Som nas igrejas: estruturas de ganhos

 

A diferença entre ganho e volume

 

Você já se perguntou onde é o ponto ideal de nível de entrada de cada instrumento? Dando continuidade à série sobre mesa de som para iniciantes, nesta publicação você vai entender uma das coisas mais importantes para ser aplicada na mixagem: a estrutura de ganhos.
 

Antes de falarmos sobre estrutura de ganhos, é interessante entender primeiro como o sinal entra na mesa de som. Se você pegar um microfone comum e falar nele, sem cabo conectado, já estará produzindo energia. Não é energia forte do tipo que dá choque, mas está produzindo voltagem. Por isso, não tenha medo, se colocar o dedo na conexão, no fundo do microfone, não vai nem sentir esta energia.


Isto acontece por conta de um mecanismo que transforma a energia mecânica em elétrica. Existem alguns microfones que, para fazer esta transformação, precisam receber energia e assim transformar o som que é ouvido em sinal elétrico.


Para eletrificar estes aparelhos, é usado o Phantompower que existe nas mesas de som. Algumas mesas possuem um botão que “liga geral”, para todos os canais que tem conexão XLR (canon), outros possuem chaves por grupos de 08 canais, 06 canais, 04 canais... e, também, há mesas com este acionamento por individual por canais.
E como a energia que sai do microfone é muito baixa, existe na mesa um pré-amplificador de sinal que irá modificar o sinal no sentido de excitar ou atenuar esta entrada.

 

 


Como este pré-amplificador é um circuito eletrônico interno ao equipamento, é usado um controle chamado ganho para gerenciar esta excitação ou atenuação do sinal. Alguns equipamentos têm um controle complementar chamado PAD, que atenua o sinal de forma bem agressiva. Em algumas mesas é reduzido 20dB do sinal de entrada.
E qual é a melhor posição do ganho? Bem, para você definir a quantidade, deve sempre pensar que o som não pode vir tão alto a ponto de distorcer, e nem tão baixo para ouvir o ruído da mesa.


Sim, toda mesa tem um ruído de fundo, ou melhor, um ruído do circuito eletrônico. Em mesas analógicas, isto era mais evidente, ficava um sssssss ao fundo maior que o som que entrava ao usar o ganho muito baixo.
A questão é que no mundo digital um sinal muito pequeno irá usar muito pouco do conversor, dando uma amostra pobre para referência da conversão. Será falado do conversor na próxima edição da série. Então onde é a boa posição para o ganho?


Tanto na mesa analógica, como na mesa digital, o mais importante é que você posicione de forma que te deixe agradável para misturar os sinais. Não tem receita de bolo, mas cuidados que devem ser sempre lembrados.
Por exemplo, se você ficar mudando o ganho de lugar durante a mixagem, estará mudando a energia que será recebida nos compressores, gates e outros dinâmicos. Depois que calibrar a melhor posição do ganho, não tem que ficar mexendo nele, a não ser que a fonte sonora mude. No mais, o controle da mistura deve ser feito nos volumes (botões deslizantes ou rotativos de volume).


O que se deve entender é que só vai mexer no ganho novamente quando precisar alterar a energia geral do canal e, sempre que fizer, terá que observar se precisa compensar alguma coisa. Se você abaixar o ganho para melhorar o volume para o PA, automaticamente, todas as outras saídas que recebem deste canal também serão modificadas.


Imagine um registro geral de água que entra em sua casa. Existe um nível ideal de entrada para sua casa onde não é água fraca demais ao ponto de não subir até o chuveiro e nem é forte demais ao ponto de estourar o encanamento.
Cada torneira na sua casa seria como uma saída do canal, onde você tem saídas para os auxiliares, saídas para efeitos, saída para as caixas principais... Se mexer no registro geral, todas estas saídas seriam afetadas.


Uma boa estrutura de ganhos é quando você tem um bom sinal para todas as distribuições do seu canal. Lembrando que todo tempo que a fonte sonora for mudada, o ganho terá que ser corrigido novamente.


No exemplo do registro geral da casa, seria como se a tubulação da rua recebesse mais pressão de água e para que suas saídas não saiam muita água e evite estourar em algum lugar, é importante ir neste registro geral e reajustar.


No ganho seria isto também, se uma pessoa que estava usando o microfone falava natural e agora a outra pessoa começa a falar muito alto, para que nada estoure, é preciso ir no ganho e reajustar. Ao reajustar no ganho, estará nivelando todas as saídas que este canal envia áudio.


Então, o ganho é para ajustar a entrada no canal e os volumes (deslizantes ou rotativos) são para misturar os sinais naquela distribuição de saída.


A estrutura de ganho é fazer com que todos os canais da mesa estejam com ganho suficiente para que nada estoure e nem fique fraco demais.


Aproveite e confira o artigo “Usar ou não o fader em 0dB” que publiquei no meu blog: www.backstage.com.br/tiagoborges


No próximo texto, será abordado o tema conversão do áudio analógico para digital e as diferenças entre canais de entrada físico e canais de entrada de processamento. 

 

 

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