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REPORTAGENS / Rápidas e Rasteiras

Nova pesquisa da ABRAPE sobre o setor de produção de eventos

21/05/2020 - 15:14h
Atualizado em 21/05/2020 - 15:22h

O avanço no número de demissões, o crescimento exponencial dos prejuízos financeiros e a estagnação total das atividades em virtude da pandemia de coronavírus devem continuar afetando o setor de cultura e entretenimento nos próximos meses. O cancelamento de eventos em todo País pode deixar mais de 3 milhões sem trabalho. A perda média por empresa já chega a 1,16 milhão. Estes são os números que constam da segunda pesquisa elaborada pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE).


Até o início da crise, o setor empregava em torno de 1,8 milhão de profissionais diretos e terceirizados. O estudo revela que, com o cancelamento e adiamento de eventos, mais de 240 mil profissionais já perderam os empregos até o final de abril. E a tendência é que este número cresça para 563 mil demissões até agosto podendo chegar, em outubro, a 841 mil desempregados, caso não haja segurança nas variáveis que definirão o retorno das atividades.

 

Responsável por 4,32% do PIB nacional, a cadeia produtiva de eventos é um universo de aproximadamente 60 mil empresas. Em abril, a ABRAPE já estimava que esses negócios poderiam atingir perdas substanciais. Mas os números podem ser ainda maiores. “Em função da saúde, algumas atividades são inviabilizadas, e com as atividades inviabilizadas não tem como faturar. Também afeta a economia, e as pessoas sem dinheiro não conseguem consumir. Aí as pessoas podem ter comportamentos enquanto sociedade diferentes que podem afetar determinados setores. Essas são as formas que a pandemia acaba afetando os negócios”, aponta o presidente da entidade Doreni Caramori.

 

A nova rodada de pesquisa, realizada com a base de associados da ABRAPE, mostra que o prejuízo médio por empresa acumulado até o final de abril foi de 1,16 milhão, e que as perdas até agosto devem aumentar 88,7%, chegando na casa dos R$ 2,205 milhões. É possível que, caso seja necessária a continuidade das políticas de isolamento, até outubro o rombo no caixa de cada empresa chegue a R$ 3,116 milhões.

 

O novo estudo da ABRAPE revela também a curva crescente dos adiamentos e cancelamentos e seus desdobramentos se a atual conjuntura for mantida. Até agosto, 52% dos cerca de 590 mil eventos programados para 2020, segundo a entidade, estarão cancelados. Isto significa que mais de 454 mil eventos podem não acontecer.



Desde o início da pandemia, promotoras e produtores vêm lidando diariamente com o custo da paralisação e da incerteza de quando e como irão retornar à normalidade. “Tratando do nosso setor, eu entendo que temos algumas saídas. A primeira é a relação com o poder público no sentido de defender nossos interesses. E aí, em função de medidas governamentais, ter uma compensação. Há também alguns temas de gestão. As empresas incrementando e qualificando sua gestão podem sair dessa em situação menos pior, vamos dizer assim. E há também as questões setoriais. Acho que a união do setor e das cadeias produtivas pode encontrar ferramentas para sair da crise com um impacto menor” indica Doreni Caramori.  “Uma grande lição é trabalhar pela organização  e fortalecimento do seu setor. E aí passa  pelo envolvimento com as entidades. Muitas vezes a gente fica olhando só para o nosso umbigo enquanto empresário e esquece que, enquanto setor, temos condições de vencer muitos obstáculos. A lição que a crise deixa é: fortaleça suas entidades, fortaleça o seu setor”, finaliza o presidente da Abrape.

 

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