Mixagem eletrônica - dicas & sugestões

November 10, 2017

Mixagem como estamos acostumados a trabalhar em música acústica/eletro-acústica nas últimas décadas 
é o processo de “reduzir” os vários canais de áudio gravados seja em um gravador analógico (de fita) multi-canal ou em computador em processo de gravação digital que, em última análise, faz mais ou menos a mesma coisa. A ideia é passar tudo para uma pista ou canal Master estéreo, que é o fonograma a ser masterizado (produto final).

 

Mixagem em Música *Eletrônica em Digital Domain, os processos são um pouco diferentes. Por questões físico-acúticas do áudio produzido eletronicamente, muitas vezes, você tem que reprocessar os canais de áudio, fazendo, por assim dizer, uma verdadeira remasterização em cada canal de áudio, para conseguir aquele “sonzão” final que estamos acostumados a ouvir dos “Mestres” Djs/Vdjs!


Aqui temos um exemplo de um Mix com poucos Tracks, poucos canais de áudio:
Só uma base para Jam!!

Observando mais de perto esse exemplo, podemos até reduzir esses canais!!
Os tracks destacados em vermelho e verde são sons semelhantes (baixo e bateria) e não estão sobrepostos. Também “não há” necessidade de manter “discrete tracks”, visto que em base eletrônica você pode editar e processar cada som localizadamente e, sempre que preciso, fazer um “remaster” de cada track para alcançar os níveis desejados. Aliás, esse é o processo: reduzir ao máximo seus tracks e reprocessá-los numa verdadeira dança de remasterizações.

É laborioso, mas funciona, é assim que “eles fazem”. Então vamos reduzir!!
Selecione os canais que deseja reduzir (bounce) em um único track (esses indicados pelos retângulos e setas azuis). No exemplo da imagem, esses sons de baixo (bass) vão virar uma pista só!
Então desabilite os canais que você “não” deseja que estejam incluídos nessa pista, nesse track de áudio. São essas indicadas com o “X” em vermelho.

Para desabilitar o Track é só clicar no botão retangular para ele ficar cinza (grey). Agora digite no teclado Ctrl + Shift + R, no PC, ou  Shift + Comm + R, no Mac, para abrir a janela  Export Audio/Video.
Siga as indicações assinaladas em verde!

A primeira marca indica que você está reduzindo todos os “tracks” habilitados para o output/saída Master.
A Segunda (retângulo verde) refere-se ao comprimento da pista a ser reduzida. As três próximas marcas indicam o tipo, definição e qualidade da amostragem digital. Em seguida, nesse retângulo amarelo está o Dither (No Dither nesse caso). Sobre esse assunto gostaria de abrir um capítulo a parte mais a frente. Os outros itens Off, como estão. Por último: Export. Aperte o botão.  EXPORTANDO!!!

Após esse momento, podemos importar nossa nova pista de baixos (reduzidos em uma pista) para um novo Track no Ableton Live. No Browser (marca azul), Current Project/Samples/Processed… Basses.wav (é lá que fica), arraste para criar Track no Ableton Live como indica a seta verde!
Repare que todos os elementos de áudio das outras pistas de baixo agora contêm no novo Track 10 Audio (asteriscos laranja e verde). Dando nomes aos bois, vamos renomear esse Track “Basses ou Baixos” como queiram (selecione e digite CTRL+R).
Então agora podemos “Deletar” os antigos Tracks de Baixo (Bass) usados na redução. Com a tecla CTRL apertada clique com o botão esquerdo do mouse nos dois Tracks indicados pelo “X” vermelho, e aperte a tecla DEL no teclado do computador! Aha! As coisas ficaram mais limpas por aqui!

Eu aprendi com os “Bambas” que o número mágico para trabalhar nesse processo são mais ou menos 8 Tracks (ou 8 grupos de tracks), ou seja, fica tudo simples, na mão, não importando a capacidade de automação do seu setup e, lógico, mais leve para a CPU!

Existe uma tendência generaliza de achar que “volume alto” é que vai fazer tudo soar um “sonzão”!!! Errado. É um conjunto de fatores. Não basta você colocar todos os ovos em uma caixa e espremer (ou comprimir) para caber mais ovos. Os ovos vão quebrar e tudo vai virar uma pasta. Similarmente, em áudio digital temos princípios mais ou menos semelhantes. Vamos voltar primeiro  àquele assunto sobre Dither.

Esse gráfico mostra o “áudio analógico” e  o “áudio digitalizado sem Dithering”.
Quando começaram a surgir os primeiros gravadores digitais decentes ainda com 8 bits, a capacidade de processamento dos conversores ADDA (analógico/digital/digital/analógico) deixavam muito a desejar, som de rádio de pilha.

Como gravavam parcelas do áudio por amostragem (PCM), o resultado sonoro era ainda ruim, pois a série harmônica natural ficava truncada, promovendo um efeito colateral nada prazeroso para o ouvinte. A maneira que se encontrou para contornar o problema foi inserir Noise Synthesis (ruído branco) a uma frequência e amplitude quase inaudível (para a maioria pelo menos) e promover um anti-alise para dar uma aveludada naquele Sample ainda sem alta definição.


Evolução da Amostragem com a evolução da tecnologia

 

Com o tempo, essa tecnologia melhorou muito e hoje usamos altíssima definição a 32 bits ponto flutuante que faz uma amostragem de grande amplitude não sendo necessário o processo de Dithering. Na verdade, por padrão, o Ablerton Live trabalha sempre em 32 bits. Se por uma razão ou outra (falta de espaço no HD, por exemplo) você precisa trabalhar com áudio de definição mais baixa, eu reitero: o áudio com Dither não é um áudio integral (Raw), Dither é basicamente uma forma de compressão e, lógico, degrada a qualidade original do áudio. É como a diferença, digamos, entre o leite integral e o leite desnatado, o segundo é mais ralo né?

Explico isso para você estar sempre consciente de que é sempre melhor trabalhar com Raw Audio (audio íntegro) em todas as etapas do seu trabalho, senão vai faltar substância (gordura) para alcançar o “sonzão”. Mesmo assim, ainda trabalharemos por muito tempo com fragmentos de Samples com Syntesis, que estarão de uma maneira ou de outra interferindo do resultado final, mas isso ainda dá para contornar (usando de forma muito econômica sempre) com alguns plugins né?!
Sobre o hábito de “Xuxar” volume, como falávamos antes, como essas taturanas aqui?!
Bem, muita vezes usa-se o “Normalizer” para empurrar os níveis até o coqueiro. Então, na masterização final, você fica sem espaço de manobra para quase nada. Vamos lembrar que a mixagem é um processo tridimencional, X, Y, Z; você tem profundidade, altura, lateralidade. Não é simplesmente uma questão cartesiana X, Y.
É preciso ter espaço para os resultados das interferências se interagirem. Costumo dar o exemplo de uma lagoa plácida que você começa aos poucos a atirar pedrinhas. Se você joga muitas ao mesmo tempo, a lagoa perde sua placidez para o excesso de marolas criadas. Então aí está o nosso “final set”! Poucos tracks, limpo, pistas de áudio balanceadas e, principalmente, tudo a mão!

A essa altura você tem um Mix simples para intervir em sua Jam com seus plugins prediletos, sem muita bagunça, e podendo, é lógico, executar sua arte e suas improvisações com todo foco somente “na música, na performance”.
Esse modelo de procedimento e preparação do Mix ou Mixagem Eletrônica está especificamente focado em performance de música eletrônica, Djs, Vdjs e afins. Outros modelos para outras estéticas de produção musical podem se complementar com alguns conceitos desse artigo, mas definitivamente não é o ponto central. Isso é tudo amigos, espero que tirem bom proveito!

 

Boa sorte a todos!

 

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