Nos bastidores com Gustavo Victorino (junho)

 

A pressão do dólar sobre os importadores e a cada vez mais burocratizada mecânica de importação do país está elevando os preços de alguns produtos a patamares insuportáveis para o consumidor brasileiro. 
A muamba, quase extinta no passado, está de volta de forma escancarada e usando o brutal poder da internet.

Até as lojas virtuais começam a sentir o problema.

 

Excitação
A divulgação do local da Festa Nacional da Música 2018 provocou excitação no meio musical. Com a fase nacional programada para os dias 21, 22 e 23 de outubro no Vale dos Vinhedos, na serra gaúcha, o evento já começa a receber os pedidos de participação de artistas e demais profissionais do meio fonográfico. Os espetaculares espumantes e vinhos gaúchos parecem já estar exercendo o seu poder sobre a música.

 

Novos tempos
Conversando por telefone com o especialista em marketing, Victor Machado, hoje morando nos EUA, fui alertado para uma nova realidade sobre a qualidade de alguns instrumentos fabricados na América. Como guitarrista e conhecedor do mercado, ele me alertou para a surpreendente queda de qualidade de alguns produtos até então tidos como tops. Segundo o brasileiro, nos EUA a fidelidade com algumas marcas ficou abalada por conta da realidade encontrada nas lojas americanas. Alguns instrumentos fabricados no Japão, México e até na China já superam a qualidade de produtos bem mais caros, exclusivamente porque levam uma logo “Made in USA”. Pela credibilidade da opinião não fiquei surpreso com essa nova realidade. Tenho alertado isso aqui há um bom tempo.

 

Líder
Importado pela Sonotec, os pratos Zeus surpreenderam o mercado e até alguns dos melhores bateristas do país. Com uma qualidade muito acima da média e a relação custo-benefício fora do eixo, a novidade assumiu rapidamente a liderança no mercado brasileiro e já provocou até aumento inesperado de importação pela empresa de Presidente Prudente. Desenvolvidos e selecionados a dedo pelo baterista e homem de marketing da Sonotec, Norton Vanalli, sob a supervisão de Alexandre Seabra, os pratos Zeus aos poucos conquistaram o coração dos bateristas brasileiros que querem qualidade com preço justo. Golaço da Sonotec.

 

Política
O cancelamento dos shows de alguns artistas em Israel ganhou uma conotação política que poderia ser evitada. O tom de afronta ou protesto fica esvaziado pela existência de um contrato firmado entre as partes e para o qual existe um grande número de implicações financeiras que deveriam passar ao largo do estrelismo político-social de alguns nomes da música. Se não querem tocar em Israel é um direito que deve ser respeitado, mas avisem antes e não firmem contratos milionários com adiantamentos de cachês e outras garantias por eles exigidas. Assim como está sendo feito, virou mais um mimimi rasteiro do que protesto. Olhando para alguns nomes que cancelaram seus shows, acho que no fundo o povo israelense está em parte agradecido.

 

Influência
O mineiro Lô Borges foi surpreendido quando soube que o grupo inglês Arctic Monkeys admitiu influência dele no último disco da banda. A música Aos Barões composta por Lô nos anos 70 foi a referência para Tranquility Base Hotel & Casino composta pelo vocalista, compositor e líder da banda Alex Turner. Achei legal saber que fora do país ainda se ouve música brasileira de qualidade. Mesmo porque seria impensável imaginar o gringo ouvindo Wesley Safadão.

 

Vá entender
Teve um jornalista que inacreditavelmente criticou a cantora Sandy por não embarcar na onda do lixo musical que assola a música brasileira e que parece, o rapaz adora. Desfeita a dupla com o irmão, Sandy optou por fazer música de qualidade e tocar projetos focados no seu perfil e gosto musical. A menina cresceu e se tornou uma cantora com personalidade. Entristecido, noto que por “opiniões” assim é que a música brasileira virou essa coisa desagradável que a mídia nos empurra. Mais triste ainda é imaginar que tem gente que leva esses “críticos” a sério... 

 

Realidade de mercado
A entrada da Casio do Brasil tirou o sono e a acomodação da Roland e da Yamaha nos últimos 5 anos. Driblando as históricas dificuldades de conquistar mercado de outras grandes marcas mundiais como Korg, Nord e Kurzweil, a Casio apostou na relação custo-benefício e vem atropelando o segmento com modelos de teclados interessantes e uma política de preços que caiu no gosto e no bolso do brasileiro. Nessa briga, ganha o consumidor.

 

Dica
Para os canhotos como eu, que sofrem com as agruras de não encontrar bons instrumentos disponíveis nas lojas, vai uma dica para sonhar acordado ou tentar encontrar algum amigo texano que venha para o Brasil. Criada em 1980 por Jim Duncan e Bill Townsend, a Southpaw (www.southpawguitars.com) se tornou a maior loja de guitarras canhotas do mundo. Localizada em Houston, no Texas, o estabelecimento é referência em instrumentos novos e usados para canhotos que buscam mais qualidade em seis cordas. Navegar no site da loja é quase orgástico.

 

Maus hábitos

Alguns lojistas viraram turistas de plantão com os eventos promovidos pelas empresas que realizam suas convenções de vendas e encontro de negócios pelo Brasil. Ao mesmo tempo em que esses eventos aproximam o lojista do seu fornecedor, formam o hábito do jabá indireto e quem fica de fora reclama. Não sei se estão criando um monstro, mas acho que isso pode inserir uma rotina perigosa nessa relação. E na frieza dos números, nem sempre os dois lados ganham.

 

Política internacional
O recrudescimento das relações comerciais entre USA e China pode beneficiar o Brasil em vários setores. Sutilmente o presidente Trump está aumentando as taxas de importação para manufaturados no país asiático. Até marcas americanas que fabricam lá já acusam o golpe e, diante de contratos longos de manufatura, já começam a reduzir preços e desovar mercadoria na América Latina. Sem citar nomes, pelos menos duas grandes marcas mundiais estão com “promoções” para lojistas que comprarem quantidades mínimas. Em alguns casos, o desconto chega a quase 40% da tabela “oficial”. E a coisa veio de fora para dentro.

 

AES
No congresso da AES que aconteceu em São Paulo no final do mês passado, um retrato da realidade do mercado. Até então o mais profissional encontro de negócios no segmento sentiu na carne a retração do setor. Seletivo por ser altamente direcionado e técnico, o evento mostrou um pouco da cara dos novos tempos onde as novidades vão precisar muito mais do que botõezinhos coloridos, belos painéis luminosos ou manuais com especificações técnicas pouco confiáveis para conquistar o consumidor e consequentemente o lojista. O furo tá ficando mais abaixo.

 

Madeira
As encrencas da Gibson americana com a justiça estão longe de terminar. As denúncias sobre o uso irregular de madeiras prometem muita dor de cabeça para a empresa que já vem enfrentando problemas financeiros há um bom tempo. No entanto, os boatos maldosos sobre falência não se sustentam porque um nome como esse jamais morreria nas mãos dos americanos que sabem como poucos fazer dinheiro com marketing e grifes. E cá entre nós, propostas para comprar a Gibson é que não faltam na mesa dos executivos da empresa.

 

Horizonte
A alta do dólar tornou os instrumentos de percussão fabricados no Brasil altamente competitivos no mercado internacional. A qualidade já não se discute há tempos, afinal o Brasil fabrica alguns dos melhores instrumentos percussivos do mundo. Fico imaginando se o governo ajudasse um pouco mais, que belo incentivo teríamos para o segmento. Marcas brasileira que já conseguem exportar tem a faca e o queijo na mão para ampliar ainda mais os seus horizontes. Mãos à obra, brazucas!

 

Alerta
Avisei no lide dessa coluna que a muamba voltou forte. As falsificações também...

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