TV, Mixagem e Rotina

 

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Fotos: Divulgação

 

 

Parte 1

Olá amigos do áudio, este mês estaremos iniciando uma série de duas edições sobre “Audio e mixagem para TV”. Um assunto muito pouco explorado ainda. E ninguém melhor do que Alexandre Cipriano, com vasta experiência em TV, para nos mostrar um pouco deste universo.

 

Alexandre Cipriano é Sonoplasta da Tv Globo com 15 anos de experiência em linha de show. Formado em Produção Audiovisual, atualmente opera o PA do Caldeirão, o PA do Popstar, Banda do The Voice, opera o PGM do programa Melhores Anos, o PGM do Tamanho Família e trabalha em outros eventos como Criança Esperança, Show da Virada, Especial do Roberto Carlos e Carnaval. Com formação técnica pelo Senac em 2003 no curso profissionalizante de Operador de Áudio, possui alguns Cursos no IATEC, assim como treinamento de alinhamento de sistemas pela Meyer Sound. Abaixo, o depoimento dele sobre como é trabalhar com mixagem na TV:
“Mixar para TV PA ou PGM tem suas peculiaridades. Somos cobrados por mais qualidade em menos tempo. Na TV, quem já trabalhou sabe o quanto é corrido. Mas temos exceções. São elas: os Reality shows Musicais. Vamos falar um pouco das rotinas e mixagem.


“Os programas dedicados à música, como por exemplo, The Voice, Popstar e Som Brasil, são programas onde temos mais tempo para caprichar nas mixagens. Geralmente o Estúdio fica locado para a produção do evento por três dias: um de montagem, um para ensaio, o que deixa tudo mais ajustado, e o dia do ao vivo ou gravação.
“A Globo sempre investe nos melhores equipamentos. Este é um fator muito importante. Uma estrutura de show mesmo, com P.A.  e diversos microfones tops do mercado. Não vou entrar no mérito das marcas. Trabalhamos com consoles de última geração, onde podemos gravar Snaps e pequenas cenas de ajustes. Em cada snap fica salvo um ajuste feito para cada musical. 


“Protools gravando 120 canais durante o ensaio parece muito!!! Mas é isso mesmo, a banda base do The Voice tem 46 canais, soma-se aos canais 24 microfones sem fios. Entre eles, titulares e Bys, instrumentos sem fios, canais para ambientes de plateia, canais de mídias e Vts. Uma estrutura de show dentro de um estúdio de TV. 
“Ensaiamos todo o show com a Direção do Programa, parando e voltando. Depois do ensaio, quando a banda sai do palco, fazemos o chamado virtual soundcheck: damos play no ensaio gravado e fazemos os ajustes finais na mix. Falando parece fácil, mas depende de conhecimentos técnicos em cosoles digitais avançados, Protools e, lógico, saber muito de música para uma boa mix. Nos programas da Globo temos sempre a presença de um produtor musical para dar um veredicto sobre a mix, mas temos total liberdade na mixagem e os acertos são feitos pelo Sonoplasta. 

 

 

“Em Programas de Conteúdo Variável, a exemplo do Caldeirão do Huck ou Fatima Bernardes, a rotina é diferente, geralmente corrida. As bandas convidadas tem um tempo para a montagem e passagem de som que não pode extrapolar o tempo imposto pela produção do programa, pois existe todo um cronograma a seguir com outros ensaios. Se tratando de uma banda convidada que leve algum técnico, geralmente de PA ou gravação, que já conheça aquele som, ele faz as considerações finais, desde que não seja nada absurdo.
“As bandas costumam vir com suas estruturas: backline, mics, consoles... Então o produtor de Áudio da TV avalia quais são as necessidades para a gravação com os equipamentos da banda mesclado aos da TV. Geralmente a Banda usa mesa de monitor própria, quando tem. Para o P.A. e PGM usamos nossas estrutura dos estúdios. 
“Na TV o Sonoplasta tem algumas funções. Dentre elas: mixar PA, mixar Monitor, mixar PGM (Finaliza o Programa se for ao vivo), mixar Banda, gravar em Pro tools e mixar em pós produção (Limpar os áudios, minimizar vazamentos, nivelar sons, adicionar sons, ruídos e músicas). Partindo desse princípio para Tv, vemos que para um bom resultado precisamos que todos nas suas funções estejam bem entrosados. A comunicação entre os envolvidos é muito importante para um áudio de qualidade para o consumidor final, seja ele telespectador na tv aberta, tv a cabo ou internet”.


É isso aí galera, na próxima edição falaremos especificamente sobre Mixagem em para TV, até lá! Abraços.

 

Parte 2

Oi pessoal, nessa edição, conforme prometido, vamos dar continuidade a matéria sobre mixagem para TV com o Sonoplasta da TV Globo Alexandre Cipriano.

 

Na edição anterior, Alexandre falou sobre a importância do ensaio ou passagem de som na Tv e dos recursos que auxiliam para uma boa mix como o virtual sound check (na Digico o áudio retorna via MADI, no recurso chamado Listen to copied audio) - recurso no qual, através de um gravador multipista, enviamos e recebemos via MADI todo o áudio endereçado pelo direct output, e depois reproduzimos nos mesmos canais do imput os snaps shots que possibilitam gravar alterações entre músicas sem mudar de cena na mesa - e também os snapshots que possibilitam gravar alterações entre músicas sem mudar de cena na mesa. Neste mês, Alexandre continua a dar as dicas sobre a mixagem para TV: 
“Bons monitores de referência são muito importantes. Por muitos anos usávamos Tanoy com falantes de 15 polegadas e a Yamaha Ns10. Sempre fui muito fã das duas. Mas agora usamos Genelecs, um par 8030A near field, que nos passa um pouco da sensação de como vai soar a mix em um sistema com falantes pequenos, lembrando que esse sistema também deve estar alinhado. Além disso, essas caixas ajudam muito na colocação dos elementos médios na mix como voz, guitarra, teclado, sanfona entre outros. Caixas maiores com falantes de 15 polegadas, são ótimas para a boa avaliação dos graves. Todas as frequências são importantes na mixagem. Hoje mixamos conteúdos que são consumidos em diversas plataformas, tais como internet, tv, rádio e as multiplataformas.

 

 

“É muito importante para uma boa mixagem que tanto o PA quanto o PGM sejam distintos, com um técnico em cada mesa. A pessoa que mixa no PA está, geralmente, em um ambiente ruidoso, cheio de pessoas em torno da House Mix, e o PA, por mais alinhado que seja, não vai te entregar uma mix perfeita para o uso em um PGM. Certamente vai soar desequilibrada, com muita voz, pouca banda ou equalizações que não vão agradar. Todas as grandes emissoras de Tv e Produtoras de Conteúdo já entenderam essa necessidade para bons resultados. 
“Seguindo para a mixagem, em primeiro lugar eu posiciono uma câmera para a atração a ser mixada já para ter referências de PAN, sempre tendo o ponto de vista de frente para a banda. O PAN na mix ajuda a abrir espaço de mixagem colocando todos os instrumentos em seu devido lugar. Eu abro em 100% dos Overs da Bateria. Nos Tons 1 e 2 eu abro 30%, no Surdo 100% para o lado que estiver no vídeo, Teclados e Synts também utilizo 100% em seu L e R. Os instrumentos que forem solo deixo no centro, pois geralmente o câmera dá close em quem está solando e não faz muito sentido estar com PAN aberto para um dos lados.


“Mixando banda na tv para gravação, geralmente usamos os direct out dos canais para enviar o áudio para o gravador em multipista, então tenho que ter uma atenção especial com os ganhos, pois os Direct Out são pós “gain”. Eu ajusto os ganhos dos canais para modularem bem, mas sem clipar, com os canais modulando bastante no VU. Desta forma fica bem mais fácil ajustar os processadores dinâmicos de sinais. Por conta dos ganhos estarem mais acelerados conseguimos uma boa relação sinal ruído, o que é o ideal para as gravações.   
“Eu gosto de criar grupos ou VCAs/DCAs que são sub grupos dos canais para facilitar a mixagem. Crio grupos de Bateria e Baixo, Harmonias, Metais, Percussões, Vocais e Lead Vocal. Isso ajuda nos momentos de solos, pois levantar um grupo é mais rápido do que ficar virando páginas na mesa para achar o canal que se está solando. Se puder criar um Snap shot dos solos, ai fica perfeito.

 

“Depois de equilibrar tudo na mix e achar que está pronto, temos outros fatores que vão mudar todo o som da mix: os ambientes de plateia e o apresentador. Costumo mixar ouvindo o som da mesa de PGM retornando na mesa de Banda, já com plateia aberta, para evitar surpresas. Os microfones de plateia abertos afundam parte da mixagem e fazem os pratos da bateria aparecerem em primeiro plano. O vocal some também. Aliás, a voz é o instrumento mais difícil de ajustar. Geralmente é onde se gasta mais recursos tais como os processadores dinâmicos, efeitos e plug-ins se houverem. Isto para mantê-la sempre em primeiro plano. Exemplo: o cantor ora emite com intensidade normal, ora emite propositadamente mais baixo, mais alto ou até grita. Os processadores de dinâmica entram em cena para prevenir excessos tanto para o equipamento como para nossos ouvidos, protegendo ambos. Mesas mais novas possuem um EQ dinâmico que é bastante interessante, similar aos plug-ins C4 e C6.


“Os processadores de dinâmica existentes são os compressores, os limiters (limitadores), os noise gates, os expanders (expansores) e os companders (compressores-expansores). Durante a mixagem os processadores dinâmicos são ferramentas de extrema importância. Uma música bastante trabalhada certamente tem trechos de vocais quase sussurrantes e momentos grandiosos e explosivos, solos instrumentais arrasadores e aqueles momentos bem suaves. Essa dinâmica da música deve existir, mas havendo sempre o controle dinâmico. Utilizamos um limiter na saída da mesa, o L3 limiter multimaximizer.


“Acredito que o grande desafio de hoje seja a grande quantidade de equipamentos e softwares que são lançados no mercado diariamente. Ainda que facilitem o trabalho, o bom uso dependem de muito estudo por parte dos operadores de novas tecnologias”. 
 

 

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