Som nas igrejas: conversão de áudio analógico em digital

 Tiago Borges
redacao@backstage.com.br
Fotos: Divulgação

 

Será que o som digital é tão bom quanto o analógico? Bem, estamos tão evoluídos que, dificilmente, alguém conseguirá, em um teste cego, dizer se o som está sendo misturado em uma mesa digital ou em uma mesa analógica.

o primeiro artigo desta série sobre mesa de som para iniciantes foi falado e demonstrado isto. Já neste texto, vou mostrar como ocorre esta conversão de analógico para digital. Já falamos aqui que o sinal é recebido em um circuito analógico, amplificado, e só depois é entregue para o conversor transformar este sinal elétrico em sinal de dados (sinal de áudio digital).

Neste caso, antes do gate, compressor, equalizador ou qualquer outro processamento do sinal, dentro da mesa, ele é convertido em uma imagem digital. Igual uma fotografia feita no celular. Porém, é importante entender como ocorre esta conversão, e falaremos disso agora. Ocorre que, durante a conversão, duas questões acontecem, uma é a amostragem do sinal e outra é a resolução do sinal.

 

Taxa de amostragem
Para entendemos o que é esta amostra, vamos “viajar” em um teste. Por exemplo, imagine que você está de passageiro no trânsito, está de olhos fechados e, rapidamente, no espaço de um segundo, você abre e fecha os olhos uma única vez. O que fica na memória é um momento muito pequeno para poder contar a história de tudo a sua volta. Por exemplo: só com este pequeno relance, não dá para saber se os carros, no trânsito, estão em movimento rápido, lento ou parados.
Mas, se abrir e fechar os olhos várias vezes, neste espaço de um segundo, teria mais referências e, assim, poderia comparar uma imagem com outra, sabendo se eles se moveram e em qual velocidade foi.
Isto ocorre porque, com as várias amostras, oriundas das várias vezes que abriu os olhos e visualizou o ambiente, criou imagens e, as comparando, conseguiu explicar o que ocorria.
No sistema digital, temos equipamentos iniciando 44100 amostras por segundo. Ou seja, são 44.100 fotos, do sinal digital, para serem reescritos de forma digital. A maioria dos equipamentos de áudio digital, hoje, trabalha em velocidades de 44.100 e 48.000 amostras. Sim, existem equipamentos que podem rodar diferentes vezes estes valores, mas na maioria, são estes.
O importante é que, ao interligar dois equipamentos via sinal digital, não poderá ter cada equipamento em uma velocidade diferente, pois eles terão dificuldade de trocar informações.
Cada repetição, desta amostra, é chamada de ciclo e a quantidade de ciclos (repetições), dentro do espaço de um segundo, é chamado de frequência e representado como Hz (hertz). Então, quando ler em algum lugar sobre sample rate, ou clock, está sendo falado sobre esta amostragem.
Por exemplo: 44.1kHz é o mesmo que 44100Hz de Sample Rate.

 

 

Resolução
Já que entendemos sobre as amostragens, vamos entender sobre a resolução destas amostras. Sabe quando abrimos os olhos e eles estão um tanto embaçados? Pois é, a resolução seria isto. Seria uma definição do que enxergamos e, quanto mais alta a resolução, mais detalhe vemos.
Testa aí novamente, fique com os olhos fechados e os pressione. Depois abra os olhos, piscando rapidamente, e perceba que há um período onde enxerga sem detalhes e depois vai melhorando.
Seria como uma conversão com baixo bit rate (não enxerga muitos detalhes) e depois vai aumentando o bit rate (vai enxergando melhor e vendo mais detalhes).
Em resumo, quanto maior o sample rate (amostragem) e maior o bit rate (resolução), melhor se consegue ter detalhes do sinal. Porém, é importante dizer que para ter amostras/resoluções altas, é preciso ter um processamento mais potente.
Em alguns equipamentos, a definição para taxas elevadas obriga desligar outros processamentos. Por exemplo: na 01v96, o clock começa em 44.1kHz indo 96kHz. Ao usar nesta definição mais alta, duas (das quatro) máquinas de efeito são desligadas.

 

Canais físicos e canais virtuais
Com a conversão em digital, podemos ter mesas de som sem nenhum preamp (entrada física de áudio analógico), onde esta mesa recebe o sinal já em digital, misturando os canais e devolvendo o sinal ainda em digital.
Esta possibilidade ocorre quando temos equipamentos separados, onde em um equipamento somente os preamps e em outro a mesa de som para mistura (processamento). O stage box é um equipamento para conexão dos instrumentos, conversão em sinal digital e entrega, para mesa de som, o sinal de áudio convertido, através de algum protocolo de áudio.


Aproveite e confira o artigo Compartilhamento de mesa no áudio digital e o ganho analógico que publiquei no meu blog:
backstage.com.br/tiagoborges.

 

Na próxima, abordarei sobre patch, dobras e virtual sound check.

 

 

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