Inteligibilidade nas Igrejas

Pedro Duboc
redacao@backstage.com.br
Fotos: Divulgação

 

Desde a Antiguidade a acústica desempenhava papel importante na arquitetura de templos e locais de apresentação

 

 

Comunicando a mensagem

 

Olá amigos do áudio, hoje vamos dar continuidade à matéria sobre inteligibilidade, um assunto de grande importância no ambiente das igrejas. 

 

No ano de 2017 estive em um número muito grande de igrejas, realizando projetos, dando treinamento etc. Igrejas grandes, pequenas e de muitas denominações diferentes. Algumas realmente me impressionaram pela excelente acústica como é o caso da Bola de Neve, em São Paulo, ou a Primeira Batista do Recreio, no Rio de Janeiro, porém a grande maioria das igrejas, infelizmente, peca no tratamento acústico e, consequentemente, na inteligibilidade. 

 

Se o som está estressante e não agradável, é muito provável que o problema seja inteligibilidade. Mas o que é a inteligibilidade? Em locais fechados como são as igrejas, o som que chega aos nossos ouvidos é o resultado do som que vem direto das caixas, somado ao som de milhares de reflexões por todos os lados. Então o que ouvimos é, na verdade, o som direto, somado às early refletions, às reverberações e às late refletions. E todos os sons que chegam em tempos diferentes acabam deteriorando a inteligibilidade do som direto. 

 

Até agora estamos falando de problemas acústicos, que na verdade devem ser os primeiros problemas a serem equacionados antes mesmo de qualquer investimento em equipamentos de som. Problemas acústicos, soluções acústicas, problemas elétricos, soluções elétricas já dizia o saudoso Solon do Vale. Infelizmente as igrejas vêm sofrendo um golpe duro sobre o que é mais importante, que é a comunicação da mensagem, afinal toda igreja está baseada em uma mensagem e se esta mensagem não chega aos ouvintes de forma clara e confortável, o propósito fica comprometido, pois não há uma compreensão plena do que está sendo falado. 

Enorme investimento em estética e conforto, e a comunicação da mensagem fica em segundo plano

 

Se estamos falando de igreja, sem sombra de dúvidas um projeto acústico deve ser o primeiro investimento a ser pensado, porém, infelizmente, não é uma realidade, há sempre um enorme investimento em estética, conforto etc, mas a comunicação da mensagem fica em segundo plano. Há algo errado e precisamos mudar isso! Se observarmos ao longo da história, desde a Antiguidade, nas culturas gregas e romanas, a acústica desempenhava um papel importante na arquitetura de templos e locais de apresentação. 

 

Vejam os anfiteatros gregos e romanos que, por não disporem de um sistema de sonorização, eram meticulosamente planejados acusticamente e, mesmo sem amplificação, tudo o que era apresentado no palco era perfeitamente ouvido e entendido por um enorme número de espectadores nas arquibancadas. O que acontece com um ambiente acusticamente ruim é que, quanto mais excitamos o som neste ambiente, maior será o problema. Em outras palavras, se tentarmos compensar a falta de inteligibilidade com intensidade de som maior, aumentaremos as reflexões e consequentemente o problema. 
Agora imagine um ambiente com acústica ruim somado a um sistema de som com pobre resposta de frequência. Em outras palavras, ruim também. Seria apenas uma suposição se não fosse uma realidade, infelizmente esse é o retrato de mais de 90% das igrejas que visitei ao longo dos anos. Agora que entendemos o papel da acústica na inteligibilidade, vamos ver o outro lado: o sistema de sonorização. Partindo do princípio que estamos em um ambiente acusticamente bom, é importante que o sistema de sonorizarão também seja bom, ou, pelo menos, consiga transmitir a mensagem com boa inteligibilidade. Um dos problemas que mais presencio é a utilização de microfones de baixíssima qualidade que distorcem facilmente na cápsula, ou no caso dos sem fio, com modulação e demodulação péssimas, colocando mais uma vez a “fala”, que é a mensagem, em sérios problemas de inteligibilidade. 

 

Em um ambiente acusticamente bom, é importante que o sistema de sonorizarão também seja bom e consiga transmitir a mensagem com boa inteligibilidade

 

Outro problema muito comum é a utilização de caixas de som de péssima qualidade que por si só já não têm a menor condição de transmitir a mensagem com inteligibilidade alguma. Em terceiro lugar, na lista das prioridades para alcançar uma boa inteligibilidade, está o treinamento operacional. Hoje venho trabalhando firme para formar técnicos de igrejas capazes de desempenhar um excelente trabalho na operação de áudio. Não adianta um ótimo equipamento, e uma acústica legal se não sabemos operá-lo, e essa é uma condição sine qua non, ou seja, fundamental, indispensável. É preciso investir em treinamento para os voluntários e operadores de igrejas, principalmente porque novas tecnologias estão surgindo a cada dia para nos ajudar na missão de conseguir uma boa sonoridade. Precisamos estar atualizados e preparados! 

 

Enfim, o que quero dizer com tudo isso é que precisamos dar a devida importância à mensagem transmitida, a mensagem é Cristo, e isso deve ser levado em consideração. A comunicação da mensagem deve ser prioridade, acima de qualquer outro investimento. Existem hoje no Brasil um enorme número de profissionais que como eu trabalham com projetos e treinamento para igrejas, posso citar aqui alguns como Douglas Barba, Denio Costa, Pepe Menezes, Marcelo Barcelar, Tairo Arraibal, entre muitos outros, todos altamente qualificados para a função que exercem, e prontos para ajudar na tarefa de alcançar a excelência na comunicação do evangelho. 

 

Precisamos de uma mudança de mentalidade, precisamos profissionalizar o áudio nas igrejas, levar as coisas mais a sério, investir corretamente em projetos, em treinamento, parar com o hábito de deixar os vendedores de loja decidirem o que vamos colocar nas igrejas, vendedores são vendedores, técnicos e engenheiros são técnicos e engenheiros, são funções diferentes, o técnico ou engenheiro de áudio e acústica é que deve decidir no que investir, e o vendedor apenas vender o que foi decidido por um profissional qualificado. Está tudo muito errado, e precisamos colocar as coisas em ordem! Na próxima edição entraremos finalmente na parte técnica da inteligibilidade, estaremos vendo a fundo todos os fatores que devemos levar em consideração para obter uma boa inteligibilidade. Forte abraço a todos! 

 

 

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