Nos bastidores com Gustavo Victorino (Setembro)

 

O desenvolvimento e a inserção de marcas próprias evidenciam que a estratégia adotada por vários importadores brasileiros nos últimos anos foi acertada e tecnicamente perfeita diante das incertezas e do pragmatismo do mercado. As grifes têm custo, mas, na prática, nem sempre a diferença de preço se justifica pela qualidade. Por aqui, importadores e consumidores parece que já descobriram isso.

 

Recorde
No mês passado, em Sydney, na Austrália, 470 guitarristas se reuniram ao ar livre para tocar Highway to Hell, um clássico do AC/DC. Cada guitarrista pagou 45 dólares pela participação e ganhou de presente um pequeno amplificador Marshall para plugar, tocar e levar para casa. O evento de caráter beneficente fez parte da programação do Sydney Guitar Festival. O Guiness Book registrou o recorde que anteriormente era da música Knocking On Heaven’s Door, numa concentração de 365 guitarristas tocando juntos, na Índia, em 2013.

 

Constatação
Apesar da qualidade dos concorrentes, em alguns casos até superiores, a Shure ainda está para microfones como a marca BomBril está para as esponjas de aço ou a Gillete para os aparelhos de barbear. São marcas que se confundem de tal forma com o produto que muitas vezes a opção de compra é mais reflexo do que pesquisa.

 

Previsível
Anotem, os preços na China estão subindo em dólares. Embora sutilmente majorados, eles refletem uma alta que busca segurança por conta da recém-deflagrada guerra comercial iniciada entre aquele país e os EUA. Enquanto todos, inclusive eu, imaginavam que os preços cairiam na busca de novos mercados que, em tese, compensariam a restrição americana, os chineses preferiram reajustes preventivos pela perda de alguns degraus na economia de escala. Grandes fabricantes americanos com unidades em território chinês estão reduzindo drasticamente a produção por conta do “canto de sereia” dos subsídios de Donald Trump e investindo em novas fábricas em território americano. E a encrenca parece estar só começando... 

 

Aretha
Com a morte da diva Aretha Franklin, se vai o pouco que ainda restava das grandes vozes americanas. Atualmente, independente de estilo, as cantoras gringas estão cada vez mais dependentes da tecnologia e com uma notória falta de personalidade que se esvai em gritos monocórdicos que transformam todas numa coisa só. É o fim de um era escrita por Billy Holiday, Ella Fitzgerald e Nina Simone.

 

Musikmesse
A empresa promotora das maiores feiras mundiais de áudio e instrumentos enfrenta dificuldades no próprio pátio. A Messe Frankfurt foi por muitos anos a maior feira do segmento e, ao contrário do que se imaginava, a ideia de expandir a vitoriosa proposta trouxe apenas divisão mercadológica, sem, no entanto, o acréscimo comercial esperado. Emparedada pela necessidade de uma inevitável feira na China, a Musikmesse aportou também na Rússia e em outros eventos de menor significado. O resultado foi a mudança do principal eixo de compradores. A feira alemã mantém o charme e a história, mas perde em volume de negócios para a feira chinesa, o que inevitavelmente reduzirá cedo ou tarde a sua importância e o seu tamanho no próprio quintal germânico.

 

Voto
Antes que me perguntem, aviso. Voto no primeiro candidato que mudar o tratamento tributário dos instrumentos musicais classificando como ferramenta de educação e cultura, e não produto voltado ao lazer e divertimento. Países desenvolvidos tratam o segmento assim. Aqui, nenhum candidato até agora tocou no assunto.

 

Perguntinha malcriada
Tem coisa mais chata do que música eletrônica? Sem “combustível” na cabeça, não consigo imaginar alguém que ouça isso por mais de 10 minutos. Surgido no final dos anos 70, ainda nos primórdios dos sintetizadores, o gênero teve no grupo alemão Kraftwerk o embrião de uma escola que deu origem ao minimalismo popularizado por Philip Glass. Com o tempo o gênero se perdeu e virou uma colagem simplória feita em computador e vendida como música. Conhecida como “bate estaca”, a coisa perdeu essência e virou trilha sonora de bundalelê de jovens pseudo muderninhos. E para piorar, agora querem juntar isso com música sertaneja. Vou ali me suicidar e já volto.

 

Chico
Autor de algumas obras-primas da MPB, o genial Chico Buarque de Holanda não consegue passar o mesmo talento para o palco. Mesmo idolatrado por aficionados, a impressão do espetáculo que viaja pelo Brasil é de que falta algo. Me perdoem os fãs, mas o show é chaaaaaato...

 

Brazil

Não é de hoje que a afinidade de Paul McCartney com o Brasil se tornou constante e nada dissimulada pelo ex-Beatle. No novo disco lançado esse mês, ele homenageia o nosso país com uma canção no álbum Egypt Station. Fugindo à sua característica de hitmaker, Paul compôs a música Back in Brazil tentando misturar samba com balada e sabe-se lá mais o quê. A música tem até canto de pássaros. Ficou esquisita, mas vale pela homenagem.

 

Suspeito
Essa história de encontrar “música inédita” do artista tal, ou encontrarem velhos registros de artistas mortos que serão recuperados e darão origem a um novo trabalho, me deixa encafifado. Programas reprodutores de vozes sampleadas já estão disponíveis na internet há um bom tempo. Como não tem o autor para contestar, fico imaginando o quanto de armação não possa existir nisso tudo. De uma hora para outra, estão surgindo velhos duetos, gravações inéditas, músicas nunca gravadas e o escambau. Fico desconfiado, porque o avanço da tecnologia vai tornar cada vez mais difícil identificar o que é treta.

 

Mau negócio
Essa história de fazer a política subir ao palco está sendo ruim para alguns artistas. Num país polarizado como o Brasil, assumir posturas políticas, mesmo que recomendável, está gerando resistências em contratantes que temem a rejeição do artista em seus eventos. Sem citar nomes, a postura de ativista ideológico já custou caro a muita gente e pode deixar um carimbo que vai comprometer por um bom tempo mesmo os melhores trabalhos.

 

Direitos
Chegam as eleições e o “fenômeno” se repete. Centenas de músicas são usadas pelos candidatos sem qualquer pagamento de direitos autorais. O Ecad até tenta cobrar, mas é praticamente impossível fiscalizar um país do tamanho do Brasil em tão curto espaço de tempo.

 

Mais um
Foi registrada mais uma vítima dos chamados “amplificadores de rabo quente” e graças aos céus a coisa ficou no susto e sem maiores consequências. O caso aconteceu num show de música sertaneja no interior do Paraná. O operador teve queimaduras leves nos dedos e um susto de contar para os netos. Alguém precisa urgentemente regular isso com normas técnicas ou vedação à comercialização desse tipo de produto. No mínimo, exigir uma campanha de conscientização informando dos perigos que o manuseio de equipamentos com essa característica oferece. Ter corrente elétrica de até 220V nas saídas de áudio e não saber disso chega a ser criminoso. Com a palavra as autoridades e os nossos ilustres legisladores.

 

Guerra de egos
Os bastidores dos programas musicais da Globo andam esquentando. Além da disputa de beleza de jurados e apresentadores, até candidato anda botando marra onde não deve.  As equipes de produção vivem como algodão entre cristais. 

 

Mentira
Salvo exceções, os números de visualizações e acessos divulgados por grande parte dos youtubers ou “influenciadores digitais” é mera armação tecnológica. Para conquistar patrocínios e atrair a atenção, eles usam a própria tecnologia para estufar seus números na ânsia de conquistar espaço e dinheiro no mundo virtual. Um estudante de engenharia da PUC me mostrou em 10 minutos como fazer um milhão de visualizações em qualquer porcaria que se coloca na rede. São aplicativos e pequenas ferramentas que ficam “atirando” no servidor e contabilizam números irreais e invariavelmente lucrativos. Mas tem gente que ainda acredita.

 

Dura realidade
A China destruiu a outrora grandiosa indústria brasileira de alto-falantes. Sem condições de competir no quesito preço, o segmento ficou restrito a alto-falantes específicos ou de alta qualidade e desempenho como o caso da JBL (leia-se Harman). O foco na qualidade mantém de pé marcas como a Eros (leia-se Grupo Renaer) e que deixam na nossa memória alguns alto-falantes que fazem história e são reconhecidos entre os melhores do mundo.

 


 

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