Som nas Igrejas: Introdução ao Sistema de Sonorização

 

 

  

Antes de que eu possa ajudar você a operar, melhorar ou projetar seu sistema de som, é necessário que você tenha o entendimento das partes que compõem um sistema de som.

 

Existem conceitos fundamentais que você precisa dominar.

 

Estar familiarizado com o seu “sistema de som” é o primeiro passo.

 

Porque você necessita de um sistema de som? É a primeira pergunta que você precisa fazer.

 

- Você necessita amplificar uma informação e torna-la mais audível.

 

Em uma Igreja existe alguém falando, alguém cantando e instrumentos musicais e todos precisam ser ouvidos com clareza em todos os lugares dentro do lugar de culto, seja fechado ou aberto.

 

Então precisamos fazer essas vozes e instrumentos entrarem no “sistema de som” para serem amplificados e chegar ao público com inteligibilidade.

 

Como fazer isso?

 

Lá atrás, nos fins dos anos 60 tínhamos poucas possibilidades porque não tínhamos muitos canais nos mixers, porém é um ótimo cenário pela simplicidade para entendermos como isso funciona.

 

Tínhamos um microfone no bumbo, um entre a caixa e contratempo, um de Over Head, um no amplificador de guitarra, um no amplificador de baixo e uma para voz. Esses microfones entravam no mixer que mandava os sinais para o sistema de sonorização.

 

Esse é um sistema de sonorização simples, mas serve como exemplo nesse primeiro momento.

 

Hoje operamos com um conceito de consoles para PA e monitor que só veio a funcionar desta forma lá pelo fim dos anos 70.

 

Porém isso tudo evoluiu muito, principalmente após os anos 70, e hoje o cenário é bem diferente, com uma complexidade bem maior. Hoje temos consoles digitais, caixas ativas, processadores e outros equipamentos que compõem o sistema de sonorização.

 

 

Já que entendemos que o microfone é uma parte importante desse “sistema”, vamos falar um pouco deles:

 

A primeira etapa do sistema de sonorização é entrar com o som através dos microfones que são “transdutores de entrada”, ou seja, convertem a energia acústica em energia elétrica.

 

Microfones convertem som em eletricidade.

 

Esse sinal elétrico viaja pelos cabos até a console de mixagem.

 

Vamos nos aprofundar sobre microfones um pouco mais pra frente, mas há coisas que já precisamos saber sobre eles.

 

Existem muitas marcas e modelos de microfones. Todos soam um pouco diferentes e são projetados para diferentes tipos de aplicação.

 

Os tipos mais usados em aplicações ao vivo são os DINÂMICOS e CONDENSADORES. Ambos possuem uma fina membrana interna que vibra ao ser atingida pelas ondas sonoras, essa membrana é chamada de DIAFRAGMA e essa vibração é convertida em sinal elétrico.

 

O microfone DINÂMICO é o mais comum usado em sonorização ao vivo. Normalmente são bem mais resistentes do que os CONDENSADORES.

 

Como exemplo temos o K58A da Kadosh, o Shure SM58 ou o Sennheiser 835.

 

O segundo tipo mais usado são os CONDENSADORES. Normalmente são excelentes em sonoridade, muito mais sensíveis que os DINÂMICOS, captam a distâncias maiores que os eles, porém devido a sua construção são mais sujeitos a danos, necessitando um cuidado maior no manuseio, armazenamento e transporte.

 

Os microfones CONDENSADORES necessitam de uma fonte de energia para funcionar, seja através de pilhas ou Phantom Power que muitas vezes pode ser gerado pela console ou geradores externos.

 

Agora que sabemos os principais tipos de microfones usados ao vivo, vamos entender uma característica importante desses microfones, sejam DINÂMICOS ou CONDENSADORES: o PADRÃO DE CAPTAÇÃO ou DIAGRAMA POLAR.

 

O PADRÃO DE CAPTAÇÃO ou DIAGRAMA POLAR descreve a área em torno do microfone em que ele é mais sensível à captação das ondas sonoras.

 

Cada aplicação de um microfone é diferente, e o PADRÃO POLAR vai determinar sua aplicação. Portanto é importante entendermos a aplicação de cada padrão.

 

Os principais padrões são:

 

Cardióide, Supercardióide e Omnidirecional.

 

 

Os CARDIÓIDES captam em uma região frontal em forma de coração, por isso o nome.

 

É indicado para voz e instrumentos e tem uma boa rejeição à microfonia: não capta sons por trás.

 

Os SUPERCARDIÓIDES captam uma área estreita na frente e um pouco por trás. Também são indicados para voz e alguns instrumentos, porém sua aplicação leva em consideração o isolamento da fonte desejada quando apontado diretamente para ela.

 

Os OMNIDIRECIONAIS por sua vez captam em todas as direções e sua aplicação se dá para captar grandes áreas. Como exemplo podemos citar os microfones de lapela.

 

Em algumas situações não usamos os microfones para entrar com o som no sistema. Alguns instrumentos como teclados, baixo e equipamentos eletrônicos devem entrar através de uma DIRECT BOX, que é uma pequena caixinha com um transformador dentro que nos permite entrar com esses equipamentos direto na entrada de microfone na mesa de som.

 

Temos DIRECT BOXES ATIVAS E PASSIVAS. As ativas precisam ser energizadas da mesma forma que um microfone CONDENSADOR e normalmente nos dão algumas possibilidades a mais que as PASSIVAS, como modificar o nível de saída do sinal.

 

As DIRECTS PASSIVAS por sua vez não necessitam de energização.

 

Bom, agora chegamos ao coração de nosso sistema. Através dos cabos, chegamos ao CONSOLE de MIXAGEM ou MESA DE SOM.

 

A mesa de som é a parte do sistema onde tudo é plugado. Todos os microfones, Direct Boxes, Instrumentos e equipamentos eletrônicos como Interfaces de gravação, processadores, caixas de som, amplificadores de fones, enfim, tudo entra e sai da MESA DE SOM.

 

Hoje temos as mesas digitais e as mesas analógicas, as mesas de superfície de controle e as padrão rack e ainda as superfícies touch como a WAVES LV1.

 

 

Na sua essência, as mesas de som possuem:

 

Controle de ganho de entrada, equalização, controle de panorama e controle de nível individual.

Controle de nível de saída master e controles de saídas auxiliares.

Algumas possuem efeitos e processadores de dinâmica.

 

É muito importante planejarmos o nosso sistema baseado na quantidade de vozes e instrumentos que queremos amplificar. Isso vai determinar o número de canais da nossa mesa de som assim como o número de auxiliares necessários.

 

Não menos importante que tudo isso, são os cabos. Eles são responsáveis pelo transporte de todo nosso programa de som através de todos os equipamentos. Logo, a observação de sua qualidade é fator determinante para um sistema de qualidade.

 

Agora que chegamos com todos os instrumentos e vozes na nossa mesa de som, devemos sair da mesa com tudo isso para o público através do Main Out (L-R) , assim como para a monitoração dos músicos, pregadores e pastores através das vias auxiliares.

 

Precisamos então levar as porções de som específicas para cada lugar levando em consideração a resposta de frequência de cada equipamento, e esta distribuição será feita através dos PROCESSADORES.

 

Por exemplo uma caixa de som POINT SOURCE normalmente responde entre 50Hz e 20KHz, logo enviaremos para ela somente este range de frequências.

 

Um SUBWOOFER geralmente responde entre 40Hz e 150Hz, logo enviaremos para ele apenas este range de frequências.

 

As caixas de som e subwoofers podem ser ativos e passivos, se forem passivos o sinal que vem dos processadores precisará ser amplificado através de AMPLIFICADORES.

 

Por definição, um AMPLIFICADOR é um dispositivo eletrônico usado para aumentar a potência do sinal, torna o sinal poderoso o bastante para movimentar diretamente os alto falantes.

 

Agora que chegamos nas caixas de som, temos alguns modelos diferentes de caixas de acordo com a necessidade de aplicação.

 

Como vimos anteriormente temos as caixas ATIVAS e PASSIVAS, mas não só isso. Há vários modelos diferentes de caixas.

 

Aqui falaremos sobre os modelos mais usados nas Igrejas, o conceito de fonte de ponto único (POINT SOURCE) e fonte de ponto múltiplo (LINE ARRAY)

 

Line Arrays surgiram da necessidade de uma potência de saída alta através do aumento do número de fontes sonoras. Porém a adição de várias saídas deslocadas no tempo de alto-falantes individuais causa uma resposta de impulso do sistema deficiente. Isto faz com que se precise dar uma atenção especial no projeto de desenho e otimização deste sistema.

 

Um sistema de som de fonte pontual (POINT SOURCE) oferece a mais alta definição possível e faixa dinâmica disponível atualmente.

Devemos levar em consideração vários fatores na escolha do sistema ideal para o espaço à ser sonorizado, entre eles distância do primeiro e último ouvinte, pé direito entre outros fatores.

 

 

 

O conhecimento de todo fluxo de sinal no sistema de som e as transformações ocorridas no caminho (energia acústica, eletrica, eletromagnética, mecânica) é fundamental para que a operação seja eficiente. Esse conhecimento nos permite aplicar o conhecimento dos fundamentos do áudio em todas as etapas da operação, desde a estrutura de ganho até a mixagem do programa em si.

 

Portanto podemos concluir que o conhecimento dos fundamentos do áudio, da acústica, da eletricidade e de eletromagnetismo aliados ao conhecimento dos equipamentos que compõem nosso sistema são a chave para aprimorar, operar e projetar nosso sistema de sonorização.

 

 

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