Quanto investir em treinamento e equipamento

Fotos: Divulgação

 

Olá amigos do áudio, nesta edição quero levantar uma discussão muito importante dentro do mundo do áudio, falaremos sobre o investimento em treinamento e em equipamentos. Como já disse aqui antes, você ouve o que você paga!

 

Tenho estado em diversas igrejas ao longo dos últimos anos e recentemente tive a oportunidade de ministrar um curso na Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul, uma realidade muito diferente da que tenho presenciado por onde tenho andado. Na grande maioria das igrejas, encontro equipamentos de baixíssima qualidade que comprometem a qualidade do áudio amplificado, e o áudio amplificado é exatamente a mensagem que precisa ser entregue, sobretudo com inteligibilidade, como já vimos aqui em edições anteriores. É exatamente disso que quero falar, sobre a excelência, o zelo, cuidado, não só com o próprio sistema, com a equipe operacional, mas, também com aqueles que se dispõem a estar ali para ouvir a mensagem, seja ela falada ou cantada com todo um programa musical, que foi o que encontrei na CEIZS, uma igreja excelente por natureza!

 

Precisamos partir do princípio de que se estamos dispostos a amplificar algum som, é importante que este som amplificado represente com fidelidade a fonte, ou o som original. Desta forma, algum investimento mínimo deve ser pensado e planejado cuidadosamente antes de ser de fato adquirido o equipamento.

 

 

Indo mais além, precisamos pensar que na verdade o “som” é parte de um todo, afinal a imagem daquilo com que estamos trabalhando representa uma mensagem, logo esta mensagem é dotada de uma imagem e um som, e esta mensagem muitas vezes pode ser transmitida para rádios, internet, e até mesmo TV. Logo, estamos falando de um som que acompanha uma imagem, que necessita de uma boa iluminação e uma qualidade de captação em vídeo para assim ser transmitida para diversos meios de comunicação.

 

Seguindo esta linha de raciocínio, não podemos descuidar dos detalhes no planejamento. Estamos falando então da comunicação de uma mensagem.

 

Trabalhei na TV Globo durante anos e lá pude perceber o cuidado com cada detalhe de uma produção de forma que a mensagem possa chegar ao espectador com clareza auditiva e visual, tudo é fruto de muito trabalho, planejamento e dedicação de profissionais de primeira linha que não abrem mão da qualidade de forma alguma.

 

Mas deixando de lado agora a Globo e a Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul, o que tenho visto por aí?

Em primeiro lugar, uma quantidade enorme de equipamentos que não atendem a um padrão mínimo de qualidade sendo vendidos a preço de banana. Como exemplo, vou usar um simples microfone sem fio.

Em minha experiência no mundo do áudio, entendo que um microfone dinâmico como esses que usamos em 90% de nossas aplicações deve atender pelo menos a um requisito, não distorcer o som captado. Até porque a distorção não é uma de suas características, mas sim, dependendo do nível de entrada, pode saturar na cápsula. Lembrando que distorção e saturação são efeitos distintos.

 

 

Porém, tenho encontrado por aí dúzias e mais dúzias de microfones que simplesmente não suportam um “Boa Noite” bem postado com uma voz um pouco mais grave, trazendo com a informação (-Boa Noite!) uma distorção desagradável aos nossos ouvidos. Não estou falando de microfones velhos, mas de microfones novos, recém-adquiridos que, quando testados na loja de forma superficial com aquele famoso “Alô! Som, Som!” certamente ali (na loja) não apresentarão nenhuma irregularidade. Temos de entender que em uma situação real de uso, demandaremos muito mais do que um simples “Alô, Alô, Som, Som!”.

 

Não satisfeitos, os fabricantes ainda estão enchendo o mercado ainda hoje com sistemas operando na faixa de frequência de 698MHz a 806MHz, faixa essa que não está mais autorizada e disponível em diversos estados do Brasil, segundo o calendário de desligamento da TV analógica para equipamentos de áudio e RF, de acordo com a ANATEL.

 

Esse é apenas um exemplo do que não devemos colocar em nossos sistemas de áudio, poderia aqui me estender a caixas de som, cabos, interfaces etc, mas o texto seria de fato longo!

 

O problema é que o ser humano tem uma capacidade muito grande de se adaptar, isso se chama “Efeito de Habituação”, quando nosso cérebro passa a responder menos a estímulos constantes. Ou seja, se nosso som está ruim, em algum tempo isso começará a passar despercebido, e isso é extremamente perigoso, pois nos leva ao hábito do ruim.

 

A questão é:

- O que te faz adquirir um equipamento que vai te trazer mais problemas do que soluções?

O baixo custo tem um preço alto!

 

Temos hoje e desde sempre no mercado equipamentos com alta fidelidade de áudio como o SM58, por exemplo, um microfone simples que está aí desde 1967 e suporta até 180dbSPL sem trazer nenhuma saturação, muito menos distorção, e isso tudo a um custo acessível.

 

Ou seja, temos à nossa disposição equipamentos bons e confiáveis a preços e condições aceitáveis que podem nos atender de forma satisfatória.

 

Por outro lado, faço a pergunta:- Quem está comprando o equipamento?

Áudio é algo complexo, exige algum conhecimento técnico para ser projetado e operado, e na hora de adquirir equipamentos precisamos pensar em alguém capacitado tecnicamente para que esse investimento não tenha que ser feito duas vezes. Ou seja, superdimensionado ou mesmo subdimensionado.

 

Neste ponto, das duas uma, ou precisamos pensar em uma consultoria, ou em capacitar com treinamento nossas equipes técnicas e operacionais.

 

O fruto de um investimento consciente e bem assessorado pode nos poupar de muitas dores de cabeça ao longo dos anos e, principalmente, nos poupará de investimentos nos mesmos equipamentos, permitindo desta forma que nosso sistema esteja em constante evolução técnica, entregando a cada dia uma sonoridade melhor.

 

Pensem nisso! Invistam com sabedoria. Os ouvintes agradecem!

 

 

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