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COLUNISTAS

Estúdio, a menina dos olhos (da cara / parte 2)

24/08/2021 - 11:01h
Atualizado em 14/09/2021 - 10:30h


 

No primeiro artigo da série falei sobre o desejo quase sagrado de termos nosso próprio estúdio e tudo que isso representa para o jovem que sonha em participar desse mundo maravilhoso e caro. Também falei da chegada do Protools como ferramenta democrática (e cara) que permitiu a uma boa parte dos entusiastas começarem a gravar seus amigos, vizinhos e quem sabe ainda abrir o tão sonhado estúdio de gravação.

 

Como nem tudo são flores, nesse caminho o sonho vai ficando mais distante na medida que o custo operacional vai aumentando. Também vem as dúvidas vindas de tantas opiniões diversas e em um determinado momento você se vê completamente perdido e pronto para entrar nas suas primeiras roubadas. Então vamos enumerar os principais dilemas que vão surgindo e pensar em soluções realistas para esses problemas.

 

Estúdio sem cliente

Esse dilema é o mais recorrente, a pessoa quer montar um estúdio para conseguir clientes e quando consegue o estúdio não consegue pagar as contas por que os clientes não aparecem. Estúdio não é como uma mercearia que o dono um dia resolve abrir uma, aluga um ponto, compra as mercadorias, abre as portas e as pessoas vem. Não funciona assim. As pessoas vem para o estúdio pelo que ele oferece para além do equipamento. Quer dizer que equipamento não é importante? Pelo contrário, o equipamento é o mínimo, é o arroz da festa, mas não é o prato principal. Estúdios de sucesso tem algo a mais para oferecer e isso está relacionado a pessoas e não a máquinas. As pessoas pagarão uma boa grana para o estúdio que tiver um produtor influente, famoso ou ainda se no estúdio já passaram nomes importantes. Conheço estúdios equipados com milhões de reais e muita gente mal sabe que existe. Além disso, se você precisar tirar seu sustento do estúdio você vai encontrar muito mais dificuldade.

 

 

Estúdio do “Brother”

Eu não conhecia esse termo até ouvir do dono um grande estúdio. É engraçado mas faz todo sentido, acompanha o raciocínio! Você não tem milhões de reais pra ter um estúdio, mas o Brasil tem algumas pessoas bem ricas. Essas pessoas ricas às vezes tem filhos e netos que gostariam de ter seu próprio empreendimento e que ele fosse um lugar descolado, divertido e cheio de pessoas admiráveis. Ai esse magnata vai lá e faz o aporte no estúdio para o ente querido. Nasce o estúdio de “Brother” num lugar “cool” cheio de equipamentos mágicos mas não tem nenhum cliente. Então o dono do estúdio chama produtores famosos e fala: “Vamos trazer uns artistas famosos pra gravar, na brotheiragem, pra movimentar o espaço”. O Objetivo é transformar o próprio espaço na Meca dos músicos famosos. Como ninguém é bobo e o estúdio não vai cobrar, o projeto fica muito mais barato. Assim, o estúdio do “Brother” quebra os concorrentes. Passa um tempo o dono do estúdio vê que ele tá “fazendo água” e que vai literalmente nadar no prejuízo. Então ele vende o estúdio para outro “Brother” rico e assim o ciclo começa novamente com vários concorrentes quebrados.

 

 

Fazer dívida para ter o estúdio!

Eu não vou falar para vocês entrarem em dívida. Mas entre fazer uma dívida para ter um estúdio ou comprar um carro novo, escolha o estúdio. Uma dívida vale a pena se ela é para adquirir um “ativo financeiro” algo que pode dar dinheiro. A gente não deve fazer dívidas para passivos porque eles vão se deteriorando ao longo do tempo. Dito isso, se for comprar coisas para montar um estúdio, compre coisas realmente de valor atemporal. Esqueça o macbook 2019! Compre monitores de áudio caros e clássicos e que você vai revender no futuro pelo mesmo preço. Talvez, quem sabe, enfiar o pé na jaca e comprar microfones caríssimos e sonho de consumo de muita gente. Essa é minha especialidade, confesso, e não me arrependo, porque sei que posso vendê-los hoje ou em 20 anos pelo mesmo valor (em dolar). E com isso vamos para a próxima etapa, tenho certeza que você já ouviu essa.

 

 

Comece pequeno!

Comece pequeno é muito diferente de: comece insignificante, ou pior, medíocre! Tive o prazer de ver o Amyr Klink pessoalmente em uma palestra. Ele começou pequeno, pegou um barquinho a remo e atravessou o Atlântico com ele. O projeto dele certamente não foi barato, mas o custo do projeto é infinitamente menor que a proeza. Se ele conseguiu com um barco a remo atravessar o Atlântico o que ele faria com um veleiro? Daria uma volta ao mundo? Isso! Vai começar pequeno? Tudo bem, mas faça a diferença, seja um pequeno grande! Mas como eu faço isso? Bem, se você chegou até aqui certamente toca algum instrumento, guitarra, bateria, baixo ou teclado. Quem sabe gosta só de mixar e masterizar. Faça um estudo da sua especialidade, do instrumento que você toca. Certamente já comprou um monte de coisas nesses últimos anos. Venda o serviço de músico de estúdio e alugue seu equipamento as horas vagas. Passou a vida colecionando pedais e amplificadores? Olha que bela oportunidade de fazer gravações para os outros com os equipamentos que já tem. Não se esqueça que um músico experiente em gravações é muito requisitado. Mas isso é um assunto para a próxima coluna. Até lá.

 

Fotos: Divulgação / Freepik / Macrovector / Vectorpouch / Upklyak 

 

Estúdio, a menina dos olhos (da cara / parte 2)
José Carlos Pires

COMENTÁRIOS

Só li verdades! Parabéns pela matéria Farat

- Guile

Ótimo texto Zé parabéns !!!!! Aguardando os próximos!!!

- Marco Aurélio

Adoro ver e rever as lives do Sá! Redescobri várias músicas da dupla valorizadas pela execução nas "Lives do Sá". Espero que esse trabalho volte de vez em quando. O Sá, juntamente com o Guilherme Arantes e o Tom Zé, está entre os melhores contadores de casos da MPB. Um livro com a história da dupla/trio escrito por ele seria muito interessante!

- Bruno Sander

Ontem foi um desses dias em que a intuição está atenta. Saí a caminhar pela Savassi sabendo que iria entrar naquela loja de discos onde sempre acho algo precioso em vinil. Já na loja, fui logo aos brasileiros e lá estavam o Nunca e o Pirão de Peixe em ótimo estado de conservação, o que é raríssimo. Comprei ambos. O 2º eu já tinha, meio chumbado. O Nunca eu conhecia de CD, e tem algumas das músicas que mais gosto da dupla, p. ex. Nuvens d'Água (acho perfeita), Coisa A-Toa (alusão à ditadura?), e outras. Me disseram que o F. Venturini é fã do Procol Harum, e realmente alguns solos de órgão dele fazem lembrar a banda inglesa.

- João Henrique Jr.

Que maravilha de matéria. Me transportei aos anos de ouro da música brasileira

- Sidney Ribeiro

Trabalho lindão. Parabéns à todos os envolvidos!

- Anderson Farias de Melo

O que dizer do melhor disco da música nacional(minha opinião). Tive o prazer em ver eles como dupla e a volta como trio em um shopping da zona leste de sampa. Lançamento do disco outra vez na estrada. Espero poder voltar a vê-los novamente, já que o Sa hoje mora fora do Brasil. E essa Pandemia, que isolou muito as pessoas. Obrigado por vocês existirem como músicos, poetas e instrumentistas. Vocês são F..., Obrigado, abracos

- Luiz antonio Rocha

Que maravilha Querido Paulinho Paulo Farat!! Obrigado por dividir conosco momentos tão lindos , pela maravilha de pessoa e imenso talento que Vc sempre teve, tem e terá, sempre estará no lugar certo e na hora certa ! Emocionante! Tive a honra de trabalhar muitas vezes com Vc, em especial na época do Zonazul , obrigado por tudo, parabéns pela brilhante carreira e que Deus Abençõe sempre . Bjbj

- Michel Freidenson

Mais uma vez um texto sensacional sobre a história da música e dos músicos brasileiros. Parabéns primo e obrigado por manter viva a memória dessas pessoas tão especiais para nós E vai gravar o vídeo desta semana! Kkkk

- Carlos Ronconi

Grande Farat!!! Bacana demais a coluna! Cheio de boas memorias pra compartilha!!!

- Luciana Lee

Valeu Paulo Farat por registrar nosso trabalho com tanto carinho e emoção sincera. Foram momentos profissionais muito importantes para todos nós. Inesquecíveis ! A todos os membros de nossa equipe,( e que equipe! ) Nosso Carinho e Saudades ! ???? ???????????????????? Guilherme Emmer Dias Gomes Mazinho Ventura Heitor TP Pereira Paulo Braga Renato Franco Walter Rocche Hamilton Griecco Micca Luiz Tornaghi Carlão Renato Costa Selma Silva Marilene Gondim Cláudia Zettel (in memoriam) Cristina Ferreira Neuza Souza

- Alberto Traiger

Depois de um ano de empresa 3M pude fazer o bendito carnê e comprei uma vitrolinha (em 12X) e na mesma hora levei Pirão, Quatro (Que era o novo), Es´pelho Cristalino e Vivo do Alceu, fiquei um ano ouvindo e pirando sem parar, depois vi o show do Quatro em Campinas. Considero o mais equilibrado de todos, sendo que sempre pendendo pro rural e nem tanto pro urbano, um disco atemporal podendo ser ouvido em qualquer situação, pois levanta o astral mesmo. No momento, Chuva no campo é ''a favorita'', mas depois passa e vem outra, igualzinho à aquela banda de Liverpool, manja????

- Ademilson Carlos de Sá

B R A V O!!! Paulo Farat não esqueça: “Afina isso aí moleque!” Hahahaha Tremendo profissional, sou teu fã, Grande abraço!

- Dudu Portes

Show é sensacional. Mas a s sensação intimista de parecer que a live é um show particular, dentro da sua casa, do seu quarto, é impagável. Parabéns família, incluindo Guarabyra e Tommy...

- Ricardo Amatucci

Paulo Farat vai esta nas lives do Papo Na Web a partir de amanha apresentando "Os Albuns Que Marcaram As Nossas Vidas"" Não percam, www.facebook.com/depaponaweb todas as terças-feiras as 20:00 horas

- Carlos Ronconi

Caro Luiz Carlos Sá, as canções que vocês fazem são maravilhosas, sinto a energia de cada uma. Tornei-me um admirador do trabalho de vocês no final dos anos 1970 com o LP Quatro e a partir de então saí procurando os discos de vocês, paguei um preço extorsivo pelo vendedor, os LP's "Casaco Marrom" do Guarabyra e "Passado, Presente e Futuro" (primeiro do Trio), mas valeu. tenho todos em LP's e CD's até o Antenas, depois desse só em CD's e o DVD "Outra Vez Na Estrada" exceto o mais recente "Cinamomo" mas em breve estarei com ele para curtir. A última vez que vi um show da dupla (nunca vi o trio em palco), foi no Recife no dia 16/04/2016 na Caixa Cultural, vi as duas apresentações. Levei dois bolos de rolo pra vocês, mas o Guarabyra não estava. Quero registrar que tenho até o LP "Vamos Por Aí", todos autografados, que foi num show feito no Teatro do Parque, as apresentações seriam nos 14,15 e 16/10/1992 mas o Guarabyra perdeu o voo e só foram dois dias, no dia do seu aniversário e outro no dia 16. Inesquecível. Agora estou lendo essas crônicas maravilhosas. Grande abraço forte e fraterno e muita saúde e sucesso pra vocês, sempre. P.S. O meu perfil no Facebook é Xavier de Brito e estou lá como Super Fã.

- Edison Xavier de Brito

Me lembro de ter lido algumas destas crônicas dos discos quando voce as publicou no Facebook em 2013, Sá. Muito emocionante reler e me emocionar de novo. Voces foram trilha sonora importantíssima dos últimos anos da minha vida. Sou de 1986, portanto de uma geração mais nova que escuta voces. Gratidão e vida longa a voces!

- Luiz Fernando Lopes

Salve!!! Que maravilha conhecer essas histórias de discos que fazem parte da minha vida. Parabéns `à Backstage e ao Sá! E, claro, esperando a crônica do Pirão. Esse disco me acompanha há mais de quarenta anos! Minhas filhas escutaram desde bebês e minha neta, que vai nascer agora em setembro, vai aprender a cantar todas as músicas!

- Maurício Cruz

com esse time de referências musicais (exatamente as minhas) mais o seu talento, não tem como não fazer música boa!!!! parabéns!!! com uma abraço de um fã que ouve seus discos desde essa época!

- nico figueiredo

Boa noite amigo, gostei muito das suas explicações, pois trabalho com mix gosto muito mesmo e assistindo você falando disso tudo gostei muito um abraço.

- Rubens Miranda Rodrigues

Obrigado Sá, obrigado Backstage, adoro essas histórias, muito bom, gostaria de ouvir histórias sobre as letras tbém, abç.

- Robson Marcelo ( Robinho de Guariba SP )

Esperando ansioso o Pirão de Peixe e o 4. Meu primeiro S&G

- Jeferson

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