Som nas igrejas: entendendo o patch

 

 

 

Nesta publicação vamos entender melhor o patch. Já compreendemos os conectores, as conexões, pré-amplificador, ganho, phantom e conversão de sinal analógico para digital nas edições anteriores. Agora, vamos falar das possibilidades de endereçar e rotear um áudio já convertido em digital.

 

Endereçamento e Roteamento
Antes de sairmos endereçando e roteando as coisas, primeiro precisamos entender a diferença entre endereçamento e roteamento do patch. Endereçamento é bem parecido com a ideia dos correios, que precisa de um endereço para enviar e outro endereço para receber. Então, precisamos sempre lembrar de onde vem e para onde queremos levar o sinal.
Digamos que o sinal vem da porta de entrada número 01 e gostaríamos de usar este sinal no canal 02. Podemos ir no fundo da mesa de som e trocar o sinal analógico, tirando da entrada 01 e colocando na entrada 02. Mas também podemos fazer isto digitalmente, definindo que o sinal do canal 02 vai receber o sinal da entrada 01. Ou seja, quando falamos qual o endereço de saída e qual o endereço de entrada, já entendemos o patch quanto aos endereços; porém, e o roteamento?
O roteamento é igual ao GPS, que indicamos quais os endereços e visualizamos as possibilidades de rota. Então, do canal de entrada físico 01 para o canal de processamento 02, será preciso indicar por qual caminho, por qual rota vai passar. Assim, vamos no patch e vamos nos canais e dizemos qual porta vai para onde, ou seja, qual rota vai de qual endereço para qual endereço.

 

 

Patch analógico
E se parece difícil, sempre pense nos cabos físicos. Você pode usar o microfone ligado direto na mesa de som, porém, pode usar um multicabo para receber este sinal e enviar para a mesa.
Este sinal pode ser direto ou pode passar por vários caminhos, como cabo de microfone dele até o multicabo pequeno, que vai levar o sinal até o multicabo grande, e de lá para mesa de som. Assim, temos vários endereços nas pontas dos cabos e dizemos quais rotas, por quais vias de multicabos e cabos este sinal vai passar.
Por exemplo: você usa um multicabo grande, com muitas conexões para levar o som do altar até a mesa de som. Digamos que este multicabo tem 20 vias, ou melhor, 20 canais. Você pode ligar o canal 01 do multicabo no canal 01 da mesa, assim, sempre que você tiver algo que queira chegar na mesa no canal 01, é só ligar no mesmo número no multicabo.
Mas digamos que este canal 01 deu problema e você quer ligar alguma coisa no multicabo e que o sinal chegue no canal 01. Para isto, terá que passar outro cabo ou pegar um número acima, do multicabo que estragou o canal 01, e conectar este número acima na porta 01 da mesa de som.
Digamos que agora esteja com o canal 20 conectado na porta 01. Assim, o endereço não é mais canal 01 do multicabo para chegar no canal 01 da mesa. Agora está usando canal 20 do multicabo entrando na porta 01 da mesa.
E se tivesse dois multicabos, um pequeno, para chegar no multicabo grande e o grande para chegar na mesa de som. Se tudo estivesse ok, poderia conectar o canal 01 do multicabo pequeno no canal 01 do multicabo grande que vai para o canal 01 da mesa de som.
Fica fácil quando estes endereços são sequenciados (corridos), porém, ao usar um canal fora da sequência do multicabo, terá que ter mais atenção para não enviar o sinal que passa por dois caminhos (dois multicabos) até chegar na mesa de som. No patch digital é isso, você tem a entrada da mesa indo direto para o canal de processamento; ou seja, a porta de entrada 01 da mesa de som digital envia áudio para o canal de processamento 01. Com a possibilidade de mudança de patch, você escolhe os endereços (qual porta e qual canal) e faz a rota de um para o outro.

 

 

Dobrando canais
Uma coisa muito bacana que o patch editável, que a mesa digital permite, é a dobra de sinal. Se podemos usar uma entrada física e colocá-la em outro canal de processamento que não tenha o mesmo número da entrada física, então, podemos dobrar sinais.
Por exemplo, podemos pegar a entrada física de uma voz e dobrá-la para ter em dois canais de processamento, podendo equalizar uma para o som da frente de forma independente da equalização para o som dos retornos, usando a mesma porta de entrada física e dois canais de processamento. Ou seja, um endereço enviando para dois ou mais endereços. Assim, você pode usar canais dobrados para gerar efeitos, equalizadores, compressores e outras possibilidades diferentes em cada um.

 

Virtual Sound Check
E por ser sinal digital, você pode enviar para o computador, para gravar cada canal de forma independente, ou receber de volta na mesa cada canal de forma independente. Este processo de voltar o sinal de cada canal de forma independente pode facilitar a passagem de som, pois é possível receber o som gravado do bumbo de volta no mesmo canal do bumbo que recebe o sinal do músico.
Desta forma, é possível passar o som com áudio de toda banda (gravado em multipista) e retornar para a mesa fazendo o virtual sound check (checagem de som virtual). Aproveito para convidá-lo a ler no meu blog da Backstage, a publicação sobre compartilhamento de mesa de som digital e uso de ganho.
Na próxima publicação, falarei sobre protocolos.

 

 

Tiago Borges
redacao@backstage.com.br
Fotos: Divulgação

 

 

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