In the Air Tonight com Phil Collins no Maracanã

April 24, 2018

 

Luiz de Urjaiss
redacao@backstage.com.br
Fotos: Tuiki Borges / Divulgação

 

Com 67 anos e 37 de carreira solo, Phil Collins realizou no dia 22 de fevereiro o primeiro de uma série de shows da turnê Not dead yet, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, antes de partir para São Paulo e Porto Alegre. Para o sistema de sonorização, foi utilizado o L-Acoustics.
 

Com mais de 100 milhões de discos vendidos, o baterista/cantor não vinha ao Brasil desde 1977, quando ainda fazia parte do Genesis e realizou show no Maracanãzinho. A turnê homônima à biografia, lançada em 2016, que fala sobre carreira e o alcoolismo, também faz jus à aposentadoria, anunciada em 2011, e reconsiderada ano passado. 
Diante de cerca de 40 mil espectadores e com dificuldade de locomoção (devido ao deslocamento de uma das vértebras do pescoço após turnê com Genesis, em 2007), o cantor – que entrou no palco de bengala – fez um show memorável. Collins perdeu parte da sensibilidade das mãos e desde então não pode mais tocar piano, e se afastou, também, da bateria – seu instrumento de formação. Por conta destes fatores, permaneceu sentado durante todo o tempo do show, ao lado de sua banda, composta por velhos escudeiros, como o baixista Leland Sklar, o guitarrista Daryl Stuermer e o trompetista Harry Kim.

 

 

Sonorização
O sistema de som escolhido pela equipe técnica do Phil Collins foi o L-Acoustics K1/K2 com todos os seus complementos. Formado por quatro colunas idênticas compostas por 12 K1 com quatro K2 abaixo e oito K1-sub; pendurados atrás de cada coluna. O palco tinha 24x16 metros e alinhado à frente da boca de cena, o sub principal composto por 24 KS-28. Acima destes, foram distribuídos quatro front-fills, cada qual com dois Kara. Nas asas do tablado, três pontos de Near-Fill espalhados. Cada ponto formado por três ARCS-ll.
Segundo o técnico de som responsável pelo áudio da Gabisom, Peter Racy, foram montados também um center cluster com seis Kara. “As quatro torres de delay foram compostas por quatro K1, seis K2 no fly e quatro SB-28 no chão. Houve também um pedido inusitado por parte deles em montar um delay atrás da housemix (FOH), com seis Karas e dois SB-28”. Os consoles usados para os shows de “Not dead yet” vieram com a produção de Phil Collins. Uma AVID S-6L no PA e uma Digico SD-7 no monitor. Ao todo foram usadas 192 caixas em cada show da turnê.

 

Estrutura
De acordo com Peter, a pedido da equipe estrangeira, a configuração do line e estrutura se mantiveram iguais em todos os shows no Brasil. “Houve ajustes no decorrer da turnê, de modo a adequar-se melhor ao local em questão, onde foram remanejadas as quantidades de K1 e K2 entre o PA e o Delay. Em Porto Alegre, por exemplo, tivemos dez V-DOSC em cada torre de delay”, diz. “O intuito era manter o sistema principal semelhante em todas as apresentações”, completa.
Sobre os desafios em sonorizar um evento em estádio, o técnico enumera pontos como a cobertura uniforme, o paralelo entre SPL adequado e longas distâncias, a necessidade de manter o sistema alinhado no tempo em todos os pontos do espaço, além da alta inteligibilidade – apesar das múltiplas reflexões e reverberações. 
“Casas de shows são ambientes menores, com área de público mais contida, restrita. Nem sempre a acústica é controlada, mas as distâncias são bem menores, necessitando pouco SPL para serem atendidas satisfatoriamente”, afirma Racy. 
“Em estádios, frequentemente não temos o luxo de montar torres onde queremos, nem optar por sistemas distribuídos, ora por conta do tempo de montagem, restrições quanto ao local que é permitido pendurar equipamento, restrições de carga, de segurança (saídas de emergência etc). Por estes motivos, trabalhamos com sistemas mais concentrados, menos distribuídos, cujo rendimento é previsível de antemão (na fase do projeto) e executados na prática, resultando na cobertura e SPL especificados durante o projeto”, explica.
Peter Racy comenta que devido à geometria das arquibancadas do Maracanã, que produziam um rebatimento oblíquo do som, não houve problemas com a reverberação do mesmo. “Provavelmente também, devido à grande distância que as ondas sonoras percorreram antes de atingir as barreiras refletivas, não sobrasse energia suficiente para um rebatimento que incomodasse como seria o caso de superfícies verticais em replicação direta”, pontua.

 

 

 

Pop 
Apesar de uma consolidada carreira no mundo progressivo, Phil Collins obteve maior reconhecimento através de seu trabalho voltado ao universo pop. Sua sensibilidade para criar canções nesse segmento que caem no gosto do grande público já é mais que conhecida. 
No que tange ao tratamento sonoro, uma vez que o gênero exige uma assinatura sonora particular, Peter explana a importância de um sistema capaz de entregar altos níveis de SPL, apresentar acoplamento coeso, dispersão uniforme por toda a faixa auditiva e reserva de potência para acomodar a faixa dinâmica.

 

 
“Os arranjos de música pop são densos, contando com inúmeras camadas musicais simultâneas, o que pode se transformar em um desastre se não forem cuidadosamente mesclados.  Ao final do alinhamento e equalização do sistema, ele deve responder o mais uniformemente possível por toda a área. É natural que no topo da arquibancada, para exemplificar, haja menor pressão sonora do que no meio da pista. Contudo, deve-se buscar manter a mesma timbragem em ambos”, observa.

 


 

Please reload

Destaque

Sétima edição do Rio Music Market acontece entre 9 e 12 de dezembro

December 6, 2019

1/10
Please reload

Posts recentes

October 7, 2019

October 3, 2019

Please reload

Nossas Redes
  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Instagram
SOBRE

REVISTA BACKSTAGE

 

A Revista Backstage é um publicação da Editora H. Sheldon e pode ser adquirida online através do site da editora, por assintura ou avulsa.

 

ANUNCIE

IMPRESSA OU DIGITAL

 

Clique aqui e se informe sobre as condições de anúncios em nossa revista ou site.

CONTATO
  • w-facebook
  • Twitter Clean
  • Instagram

Todos Direitos Reservados

Rua Iriquitiá, 392 - Taquara

Rio de Janeiro - RJ - CEP:22.730-150 

Telefones: (21) 3627-7945 /  2440-4549

E-mail: adm@backstage.com.br

© 2017 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS • REVISTA BACKSTAGE