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COLUNISTAS

O mundo anda muito chato, mas a regra é clara!!!

21/07/2021 - 15:49h
Atualizado em 21/07/2021 - 16:25h


 

E aí Srs., o mundo anda muito chato ou eu que estou na neura da “Pandemônia”??? Tudo acaba em BO nas redes, quando vamos postar algo como blogueiros e vídeo makers, temos que pensar 400 vezes sobre processos, ainda que citando os autores de forma respeitosa com seus links de origem, mesmo que não existam fins lucrativos nos nossos posts. Quando publicamos algo para um jogo aberto em um compartilhamento saudável de informações, quase sempre vem alguém discordar, e como eu já disse, metade dos falsos “formadores de opinião” se acham Deuses, e a outra metade tem certeza absoluta (e conta aí, quais foram os que te ligaram pra saber se tudo está bem, nessa loucura que estamos vivendo???)... A vida já foi muito mais divertida galera, pelo amor do CARA lá de cima!!! Até meus cães andam reclamando da variação do cardápio diário!!!... Eu sou apenas um rapaz latino-americano que gosta de música e áudio, “com” amigos importantes, e vindo do interior, nada além disso!!!

 

 

São muitas as palavras que definem o sucesso no mundo do áudio profissional; comprometimento, dedicação, disciplina, etc… E com ou sem “Pandemônia”, nada mudou, ao menos quando ainda tínhamos shows, há um ano e meio atrás. Particularmente, a minha predileta entre elas é “procedimento”!!! A semelhança com a minha segunda paixão, a aviação, é explícita… Uma série de procedimentos respeitados podem nos levar aos céus ou provocar um desastre absoluto caso não sejam seguidos em todos os seus detalhes. As nossas “aeronaves”, novas e mais antigas, são extremamente variadas, nos tamanhos, marcas, modelos, alcance, etc, mas os procedimentos de voo são os mesmos em sua essência. Existe um grande debate e intensivos treinamentos de novos profissionais dos ares, sobre pilotar sem automação, levar “na mão”!!! Sou um cara completamente paranoico com esse assunto!!!

 

 

Assim que chego ao stage (onde fico até o final do show, sempre repreendido pelos parceiros de estrada, mas não consigo ser diferente), dou um load nas minhas cenas, e levando-se em conta que quando viajo minha mesa, não tenho muita preocupação com esse estágio. Já me disseram que é muita neura da minha parte os equipamentos saírem da gaveta do rack na ordem inversa que foram guardados, mas vamos pular essa parte, pois pra quem tenta sincronizar o limpador de para-brisas do carro com o que está tocando na rádio, isso não é nada… Hahahahaha. Mesmo assim, gostaria de ressaltar que a durabilidade e conservação dos nossos bravos equipamentos de stage estão diretamente ligadas ao cuidado e maneira que são guardados depois do show, ou seja, demoro mesmo pra fechar o rack!!!…

 

 

Com todos os ears montados e abastecidos com suas baterias, a ordem é checar toda a transmissão e recepção dos nossos valentes bodypacks, para ter a absoluta certeza que nenhum acidente, umidade ou coisas do gênero não tiraram do ar algum fone no concerto anterior. Feito isso eu apenas dou uma revisada nos masters das minhas mixes, pois a essência da mix de monitores de chão é a mesma… Um bom ajuste na EQ e nos volumes, de acordo com o ambiente, resolve muito bem a parada!!! Tudo o que for planejado exaustivamente vai funcionar… As surpresas do stage não atingem a “concepção”. Mix de Monitor que nasce torta, vai torta até o final!!!

 

 

Nunca foi tão fácil voar como nos dias de hoje. Os nossos painéis de controle são um sonho absoluto, se levarmos em conta que há muito pouco tempo atrás fazíamos nosso recall em xerox dos módulos das mesas. Sobre o combustível do stage, é a sua paixão que manda… A minha é extrema e não permite “pane seca”. Ah... e mixe “música”, toque junto com a banda, pois a única coisa que difere o áudio da aviação é o piloto automático!!!

 

 

A audição tem limites e exageros não cabem no stage!!!… É uma questão lógica. Consultas e orientações de profissionais dedicados e que vestem a camisa dessa causa, são obrigatórias e extremamente preventivas, sempre lembrando que danos auditivos são enlouquecedores e irreversíveis, ok??? Não só nos dias de hoje, mas já há algum tempo, a qualidade e definição dos equipamentos, tanto monitores de estúdio, do stage e, principalmente, o “universo in-ears”, nos proporcionam um trabalho com timbres incríveis nas nossas mixes e um SPL bem confortável e seguro para os nossos ricos tímpanos (e dos outros também). Preservação auditiva é coisa muito séria galera… Não depende do seu endorsement, das suas marcas prediletas ou do seu gosto pessoal!!!… É o discernimento de cada um determinando quanto tempo teremos de vida saudável no stage!!!… Bom, que a cada dia os cuidados superem a insanidade de equalizações bizarras e volumes inacreditáveis que ainda habitam o “planeta áudio”!!!

 

 

E lá vamos nós mais uma vez falar de in-ears, de um modo bem básico, a pedidos, pois não são só experts no assunto que navegam por aqui (já tomei umas broncas por isso, como se eu fosse dono da verdade…rssssss). Eu ainda afirmo, sem nenhum receio, que não existe quem não goste de in-ears, mas sim quem usou errado!!!… Pra começar, compre um belo carro e tire dois pneus, voe sem stress em um Learjet 45 com uma turbina só, assista e vibre com um jogo dos Playoffs da NBA com um time só na quadra ou tenha um relacionamento sério com uma boneca inflável (até rola, mas nunca será uma paixão verdadeira e sincera)… É mais ou menos isso o que o cérebro processa com um phone só na orelha!!! Se eles fossem configurados pra isso, não seriam criados plug-ins maravilhosos como o KLANG, por exemplo, e nem venderiam o equipamento com L e R, acrescentando-se a pergunta “em qual lado do ouvido o equipamento será utilizado???”, no ato da configuração. É o passo mais equivocado da história do monitor… E nosso trabalho é muito simples... Coloque o ear no seu artista, com ele na mesa, se for permitido seu acesso, é claro, pois esse é outro problema entre nós, humildes engenheiros de áudio e a ”corte”… Um “canta aí a cappella patrão(a)” com todo o carinho (depois do microfone escolhido a dedo), para que ele encontre uma zona natural e de conforto no botão de volume, é o primeiro grande passo. Faça ele levantar uns faders junto com você que ele vai se divertir. É assim que sempre faço… Um bom reverb e um delay discreto, programados com muito carinho não falham nessa hora… Depois é só correr para o abraço levantando a banda, preferencialmente com a imagem stereo exatamente igual ao posicionamento da galera no stage (não existe mais constrangedor do que o seu artista olhar pra direita no meio do show e o guitarrista da esquerda é que está solando…rs)!!!.

 

 

O gosto pessoal de cada um apenas entra nessa história com o básico e o correto bem feitos… Depois, abuse (com extremo discernimento) de reverbs, compressões paralelas, eq multi-banda, microfones de público, etc, e acima de tudo, “toque” seus faders junto com a banda… Ah, mais uma coisa… Eu recomendo sempre moldes fechados, pois todas as vezes que utilizei esse equipamento com dutos abertos, por menores que fossem, ou acabei fechando com tape ou aguentei sempre os caras no palco querendo graves falsos na orelha!!!

 

 

E não se esqueça do conjunto… Um acidente aéreo nunca acontece por um só motivo, mas sim por uma série de erros. Com os ears é a mesma coisa… Um desastre auditivo acontece com uma concepção errada, a falta de uma avaliação audiológica completa especializada para profissionais da música bem feita (procedimento importantíssimo & obrigatório), o modelo escolhido errado, e o principal, uma transmissão e recepção horrorosa… Existem poucos, mas ótimos profissionais focados no mercado do show bizz, verdadeiros magos da audiometria, portanto esse na verdade é o primeiro passo!!!

 

 

Eu sempre recomendo, na hora da escolha do seu ear, ouvir seus discos prediletos com calma e tempo. Pode não parecer, mas uma mínima diferença em uma sala fechada fará um enorme estrago no stage… Um phone com muita definição de graves, talvez não seja o ideal pra quem fica sempre atrás dos subs do PA nos belos palcos que encaramos por aí… Lembre-se que nem sempre você estará no Royal Albert Hall ou similares quando as luzes se apagarem…

 

 

Bom, o Paraíso existe e mora nessa tecnologia… Um phone de R$ 5.000,00 (já existem ótimos modelos um pouco abaixo desse valor no mercado) e um equipamento de transmissão e recepção completo a partir de R$ 15.000,00 são muito caros??? Ok… Nada contra monitores, muito pelo contrário… Eu amo monitores de chão incondicionalmente!!! Muitas locadoras que possuem D&B, Meyer, Nexo, Turbosound, entre outros monitores espetaculares e apaixonantes que, com certeza, não irão decepcionar no stage (mas talvez no cheque, afinal, independentemente de Pandemia, qualidade tem preço e como dizem os proprietários dessas grandes locadoras, a pior coisa do mundo é alguém colocar preço no seu trabalho)!!!... O stage não tem “preços”, tem “valores”!!!

 

 

Faça sua escolha também pela sua realidade, mas não perca o respeito pela Música e seus efeitos mágicos nos nossos ouvidos e almas!!!… E que essas aflições e preocupações atuais de Pandemia sejam atropeladas pela superação!!!... Abraços e até o próximo!!

 

 

 

O mundo anda muito chato, mas a regra é clara!!!
Paulo Farat

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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