Áudio Fundamental: exercitando os ouvidos

Hoje muito se fala sobre as novidades tecnológicas do mercado de áudio, mesas digitais com recursos fantásticos, novos modelos de microfones, fones, caixas e por aí vai. O que percebo é que cada vez mais precisamos correr contra o tempo para nos atualizarmos quanto a todas essas inovações e nos mantermos atualizados no mercado de trabalho.
 

Hoje precisamos conhecer os softwares do momento, como o Smaart, WWB, entre outros, como ferramentas que nos ajudam a desempenhar um trabalho de excelência, porém, será que a ferramenta mais importante está sendo bem utilizada?

 

Lembro-me bem de uma história sobre a diligência que fala que se gastarmos tempo amolando o machado, a missão de derrubar a árvore será rápida e eficiente, e, ao contrário, se formos derrubar a árvore com o machado como está, sem ser amolado, certamente levaremos muito mais tempo e gastaremos muito mais energia para atingir o mesmo resultado.

 

O que essa lição nos ensina?
Assim como o machado é a ferramenta mais importante de um lenhador, nossos ouvidos são a nossa ferramenta mais importante. Você jamais fará um bom som se não desenvolver (afiar) os seus ouvidos, e é sobre isso que falaremos hoje, sobre como exercitar os nossos ouvidos.

 

O mundo do áudio é dominado por equipamentos como amplificadores, caixas de som etc. Reconhecemos que o nosso precioso sinal de áudio será degradado quando passar por esses equipamentos. Ao final de toda a cadeia de áudio, usaremos nossos ouvidos para responder a pergunta mais importante: - A qualidade do som está aceitável?

 

O maestro, o engenheiro de gravação e o crítico musical experientes têm em comum ouvidos suficientemente treinados para esse julgamento, mas e os estudantes que estão aprendendo sobre os mistérios do áudio?
Os ouvidos do maestro, do engenheiro de gravação, do crítico musical e do aluno provavelmente têm a mesma sensibilidade se formos examinar por meio de uma audiometria, a diferença é que o estudante não experimentou uma audição crítica como os outros profissionais, e é exatamente isso o que falaremos aqui.

 

 

Como seria esse treinamento auditivo?

Em primeiro lugar, precisamos conhecer as frequências, talvez num primeiro momento devamos limitar o range de 100Hz – 10.000Hz. Começamos, então, com um tom puro de 100Hz, em seguida 10.000Hz. Logo a seguir, podemos usar 260Hz, que seria o dó central do piano (claro que sem a beleza harmônica do instrumento) e, em seguida, pular para 520Hz, ou seja, uma oitava acima. Esses são apenas exemplos de exercícios de tons puros que podemos fazer.
Logo depois, podemos exercitar nossa sensibilidade para mudanças de intensidade sonora. Iniciamos, por exemplo, com 1000Hz em um nível constante. Em seguida, uma mudança de nível de 10dB, lembrando que 10dB são o dobro de loudness.

 

Com o nível constante em 1000Hz, mudamos apenas 5dB e, em seguida, 2dB. Pode parecer difícil em um primeiro momento perceber a mudança de 2dB, porém com o tempo de exercício isso é possível. É mais fácil perceber a mudança de 2dB em níveis mais altos de sinal, portanto, seria interessante nesse exercício subir 10dB antes de iniciar a percepção de 2dB.

 

Com esse exercício vemos que a mínima mudança percebida pelos ouvidos depende do loudness do tom de 1000Hz, e o loudness depende da frequência.

 

 

 

Em seguida fazemos o mesmo exercício com 100Hz. Percebemos que é muito menos perceptível a mudança em 100Hz do que em 1000Hz. A menor mudança perceptível depende da frequência e do nível de som.
Ainda nos exercícios de níveis sonoros, é interessante fazer o mesmo exercício com música, assim como com a fala.
O terceiro exercício é com limitação de banda. Primeiro colocamos uma música para tocar sem filtros. Em seguida, colocamos um filtro passa alta (Lo-Cut) em 200Hz, em seguida 500Hz, e em seguida 1000Hz. Assim criamos uma referência dos cortes. Em seguida, faremos o mesmo com filtros passa baixa (Hi-Cut) em 8k, 5k e 2k e sempre voltando ao full band.

 

Faremos também o exercício de irregularidades na resposta de frequência. Nos exercícios anteriores experimentamos cortar as altas e as baixas, aqui, agora, trabalharemos com alterações no espectro.
Com a mesma faixa de música que utilizamos nos outros exercícios, vamos agora dar 10dB com Q fechado em 8K. Percebemos que mesmo com Q fechado, algumas frequências acima e abaixo de 8k são afetadas. Em seguida uma mudança de 5dB em 8k. Agora, faremos um julgamento de qualidade sonora. 

 

Como tudo na vida, alguns sons são descritos como simples e outros como complexos. Estar apto a distinguir entre o simples e o complexo, ambos no tipo de diferença e na quantidade da diferença, é extremamente necessário no trabalho com áudio.

 

Aqui utilizaremos uma sine wave de 1000Hz e, em seguida, em onda triangular de 1000Hz. Ouça bem a diferença!
A onda triangular soa diferente por causa dos harmônicos que contém. Os harmônicos são múltiplos da frequência fundamental de 1000Hz. A sine wave não contém harmônicos por ser um tom puro, já a onda triangular de 1000Hz contém um fraco terceiro harmônico de 3000Hz, outro de 5000Hz e outro de 7000Hz.

 

Se ouvirmos a frequência fundamental de 1000Hz juntamente com seus harmônicos, então temos a diferença entre a onda pura e a triangular.

 

Esses são apenas alguns exercícios para aprimorarmos nossa audição, posso citar aqui dezenas de outros aonde podemos treinar a detecção de distorção, efeitos de reverberação, sinal x ruído, coloração vocal, mascaramento, percepção de delays entre diversos outros exercícios.

 

O importante é despertarmos para o fato de que nossa mais importante ferramenta de áudio é o nosso sistema auditivo e, assim como tudo na vida, precisamos exercitá-lo para um melhor aproveitamento.

 

Outro lado importante quando falamos de nossos ouvidos é o cuidado que devemos ter para não perdermos nossa audição. É bom lembrar que a perda auditiva é irreversível e a exposição a níveis sonoros muito altos por longos períodos causa perda auditiva, como podemos ver na tabela do ministério do trabalho.

 

É isso aí galera, vamos seguir cuidando e treinando os nossos ouvidos, afinal dependemos deles para ganhar o nosso pão! 

 

Grande abraço e até a próxima!

 

 

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