Música, futebol e uns golihos de cerveja!

 

Não me lembro de conhecer uma banda de estrada que não tenha tido vontade de fazer um time de futebol, em geral de salão, por exiguidade de membros. Os times, com provável exceção do Novos Baianos Futebol Clube, costumavam ser bem ruinzinhos. Mas nas décadas de 70 e 80 isso era comum. Nós do Sá, Rodrix & Guarabyra, por exemplo tínhamos um grande problema: tanto eu como Guarabyra não abríamos mão do gol. E para completar o time tínhamos Sérgio Magrão e o saudoso Luiz Moreno, que preferiam a zaga, o que duplicava a inconsistência do nosso esquadrão, já que Zé Rodrix se recusava a pisar na quadra e nosso operador de áudio, Ricardo “Franja” Carvalheira só jogava obrigado. Às vezes – quando ele viajava com a gente, o que não era raro –podíamos contar com o inestimável reforço de um grande amigo, o jornalista esportivo Toninho Neves, craque de bola com passagem pelo time de base do Santos. 

 
Mesmo com esse time mambembe nos divertíamos muito. Quando morávamos todos no mesmo Brooklyn, alugávamos uma quadra ali no bairro e chamávamos alguns amigos para jogar contra. Aí já tínhamos no time um craque egresso dos juvenis do América Mineiro, Flávio Venturini, assim como o reforço não muito eficiente - mas bastante motivado - de Cezinha de Mercês e Sérgio Hinds: um time misto Terço + Sá & Guarabyra. Claro que depois do jogo nosso próximo destino era o bar mais próximo, onde algumas cervejas se encarregavam de repor as calorias perdidas.


Poucos anos depois, mudamos para o Rio. Comecei a frequentar o Caxinguelê, campo de futebol, embora de terra. Era uma pelada de músicos, atores e gente do meio artístico em geral, frequentada por alguns bons jogadores, como Vinícius Cantuária, Ruban, o guitarrista Didito, Maurício Maestro (que me fez pular no ângulo e espalmar uma falta primorosamente batida  por ele, a melhor defesa da minha... ahn... “carreira”...) e outros. Mas uma luxação recidivante do ombro – que saía dolorosamente do lugar obrigando meus companheiros a tentar colocá-lo de volta - me levou de volta à lateral direita. Mesmo sem ser um craque, eu ia melhorando com a prática. A temporada carioca foi curta e voltamos para São Paulo, levando uma nova banda de apoio, a Ponte Aérea: Constant Papineanu, Betto Martins, Pedro Jaguaribe e Nonato passaram a formar  no novo time de Sá & Guarabyra, embora Guarabyra já houvesse prudentemente  decretado sua “aposentadoria” das quadras. Mesmo sabendo o quão perigoso é para um músico expor as mãos a lesões, voltei ao gol. O Futsal exigia menos do meu ombro e mais das minhas mãos. E como bons peladeiros tínhamos um excelente bar alemão ali perto, com um chope irrepreensível.


A Ponte Aérea seguiu seu caminho solo. Formamos uma nova banda e consequentemente um novo time: Sérgio Kaffa, Paulinho Calasans, Marco Bosco, Alaor Neves e – de volta à mesa de som - Ricardo “Franja” Carvalheira, entravam em campo com muita garra e boa vontade, mas continuamos sendo um time sujeito a derrotas Brasil afora. Fazer o quê? Consolar-se nos botecos do país experimentando novas marcas de cerveja.

O tempo foi passando e o futebol foi ficando mais arriscado e menos necessário. Mesmo assim, eu não me poupava de alguma pelada ocasional, principalmente às que tive ocasião de jogar em campos oficiais, como a tradicional Artistas x Veteranos no antigo campo do América, hoje Arena Independência, onde tive o duplo prazer de jogar ao lado dos meus amigos do Clube da Esquina e ser driblado por craques do calibre deWilson Piazza, Nelinho e Natal.
Mas a pelada da minha vida foi um Artistas x Veteranos no campo do Zico, no Rio, onde tive a oportunidade de ter Jair Pereira no comando do meu time e jogar contra... o Zico! Zico, que tanta dor de cabeça deu ao meu Fluminense é um daqueles caras que você não pode deixar de admirar, torça por qual time torcer. Nos poucos minutos que pudemos conversar à beira do campo, ele falou de futebol, claro, mas mostrou-se conhecedor da carreira da dupla e se disse nosso fã, o que me deixou realmente de bola cheia...


Mais recentemente fui ao lançamento do livro do Tostão, convidado por sua namorada, minha amiga e endocrinologista. Tostão, que como sabem todos os que lêem sua coluna na Folha de SP é o cara que mais entende de futebol no Brasil, foi super receptivo. Tiramos fotos juntos e no autógrafo do livro ele escreveu “para meu ídolo” o que deixou minha bola artístico-futebolística cheia para todo o sempre.


Quem é visto como ídolo por seus ídolos, principalmente aqueles que são gênios naquilo que você mal sabe fazer, tem direito a uma pequena dose de vaidade, né não? E para festejar isso, ergo minha calderetta em saudação a Zico, Tostão, Piazza, Nelinho, Natal... a todos aqueles, enfim, que fizeram do futebol uma arte própria de poucos e admirada por muitos.

 


 

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