento, com um conceito de mixagem de bateria nos in-ears de arrepiar!!!... Uma sintonia inabalável entre faders e mixes, uma referência, uma aula!!!...

 

Gratidão eterna por ter conhecido e “apanhado” desses monstros, sempre levando pra todos os lugares que trabalhei que se absorvente ou esparadrapo fossem itens disponíveis pra bateria, esses caras todos seriam patrocinados pelas indústrias desses produtos!!! A bateria nunca foi a mesma pra mim, depois deles!!!...

Abraços. 

 

Acesse o blog de Paulo Farat:

http://www.backstage.com.br/paulofarat
 

Não tente reinventar a roda, muito menos a bateria!!!
Paulo Farat

COMENTÁRIOS

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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