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TBT Musikmesse e Pro Light + Sound 2019: um mundo de áudio e música

06/08/2020 - 17:13h
Atualizado em 06/08/2020 - 17:57h

O #tbt de hoje é recente, mas parece que faz muito tempo. Na edição número 294, de maio de 2019, a Revista Backstage publicou uma reportagem especial sobre a Musikmesse & Pro Light + Sound. Este ano, a Feira faria uma edição especial de 40 anos cancelada por conta da covid-19. 

E como será ano que vem? Alguém arrisca?

 

Reportagem: redacao@backstage.com.br | Fotos: Miguel Sá / Frankfurt Messe / Divulgação

 

Frankfurt recebe visitantes de todo o mundo para a Musikmesse e Pro Light + Sound. Um dos maiores eventos da indústria de áudio e instrumentos musicais do mundo.

 

Dos dias 2 a 5 de abril aconteceu, em Frankfurt, Alemanha, a Musikmesse e a Prolight + Sound. A ideia este ano foi acentuar o perfil da Feira como um lugar de troca de ideias entre profissionais. Por conta disso, além das áreas de exposição – apenas para o áudio profissional foram disponibilizados 30 mil metros quadrados no Hall 8.0 – havia também um espaço de Network com diversos estandes de empresas na área 4.1. 

 

 

De acordo com a assessoria de imprensa da Musikmesse, 85 mil visitantes estiveram na Feira entre os dias 2 e 5 de abril. O formato centrado no intercâmbio entre profissionais da indústria da música fez com que 76% desses visitantes fossem profissionais. 

 

As dimensões e opções da Musikmesse + Pro Light and Sound fazem com que cada um desses visitantes possa montar o seu próprio evento. Há aqueles que preferem ir nas exposições. Outros, frequentam os diversos seminários indicando as tendências do mercado de música e áudio. Diversos fóruns, conferências e apresentações de produtos foram realizados em espaços específicos, como o fórum de tecnologias imersivas, na sala 4C, ou o evento The Future of Audio + Music Technlogy (o Futuro do Audio e da Tecnologia da Música), no chamado Circle Stage: uma espécie de tenda/auditório montada no Hall 4.0. Era possível ainda fazer uma pausa para almoçar nos diversos restaurantes ou na praça com food trucks e música ao vivo que havia no local da feira. 

 

 

Negócios

Estiveram presentes visitantes de 130 países. Entre eles, vários eram brasileiros. De fabricantes a compradores, passando pelos distribuidores, todos puderam aproveitar a Musikmesse para fazer negócios. Gustavo Bohn, por exemplo, gerente de vendas da B&C Speakers para a América do Sul, foi ter contato direto com os lançamentos da empresa e os futuros compradores dos mais novos produtos. “A Pro Light and Sound Já é histórica para a B&C. É a maior feira que fazemos. Aqui conseguimos encontrar nossos clientes e apresentar os produtos de maneira fácil e rápida. Este ano trouxemos alguns modelos novos, como o novo driver coaxial da linha DCX: O DCX464. Acreditamos que este modelo vai gerar bons negócios este ano, porque todo mundo que conhece as especificações acha que ele vem em um bom momento e com uma aplicação bem interessante no mercado. Esta é a primeira aparição dele e a previsão de entrar em linha de produção é agora em maio ou junho. Aqui já começamos a conversar com diversos clientes que temos pelo mundo, várias distribuidoras, e eles já começam a colocar uma pré-ordem. Desta forma, começamos a criar a primeira ordem de produção do novo produto”, explica o gerente.

 

Como visitante, Gustavo sentiu melhorias este ano. “A feira está mais qualificada, com produtos muito bem-acabados e elaborados. Aqui você encontra a “Ferrari” dos produtos de áudio, com o melhor de cada marca. Dá para notar que a feira vem selecionando melhor isso. Até a disposição dos estandes, hoje você nota que o pavilhão onde nós estamos é um setor profissional com um nível mais elevado. Muitas vezes, em outras feiras, se encontra mais mistura de produtos de baixo custo”, observa. 

 

Já Guillermo Distefano, CEO da distribuidora Decomac, encontrou-se com alguns fabricantes que fazem parte do catálogo da empresa, como a d&b audiotechnik e Antari, além de fechar novas representações. “Chegamos no dia anterior à Feira para o Global Partner Meeting da d&b”, explica. Guillermo também assistiu a várias palestras na sala Forum 1 relacionadas ao Soundscape, um equipamento da d&b que pretende ir além do L&R na configuração do som para as audiências. Este deve ser o carro chefe da  Decomac com a d&b no Brasil este ano. Além do áudio, a Decomac também trabalha com iluminação, trazendo os produtos da Elation, que apresentou, como lançamento, o Artiste Monet, equipamento em LED de 950W.

 

Guillermo aponta as facilidades trazidas pela Feira para demonstrar os produtos. “Esta demonstração (do Soundscape), não é em todo lugar que dá para fazer. São mais de 50 caixas. Estamos pensando em fazer uma na AES, mas um pouco diferente”. No entanto, o CEO da Decomac colocou a dificuldade trazida pelas grandes distâncias entre os locais da Musikmesse. “É difícil armar os meetings. O tempo acaba rendendo pouco porque temos de caminhar muito”.

 

Ver e comprar novos equipamentos é uma motivação importante para um dono de empresa de sonorização ir a Frankfurt. Este é o caso de Daniel Nascimento, da Daniel Sonorização, que fica em Fortaleza, no Ceará. “Procuro vir sempre para levar as novidades para o Nordeste. Procuramos comprar aqui os equipamentos que ainda demoram um tempo para chegar no Brasil. Consigo negociar e chega em um tempo bacana”, diz o empresário, que foi passar dois dias na Alemanha. 

 

Daniel percebe sempre um grande salto de um ano para o outro. “Tudo muda muito. A tendência hoje é a otimização. Hoje em dia se tem caixas menores com bem mais potência. Isso é bastante positivo, porque facilita a parte de carregamento de montagem, de agilidade... Tudo isso é influenciado. Hoje o que sé vê é muito isso: a diminuição da caixa em volume e peso com mais eficiência”.  Além de fazer negócios, Daniel também viu alguns fóruns e eventos, como a mostra de equipamentos vintage. “Passei um tempo lá matando saudade, e muita coisa ainda existe e ainda tem. Eu sou relativamente da nova geração. Dá uma saudade, mas tem muita coisa boa acontecendo”, ressalva o profissional do som.

 

 

Eventos, palestras, fóruns... 

Além de Daniel, muita gente foi ao Vintage Concert Audio Show, evento organizado pela Associação de Serviços Freelance em Eventos de Negócios (ISDV na sigla em inglês) e a fundação Vintage Audio Concert. Foram colocados no Forum 0 equipamentos e sistemas de P.A dos anos 60 aos 90. Havia lá desde os primeiros sistemas portáteis da VOX e Marshall até os Martin Audio Modular, Meyer MSL3, os Clairbrothers S4 e, finalmente, o primeiro sistema line array da L-Acoustics. Também tinha consoles analógicos dos anos 60, 70, 80 e 90 da Soundcraft, Clairbrothers e Midas, além das primeiras digitais da Yamaha, do fim dos anos 90. 

 

 

Quem fazia as palestras, explicando a progressão dos equipamentos e levando a plateia de década em década era Jürgen Desch, vice-presidente da Vintage Audio Concert. “Essa é a primeira vez que mostramos quatro décadas de som e tecnologia do áudio. Nós achamos que neste momento temos que fazer isso, porque a maioria das pessoas não sabe de onde a nossa indústria veio. Acho que temos a necessidade de informar às pessoas onde essa indústria começou e como ela cresceu. Nosso mercado anda muito rápido, e essa é a razão porquê devemos informar às pessoas sobre o passado”, ressalta o engenheiro de som. 

 

Desch se diverte ao lembrar os contratempos que passou para colocar os equipamentos antigos para funcionar: “Tivemos que gastar o ano achando os componentes e os parceiros que nos ajudaram a achar o equipamento. Mas esse não foi o maior problema. Mesmo tendo o equipamento, o grande problema se torna em como fazer ele funcionar. Porque muitas vezes ele esteve sem funcionar por dez, vinte ou ainda mais anos. Então, quando colocávamos para funcionar algumas vezes escutávamos apenas um ‘puf’. Mas consertamos bem rápido para que eles pudessem ser escutados. O grande passo que demos foi mostrar que era possível fazer esses sistemas trabalharem de novo”.

 

 

Andando um pouco, era possível ir do passado ao presente e desfrutar de uma versão menor de um importante evento de performance de música eletrônica na Sample Music Festival Area. O festival, que acontece anualmente em Berlim, por volta de agosto, se associou à Musikmesse & Pro Light + Sound e, em cooperação com marcas ligadas à cultura DJ, promoveram concursos de fingerdrumming e scratch, além de demonstrações de equipamentos e workshops. “Aqui é como um mini festival. É a nossa primeira vez na Musikmesse. Fomos colocados aqui para entreter toda essa audiência e creio que ano que vem teremos uma área maior”, espera o fundador do Festival Alex Sonnenfeld.

 

 

 

O futuro é o presente

Caminhando um pouco, se chegava ao Forum de Tecnologia Imersiva: um encontro relacionado à realidade aumentada e áudio na sala 4.C. O fórum, coordenado por Tania Khan, teve três tópicos: som imersivo, com Reneé Abe, músico e compositor; entretenimento imersivo, com o artista Torsten Hemke e arte imersiva com Robert Seidel, videoartista e curador. 

 

 

No decorrer dos dias, aconteceram eventos que desenvolveram e demonstraram os tópicos, como explica Tania Khan: “há diferentes formas de abordar realidade virtual, e um dos exemplos foi dado por Reneé Abe, que demonstrou música e mixagem de áudio de realidade virtual em filmes de 360º. Nesta demonstração, os espectadores tiveram 50 fones de ouvidos disponíveis e puderam ouvir a mixagem sendo feita ao vivo aqui. Esta é uma maneira de ver por dentro a produção de som e a música em filmes 360, que é uma mídia difícil de trabalhar . Em filmes 360 é um pouco mais complicado porque temos todo um ambiente surround e você precisa mover o som junto com a imagem. Se tem um pássaro voando em volta da sua cabeça você tem o movimento e tem que também ter o som”, detalha Tania.

 

No tópico de entretenimento imersivo, a questão são os cenários que não são possíveis de acontecer na vida normal. “Há, por exemplo, uma demonstração de realidade virtual com uma visão a partir de 50 metros de altura. Alguém com o headset de realidade virtual pode flutuar em 50 metros de altura e ninguém pode experimentar isto de verdade. Então, pelo uso da realidade virtual você pode ir a lugares que nunca poderia ir de outra forma”, exemplifica a gerente de projetos. Já na arte imersiva, Robert Seidel demonstrou um aplicativo que torna possível interagir com arte em realidade aumentada, inclusive com a criação de uma paisagem sonora que provoca uma imersão no ambiente virtual da arte.

 

 

Mas não é só na área experimental que acontecem as “brincadeiras” com som e espacialidade. Na verdade, estes conceitos já começam a invadir o mercado. Entre os diversos eventos de demonstração de produtos, era possível ver as d&b Sessions, na qual eles convidavam diversos profissionais de áudio para demonstrar o Soundscape. Quem mediou as demonstrações foi o projetista Ralf Zuleeg. “Este é um sistema de som ao vivo com uma abordagem diferente. A ideia é se afastar do L&R. Então todos tem a perspectiva correta do som. Queremos focar no espectador. Para rodar o Soundscape precisamos do DS100, que é uma matrix que suporta o software, modelos profissionais de caixas de som e amplificadores, e uma console de mixagem, mas sem usar o estéreo dela. Apenas as direct outs”, explica o projetista.

 

 

Um dos profissionais convidados a mostrar sua experiência com o equipamento foi Serge Gräfe, sound designer da banda alemã pioneira de música eletrônica Kraftwerk. O engenheiro de som falou sobre as múltiplas configurações de caixas de som em cada teatro da turnê europeia que fez com o grupo (entrevista completa na próxima edição).

 

 

O futuro da música gravada

Realidade aumentada ou som 3D também está no contexto da música. Um dos painéis ocorridos no evento O Futuro do Áudio + Tecnologia da Música, que aconteceu no hall 4.0 Circle Stage foi justamente sobre a assimilação da realidade aumentada e virtual no palco. Além deste, houve também palestras sobre monetização da criação musical e as tecnologias para produção musical, performance e vendas de produtos, entre diversas outras. O organizador e mediador do espaço foi o produtor musical Doug DeAngelis, que faz um evento parecido na Namm Show. “Começamos a fazer esse evento na Namm em 2015. Estamos desde o ano passado aqui na Musikmesse e Pro Light Sound”. Nos EUA, onde trabalha como diretor musical em produtos audiovisuais, Doug chama pessoas com quem trabalha e conhece os projetos. Na Europa, onde a rede de contato dele é menor, procura pesquisar o que as empresas estão trazendo e as pessoas que promovem a inovação. “Por esses caminhos vou conhecendo gente fascinante, artistas e tecnologias interessantes, então tentamos convidar eles”, explica.

 

 

Para DeAngelis, a música gravada não está acompanhando a velocidade das mudanças, e defende que a indústria dos games deve ser pesquisada para saber como agir nestes tempos. “Se você olhar a indústria do videogame e ver o quanto ela mudou desde 1975, não temos coisas novas (na música gravada) desde a época em que o videogame começou a evoluir. Eu comecei na música como engenheiro de som e produtor em 1988 e, quando comecei, fazia música estéreo para fones ou caixas de som. Basicamente a mesma coisas que fazemos hoje. O que aconteceu nesses últimos 25 anos foi diminuir a qualidade do som. Tentamos toda a sorte de experimentos com 5.1 ou 7.1 mas nada funcionou. A garotada ouve música em fones e não há nada para as próximas gerações que atenda a demanda por novas experiências. Por isso a música tem perdido o valor, então hoje é de graça. Há muitos mal-entendidos a respeito da parte financeira da música, então há um movimento a respeito do streaming porque as gravadoras finalmente voltaram a ganhar dinheiro com música.  E as empresas de streaming ganham dinheiro com música, mas está horrível para o artista. Então, bem, eu vejo este negócio em três partes: música, entretenimento ao vivo e game, e acho que o game é uma mídia fundamental para estudar se você quer entender como fazer dinheiro com entretenimento ou, particularmente, com música”, afirma.

 

 

Crianças

Quando parece que já não há mais nada para ver, aparece, meio escondido, um espaço onde crianças das mais diversas idades podem pegar e experimentar violinos, instrumentos de sopro e eletrônicos livremente: é a parte da Musikmesse dedicada às crianças, aqueles que no futuro vão trabalhar com música e áudio. O responsável pelo espaço era Stephan Zind. “Nos últimos dois anos que começamos pesquisas com isso. Queremos que as crianças toquem os instrumentos diretamente. Esta é a ideia principal. Então colocamos todos esses instrumentos diferentes. Os eletrônicos foi a primeira vez. Fizemos aqui para crianças e adolescentes. Mas, basicamente, para as crianças pequenas. Isto é muito importante para que elas possam tocar no instrumento. Quem sabe se não há um novo talento aqui? Essa é a ideia. Aumentar as chances de mostrar a eles o que é a música”.

 

 

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