Entrevista com Chris Fuscaldo

October 9, 2019

 

A jornalista e escritora trabalhou alguns anos em algumas da maiores redações de jornal do Rio de Janeiro antes de se decidir pela carreira acadêmica e começar a produzir livros sobre música: ela escreveu as discobriografias de duas bandas fundamentais no rock brasileiro: Mutantes e Legião Urbana. Investindo também na carreira de cantora, Chris contou para a a Revista Backstage sobre a produção e a estratégia “passo a passo” de lançamento do seu álbum.

 

Quando decidiu gravar seu disco?    

Tive algumas bandas, mas o jornalismo me sugava e eu não conseguia me dedicar aos shows. Como nunca me considerei uma grande cantora, nunca pensei em gravar algo meu. No máximo, fiz um EP com uma das minhas bandas, a ECT (Eu, Chris e Taís). Quando larguei as redações de jornal para fazer um mestrado, fiquei tão inspirada que comecei a compor. Ainda levei um tempo para achar que o que tinha feito daria em música. Foi o produtor, o argentino Juan Cardoni, que desembarcou no Rio pilhadíssimo em fazer algo por aqui, quem me convenceu de que eu tinha um material. Com as composições arranjadas por ele, todas com cara de música, achei que era hora de registrar. E fizemos esse álbum com 12 faixas, sendo sete de minha autoria, três regravações de canções conhecidas e duas de parceiros que admiro.    

 

De que forma viabilizou?    
Esse foi o maior presente que ganhei da vida! Estou há anos tentando viabilizar o primeiro livro que comecei a escrever e outros projetos e não havia vivido nada como a experiência de gravar Mundo Ficção. Quando o Juan propôs gravarmos, eu disse a ele que não tinha condição financeira de bancar um álbum. Chegamos a um acordo: faríamos troca de serviços. Por ser jornalista, tenho capacidades como a de fazer releases, montar estratégias de comunicação, atacar na divulgação, roteirizar clipes e outras. Nesse embalo, uma amiga fotógrafa, a Tatynne Lauria, se animou de trabalhar com a gente. A diretora de dois dos meus clipes, Ceci Alves, também. Parceiro em uma das faixas (Enigma), Hyldon me auxiliou na hora de conseguir uma masterização boa (Marcio Pombo) a um preço possível. Dessa forma, gastei com certeza menos da quarta parte do que seria um trabalho como esse.     

 

Como foram as gravações?    

O produtor, arranjador e multi-instrumentista argentino Juan Cardoni gravou basicamente todos os instrumentos em seu home studio. Só pedi socorro a Marlon Sette e Altair Martins porque precisei de trombone e trompete na faixa Minha Menina, Não e isso Juan não sabia fazer. Pedi a Juan para liberar a instrumentação de uma, pois escolhi ter Guilherme Schwab na regravação de Muito Estranho porque tanto um dos autores da música, Dalto, quanto eu,  somos niteroienses. Eu quis prestigiar nossa cidade, além de ter um monstro do violão e do weissenborn em meu disco. As vozes, eu gravei no home studio da cantora e compositora Clara Valente, que fez minha preparação vocal. 

 

Foi feito aos poucos ou de uma vez?    

Demorou um pouco mais do que Juan queria por minha culpa. Eu estava no processo de seleção de um doutorado quando iniciamos a pré-produção. Quando começamos a gravar de fato, eu tinha recém ingressado no doutorado e estava super enrolada com outros projetos. Também sou escritora e, logo nesse primeiro ano, 2016, terminei de escrever e lancei meu primeiro livro, o Discobiografia Legionária. Só em 2017 foi que comecei a estudar cadastramento de ISRC, edição e essas coisas que, hoje, é o artista independente quem faz. Em 2017, consegui começar a lançar os clipes. Na sequência, distribuí as faixas para as plataformas digitais e o CD físico só ficou pronto recentemente. Sozinha, é um passo de cada vez.     

 

Explique como construiu a estratégia de divulgação    
Como eu estava (e estou ainda) muito enrolada com o doutorado e os livros - lancei em 2018 o segundo, Discobiografia Mutante e este ano vou para um terceiro sobre Belchior - eu decidi não gastar energia montando banda e produzindo shows. Não tinha um público formado ainda. Achei que os clipes dialogariam melhor com as pessoas, que hoje vivem em função das mídias sociais. Venho, então, lançando clipes desde 2017, um por um, divulgando cada um deles para blogs, sites, jornais, revistas e até algumas rádios que abram espaço para mim. Estou pavimentando a estrada devagar para que, ano que vem, quando termino o doutorado, eu possa ter plateia em shows que pretendo fazer.

 

Ouça abaixo, na íntegra, o álbum de Chris Fuscaldo:

 

 

 
Para saber mais, acesse:
http://chrisfuscaldo.com.br/

 

 

 

Fotos e produção de arte: Tatynne Lauria
Ass. de fotografia: William Gomes
Maquiagem e cabelo: Helen Lage
Figurino: Chris Fuscaldo
Pintura no violão: João Cordel
Cenário: Conexão Rio (Fábrica da Bhering, Rio)

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