Nos bastidores com Gustavo Victorino

May 2, 2018

 

Alheio a discursos e números polêmicos do governo, o segmento de áudio e instrumentos atingiu uma maturidade que parece lhe dar imunidade ao que se faz (e mal) na área econômica em Brasília. Até o dólar parou com os sobressaltos e segundo especialistas, embora ainda supervalorizado, não assusta mais. 
Há muito as importações ou contratos próximos a um milhão de dólares acabaram. O mercado se vacinou no curto prazo.

 

Nova geração
A sucessão familiar em muitas empresas está trazendo uma sutil arejada num mercado que historicamente sempre foi conservador. Empresas tradicionais recebem a nova geração de gestores com um olhar mais dinâmico e arrojado. As mudanças no segmento seguem a velocidade da tecnologia e os novos tempos exigem cada vez mais arrojo nos projetos de futuro. E os jovens sabem disso... Aldo Storino, da centenária Izzo, e Rogério Raso, da iconoclasta Santo Ângelo, são apenas dois dos exemplos de sucessão com sucesso.

 

Visual
A aplaudida passagem de Phil Collins pelo Brasil deixou reaberta uma questão interessante e sempre polêmica no show business. O visual também é feito para compensar uma eventual falta de qualidade da música apresentada? Limitado pela cirurgia na coluna, o astro se apresentou de forma absolutamente estática em uma cadeira de rodas e entregou exclusivamente à iluminação a configuração cênica do seu espetáculo. Na contramão de bailarinos, explosões, figurinos e cenografias complexas, Phil usou apenas a qualidade da sua música como atração. E funcionou...

 

Tecnologia
Um chip do tamanho de um cartão de memória padrão micro SD está sendo desenvolvido pelos chineses para equipar as guitarras do futuro. Nele, um poderoso DSP e quase microscópico processador reproduz até 54 diferentes efeitos com qualidade superior às sofisticadas e caras pedaleiras existentes no mercado. Pelo que ouvi, até a reprodução de timbres valvulados é surpreendente.

 

Lollapalooza
O festival dos antenados continua na cabeceira da pista quando se fala em decolar na direção do reconhecimento como evento referencial. Nascido de uma ideia comercial e sem grandes pretensões iconoclastas como o Rock in Rio, o Lollapalooza cresceu mais do que esperava e gerou a expectativa de criar uma plataforma de lançamentos e referências no pop internacional. A pulverização de estilos e a busca por novidades fizeram o evento tropeçar exatamente onde o Rock in Rio sempre foi impecável: a qualidade das atrações. Alguns bons shows ficam diluídos em meio a novidades pseudomodernas e de gosto duvidoso ou ruim. E isso tira força do evento.

 

Iron Man
A encrenca que custou os tubos à Marvel pelo uso da música Iron Man, do Black Sabbath, num dos filmes do Homem de Ferro, foi a gota d’água para que as trilhas originais voltassem a reinar soberanas aos ouvidos dos telespectadores de filmes de ação. A dor de cabeça dos produtores de Guardiões da Galáxia não ficou muito atrás. A culpa é jogada nas relações entre as editoras e os artistas ou seus herdeiros. Muitos questionam os valores do licenciamento ou a eles repassados. Isso quando uma briga entre esses herdeiros ainda não está em curso.

 

Tensão e mau humor
Em conversa com um engenheiro especialista em acústica, descobri que o som recebe influência de muito mais variáveis do que se imagina. Temperatura, umidade do ar, vento e até a altitude e o seu ar rarefeito em oxigênio têm influência sobre o desempenho e timbragem de equipamentos de palco e PA. Mas a variável mais surpreendente é o estado de espírito do técnico responsável. Acredite, estudos provam que a tensão e o mau humor circunstancial fazem com que esse profissional inconscientemente amplifique graves e sublime médios agudos. Por recomendação e para tentar entender, fui ler o estudo disponível em inglês na internet, mas confesso que me perdi pelo conteúdo excessivamente técnico que adentra um profundo estudo da psicanálise e da neurologia.

 

Depuração
Quase um terço das pequenas lojas de instrumentos musicais no país fecharam suas portas nos últimos 5 anos. Os dados são das planilhas das empresas do ramo que realizam eventos e convidam seus principais clientes para conhecer os seus produtos. Além do mimo turístico, a ideia dos fornecedores é mapear o segmento com maior precisão.

 

Gibson
A oceânica diferença entre os fatos e os boatos estão gerando uma verdadeira crise histérica em torno de uma das marcas de guitarra mais icônicas do planeta. As dificuldades financeiras enfrentadas pela Gibson são superáveis pelo valor histórico da marca. A pressão dos japoneses para comprar a empresa de Nashville vem desde a virada do século e isso se tornou notório pelos reiterados boatos de má gestão e problemas oriundos da discussão de direitos na empresa. A Gibson nunca vai quebrar, mas certamente vai precisar mudar radicalmente sua política de preços. Cada vez menos as pessoas compram a marca no braço de uma guitarra. Mesmo com qualidade, a Gibson acusou o golpe do crescimento de marcas orientais e da própria Fender, sua maior concorrente. Com a mesma qualidade, uma Fender custa a metade do preço e uma oriental, menos de um terço.

 

Perda
A morte do gaúcho Carlos Eduardo Miranda trouxe à tona um pouco da biografia do produtor e agitador cultural mais irreverente e porralouca do Brasil dos últimos tempos. Criativo, arrojado, intenso e competente, Miranda virou o rock brasileiro de cabeça para baixo nos últimos 30 anos. Fora do circuito foi conhecido apenas quando se tornou jurado de programa de televisão, mas no meio musical sempre foi admirado e respeitado como poucos. Em Porto Alegre, e nas últimas décadas em São Paulo, Miranda deixou amigos e histórias inacreditáveis e divertidas.

 

Cuidado
As músicas dos Beatles que entraram em domínio público em alguns países e, portanto, podem ser usadas livremente estão restritas apenas a nações que têm legislação com essa previsão. Mesmo os países signatários da Convenção de Berna têm prazos decadenciais diferentes para direitos autorais. No Brasil, o prazo é de 70 anos, conforme prescreve o artigo 41 da lei nº 9.610/98. Fora desse prazo, usar música alheia dá encrenca.

 

Em crise
Os números divulgados pela imprensa e citados aqui nessa coluna dando conta da queda na venda de guitarras e consequentemente acessórios, suprimentos e amplificadores estão fazendo com que fabricantes e importadores mudem significativamente o perfil de seus catálogos e linha de produção. No segmento de amplificação o destino é o áudio e no de instrumentos a opção são os violões cujas vendas vão muito bem, obrigado.

 

Mudança de rumo
Uma surpresa no relatório anual da RIAA (Recording Industry Association of America), a poderosa associação americana de gravadoras que reúne os gestores da música e dos direitos autorais naquele país. Pelo documento, as vendas de mídias físicas superaram as de arquivos digitais no ano passado. Desde 2011 a música digital tinha assumido a liderança na comercialização e o dado acabou surpreendendo o mercado e até as próprias gravadoras. Com a palavra, os especialistas.

 

Retrocesso
Depois de décadas de luta, a música finalmente havia retornado às escolas há três anos. Nem bem findaram as comemorações e o sistema se ajustava, o governo brasileiro surpreendentemente agora tira a obrigatoriedade do ensino musical e praticamente traz de volta as trevas para cobrir um dos mais importantes conteúdos voltados à cognição e à sensibilidade dos jovens. A exemplo da nossa cultura, a educação brasileira parece andar eternamente como caranguejo. Mais uma bola fora de Brasília.

 

Começou
Avisei aqui que a mudança na utilização das frequências UHF no Brasil traria problemas para equipamentos de banda fixa. Alguns sistemas em testes já atropelam a utilização de microfones e transmissores wireless pelo país. Diante da falta de alternativas e responsabilidade legal, resta aos importadores apenas silenciar. Aos consumidores, cabe uma ação contra a união por não prever tal dano aos consumidores que compraram equipamentos legalmente importados e autorizados para venda e uso no Brasil.

 

E-mails para a coluna: victorino@backstage.com.br

 

 

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