Homenagem a André Matos!

 

Se fosse possível personificar um estilo musical em algum artista, o Heavy Metal brasileiro teria em André Matos seu mais significativo expoente, ícone e referência. A morte prematura desse grande artista ainda causa comoção, não somente pelas qualidades e competências profissionais, mas pela essência que o destaca no meio musical. Nesta conversa, uma singela homenagem a esse artista brasileiro que brilhou em diversos palcos do mundo e emanou sua luz de diversas maneiras.

 

A música brasileira, em sua mais rica e generosa oferta de combinações, estilos, ritmos, expressões e personagens, notabiliza-se por proporcionar artistas de grandezas imensuráveis, capazes de criar marcas que repercutem no cenário nacional, mas que também atingem patamares diferenciados em diversos lugares deste planeta.

Se esta plêiade contempla nomes como Heitor Vila-Lobos, Carmem Miranda e João Gilberto (que será homenageado na próxima conversa), além de outros ilustres nomes que atingiram públicos além dos limites territoriais, em um magistral elenco convencionalmente associado à Música Popular Brasileira, outros célebres nomes enveredaram em compor e se manifestar artisticamente em estilos da música internacional, e mesmo em outros idiomas, tendo êxito e criando referências para fãs e artistas de outros países, com destaques para bandas como Os Mutantes, Sepultura, Viper, Angra e Shaman, entre outras. Nas três últimas, evidencia-se a presença de um vocalista que se destacava pela técnica, carisma e admiração incontestáveis: André Matos.


Nascido em São Paulo no dia 14 de setembro de 1971, André Coelho Matos teve sua formação musical de forma precoce, pois começou a estudar piano ainda na infância, sendo que a partir de 10 anos teve aulas regulares de piano, com o intuito de ser instrumentista. Com 13 anos, entrou para a primeira banda, Viper, para tocar teclados, cujos ensaios realizados na “casa do Zé do Muro” elegeram-no como o mais apto para assumir os vocais, mesmo contrariamente à sua vontade (de fato, ele não acreditava que poderia ter competência para os vocais).
Inicialmente formada por André Matos (vocais), Pit Passarel (baixo), Yves Passarel (guitarra solo), Felipe Machado (guitarra base) e Cássio Audi (bateria), com essa formação, gravaram a fita demo The Killera Sword, lançada em 1985, e o álbum Soldiers of Sunrise, em 1987, lançado pela gravadora Eldorado. Como curiosidade, paralelamente à Viper, André Matos tinha outra banda, o trio Netuno, com Yves Passarel e Marcos Klein na bateria, dedicada a covers. 

 

Em 1989, já com Guilherme Martin em substituição a Cássio Audi na bateria, André Matos gravaria seu último álbum de estúdio com a Viper, Theatre of Fate, distribuído com êxito no mercado musical europeu e no Japão. Mesmo com uma prodigiosa trajetória com essa banda, André Matos resolveu se dedicar aos estudos, pois havia um conflito da agenda de ensaios e shows com as aulas no curso de bacharelado em Regência Orquestral e Composição Musical na Faculdade de Artes Santa Marcelina. 

Em 1991, ainda na faculdade, formou a Angra com o colega e guitarrista Rafael Bittencourt, complementada pelos músicos Luis Mariutti (baixo), Kiko Loreiro (guitarra) e Marcos Antunes (bateria), banda essa que gravaria uma fita K7 demo intitulada Reaching Horizons, em 1992. Já com o primeiro álbum Angels Cry, gravado na Alemanha (Hamburgo) e lançado em 1993 no mercado nacional, Europa e Japão, André Matos teria projeção internacional, sendo, inclusive, sondado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden. 


Com a entrada do baterista Ricardo Confessori, André Matos gravou com a Angra o álbum conceitual Holy Land (1996), o EP Freedom Call (1997), o álbum ao vivo Holy Live (1997), além de alguns singles, seguido do álbum Fireworks (1988), último registro de André Matos com a banda Angra. Deve-se destacar a turnê subsequente deste último que, associado ao título, incluía um projeto de iluminação Cênica diferenciado e inédito para os padrões brasileiros, além de espetáculo de fogos e pirotecnia.

No começo de 2000, André Matos, que acabara de sair da banda Angra, forma uma nova banda, Shaman, com Luis Mariutti (baixo) Ricardo Confessori (bateria) e Hugo Mariutti (guitarra). Com essa formação gravam três discos: Ritual (2002), RituAlive Reason (2005). Nesse mesmo período de gravações e lançamentos com a Shaman, André Matos participou de vários projetos, tais como Virgo (com o guitarrista e produtor alemão Sascha Paeth), Avantasia (idealizada por Tobias Sammet), além dos álbuns The Metal Opera e The Metal Opera Part II.

O ano de 2006 foi marcado por mais uma decisão – e mais um desafio: André Matos e os irmãos Hugo e Luis Mariutti decidiram deixar a banda Shaman, para novos projetos. Entre eles, a carreira solo de André Matos. Seu primeiro álbum, Time to Be Free foi lançado em 2007, mesmo ano em que realiza primeira turnê pelo Brasil, incluindo países da Europa e Japão. Em 2009, o segundo álbum, Mentalize, mantém a coerência da carreira de um artista versátil que, como no primeiro álbum, mescla elementos e melodias da música clássica ao Heavy Metal e Power Metal.
Em 2010, André Matos anunciou a formação de uma nova banda, o supergrupo Symfonia, formado por renomados músicos do Heavy Metal e Metal Melódico mundial. 

Além de André Matos (vocal), um supergrupo com Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Mikko Härkin (teclados) e Uli Kusch (bateria) que lançaram em 2011 seu único álbum, In Paradisum.


O ano de 2012 marcou o retorno da formação original da banda Viper para a turnê To Live Again Tour em celebração aos 25 anos do primeiro álbum, além do lançamento do terceiro álbum de estúdio da carreira solo, The Turn of the Lights (em tradução livre: O Acender das Luzes).

No ano seguinte, na comemoração dos 20 anos do lançamento de Angels Cry (primeiro álbum da banda Angra), nova turnê com execução do álbum na íntegra. E, em 2015, para comemorar os 30 anos de carreira, André Matos lançou uma turnê especial, cujo repertório seria escolhido pelo público através no website oficial do artista.


Em 2018, a Shaman anunciou o retorno com a formação clássica, para uma série de shows em conjunto com Arch Enemy e Kreator. Em fevereiro de 2019, uma nova turnê pelo Brasil, com a participação da banda Avantasia.


Deve-se destacar ainda que André Matos, além das bandas, trabalho solo e contribuições em dezenas de gravações, era poliglota, músico dedicado e perfeccionista, autor de peças musicais eruditas, entre outros trabalhos perpetuados em registros e colaborações diversas. Tão admirável e respeitável trajetória foi interrompida no dia 8 de junho de 2019, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. 


Pode-se afirmar categoricamente que André Matos se eterniza como um ícone do Heavy Metal brasileiro, cujo vazio proporcionado pela sua precoce partida não atinge somente os admiradores e fãs dele e do estilo, mas a música em geral, em âmbito mundial. Artista extraordinário, disseminou seu carisma em palcos de todos o mundo, e pelo cuidado com que tratava os profissionais e fãs, deixa uma referência e um exemplo a ser seguido. Gratidão eterna, André Matos! Carry On!


Abraços e até a próxima conversa!
 

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